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Fruticultura e Horticultura

Greening ameaça pomares de citros e exige controle rápido para proteger produção de laranja

Sem tratamento capaz de eliminar a doença, manejo integrado deve combinar monitoramento, controle do psilídeo, retirada de plantas infectadas e tecnologias que fortaleçam as defesas naturais dos citros


Publicado em: 04/09/2026 às 08:00hs

Greening ameaça pomares de citros e exige controle rápido para proteger produção de laranja

O avanço do greening nos pomares de citros mantém a citricultura brasileira em alerta. Também conhecida como HLB, a doença compromete o desenvolvimento das plantas, reduz a produtividade, prejudica a qualidade dos frutos e diminui a vida útil dos pomares.

O problema representa uma ameaça estratégica para o Brasil, responsável pela produção anual de mais de 16 milhões de toneladas de laranja e líder mundial nas exportações de suco da fruta, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Como ainda não existe tratamento capaz de eliminar a doença das plantas infectadas, especialistas recomendam ações preventivas e integradas para conter sua disseminação. A rapidez na identificação dos focos e no controle do inseto transmissor é considerada fundamental para preservar o potencial produtivo das propriedades.

O que é o greening e quais são seus impactos nos citros?

O greening provoca sintomas como amarelecimento irregular das folhas, deformação e queda prematura dos frutos, redução da produtividade e declínio gradual das árvores.

Os frutos de plantas contaminadas podem apresentar tamanho reduzido, formato assimétrico, maturação desuniforme e alterações que comprometem sua qualidade comercial e industrial.

No Brasil, a doença está associada principalmente a duas variantes de bactérias: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas) e Candidatus Liberibacter americanus (CLam). A primeira é encontrada em mais de 99% das árvores contaminadas, conforme explica Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil.

“Ambas são transmitidas pelo psilídeo (Diaphorina citri), inseto de coloração branco-acinzentada, muito frequente nos pomares durante os períodos de brotação. Ele se alimenta de seiva e, ao picar a planta, acaba infectando-a”, afirma Valerim.

Psilídeo é o principal vetor da doença

O psilídeo-dos-citros representa um dos principais pontos de atenção no combate ao greening. A presença do inseto costuma aumentar durante as brotações, período em que surgem tecidos jovens e mais favoráveis à sua alimentação e reprodução.

Ao se alimentar de uma árvore contaminada, o inseto pode adquirir a bactéria. Posteriormente, ao migrar para outra planta, torna-se capaz de disseminar o agente causador da doença pelo pomar.

Por isso, o acompanhamento das brotações, o monitoramento frequente da população do psilídeo e a realização de intervenções no momento adequado são medidas indispensáveis para reduzir a pressão do vetor.

Manejo integrado é essencial contra o greening

A ausência de um tratamento curativo torna a prevenção a principal ferramenta dos citricultores. Depois da confirmação da contaminação, as árvores doentes precisam ser eliminadas conforme as recomendações técnicas e sanitárias aplicáveis à região.

De acordo com Leandro Valerim, engenheiro agrônomo e mestre em fitotecnia pela Universidade de São Paulo (USP), a manutenção de pomares saudáveis depende de um conjunto de medidas coordenadas.

Entre as principais estratégias estão:

  • monitoramento constante dos pomares;
  • identificação precoce de plantas com sintomas;
  • controle rigoroso do psilídeo;
  • eliminação adequada das árvores contaminadas;
  • atenção especial aos períodos de brotação;
  • uso de mudas sadias e de origem conhecida;
  • adoção de tecnologias que auxiliem a resposta das plantas aos estresses.

As ações precisam alcançar todo o sistema produtivo. O manejo isolado em apenas uma propriedade pode ter seus resultados limitados quando existem pomares contaminados ou plantas hospedeiras nas áreas próximas.

Peptídeos sinalizadores ampliam estratégias de proteção

Entre as tecnologias incorporadas ao manejo estão os peptídeos sinalizadores, moléculas que atuam na comunicação interna das plantas e estimulam seus mecanismos naturais de defesa.

“Essas moléculas funcionam como sinais químicos que são reconhecidos pela própria planta e desencadeiam a ativação coordenada de seus mecanismos naturais de defesa”, explica Mariana Yama, gerente de produtos da UPL Brasil e especialista em fisiologia vegetal pela USP.

A UPL lançou recentemente o Strakor, desenvolvido em parceria com a Elemental Enzymes. Segundo a empresa, trata-se da primeira solução registrada no Brasil especificamente para o manejo do greening.

O produto utiliza peptídeos sinalizadores para estimular, de forma sistêmica, os mecanismos naturais de defesa da planta. A tecnologia, entretanto, não substitui as demais práticas recomendadas, devendo integrar um programa amplo de manejo da doença.

Controle do vetor reduz risco de disseminação

Para complementar a estratégia, a empresa disponibiliza o inseticida Sperto, de ação sistêmica, por contato e ingestão, indicado para o controle do psilídeo.

A combinação entre controle do inseto vetor, monitoramento permanente e tecnologias destinadas a fortalecer as respostas naturais das plantas amplia as ferramentas disponíveis aos produtores. O objetivo é reduzir a disseminação do greening e preservar por mais tempo a capacidade produtiva dos pomares.

“Quanto mais cedo e assertiva for a intervenção, maiores são as chances de reduzir o avanço da doença e aumentar a longevidade dos pomares”, destaca Mariana.

Combate ao HLB depende de ação contínua e regional

O enfrentamento do greening exige planejamento permanente, decisões rápidas e integração entre citricultores, viveiristas, técnicos e demais integrantes da cadeia produtiva.

Além de reduzir perdas dentro das propriedades, o manejo regional contribui para limitar a circulação do psilídeo e a formação de novas fontes de contaminação.

Diante da importância econômica da produção brasileira de laranja, conter o avanço do HLB será determinante para preservar a produtividade dos pomares, a qualidade dos frutos e a competitividade do Brasil no mercado mundial de suco de laranja.

Fonte: Portal do Agronegócio

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