Ferrugem-asiática triplica registros e aumenta alerta no vazio sanitário da soja
Com 379 ocorrências na safra 2025/26, eliminação de plantas voluntárias ganha importância; entressafra também deve ser usada para análise do solo e planejamento do ciclo 2026/27
Publicado em: 03/09/2026 às 12:30hs
O aumento expressivo dos registros de ferrugem-asiática na safra 2025/26 reforça a necessidade de cumprimento rigoroso do vazio sanitário da soja. O período sem plantas vivas da cultura é considerado uma das principais medidas para retardar o aparecimento da doença e reduzir a pressão sobre as lavouras no ciclo seguinte.
Dados do Consórcio Antiferrugem mostram que foram contabilizadas 379 ocorrências da doença na última temporada. O número é cerca de três vezes superior aos 124 registros verificados durante toda a safra 2024/25.
Além do controle fitossanitário, a entressafra permite antecipar decisões que podem influenciar diretamente os custos, a eficiência operacional e o potencial produtivo da soja em 2026/27.
Vazio sanitário interrompe ciclo da ferrugem-asiática
O vazio sanitário tem como principal objetivo reduzir a sobrevivência do fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem-asiática, no intervalo entre duas safras.
Durante o período estabelecido para cada região, é proibida a manutenção de plantas vivas de soja. A determinação inclui as plantas voluntárias, conhecidas como tigueras, que podem surgir após a colheita em lavouras, margens de estradas, carreadores, áreas de armazenamento e outros locais.
Essas plantas funcionam como hospedeiras do fungo durante a entressafra, favorecendo a manutenção e a multiplicação do patógeno. Quando não são eliminadas, podem contribuir para que as primeiras infecções ocorram mais cedo no ciclo seguinte.
Entrada tardia da doença ajuda a preservar fungicidas
Retardar o estabelecimento da ferrugem-asiática permite ao produtor organizar um programa de manejo mais racional e preservar a eficiência dos fungicidas disponíveis.
“Quanto mais conseguimos retardar a entrada da doença, maiores são as condições de preservar a eficiência dos fungicidas e trabalhar de maneira mais racional ao longo da safra”, explica Renato de Souza Rodrigues, representante comercial da Conceito Agrícola.
O descumprimento do vazio sanitário pode aumentar a pressão inicial do fungo, antecipar aplicações, elevar os custos de produção e ampliar os riscos de perda de produtividade. O produtor também fica sujeito às penalidades previstas na legislação de cada estado.
A eliminação das plantas voluntárias deve ser acompanhada pelo monitoramento constante das áreas. O planejamento precisa considerar o histórico da propriedade, a pressão regional da doença e as condições climáticas esperadas para o próximo ciclo.
Entressafra abre espaço para análise e correção do solo
O intervalo entre as safras também é estratégico para avaliar a fertilidade do solo e realizar as correções necessárias antes da semeadura.
A coleta antecipada de amostras oferece mais tempo para interpretar os resultados e planejar procedimentos como calagem, gessagem e adubação. O diagnóstico ainda contribui para estimar a necessidade de fertilizantes e organizar as compras de insumos.
“Um bom trabalho nessa fase reduz riscos e desperdícios, aumenta a eficiência operacional e cria condições para expressar o máximo potencial produtivo da cultura”, destaca Rodrigues.
Entre os indicadores avaliados estão o pH, os teores de macro e micronutrientes, a quantidade de matéria orgânica, a capacidade de troca de cátions e a saturação por bases.
Avaliação em profundidade identifica limitações às raízes
Além da amostragem convencional, o produtor pode avaliar camadas mais profundas do solo. Esse diagnóstico ajuda a identificar limitações químicas que não aparecem somente na superfície, mas que podem restringir o crescimento radicular e o acesso das plantas à água e aos nutrientes.
A análise do perfil do solo permite direcionar melhor as correções e criar condições para que as raízes explorem uma área maior. Essa característica pode ganhar relevância em períodos de irregularidade das chuvas ou altas temperaturas.
As recomendações de corretivos e fertilizantes devem ser definidas com base nas análises laboratoriais, nas características de cada talhão e na orientação de um profissional habilitado.
Manejo de pragas e plantas daninhas deve ser antecipado
A entressafra também pode ser aproveitada para controlar plantas daninhas e reduzir a presença de pragas que encontram hospedeiros alternativos entre os ciclos.
Outro ponto importante é a revisão de tratores, pulverizadores, semeadoras e demais equipamentos. A manutenção preventiva reduz o risco de interrupções durante o plantio e permite ajustar as máquinas às condições de cada área.
A preparação inclui ainda a escolha das cultivares, a definição do tratamento de sementes e a estruturação do programa de manejo de doenças, insetos e plantas daninhas.
Safra 2026/27 começa antes da semeadura
Com as decisões tomadas antecipadamente, o produtor consegue organizar insumos, máquinas, mão de obra e operações de acordo com o histórico e as necessidades de cada área.
“É nesse momento que conseguimos reunir os dados da propriedade e transformar essas informações em planejamento. Uma grande safra começa muito antes do plantio”, conclui Rodrigues.
Diante do avanço da ferrugem-asiática, o cumprimento do vazio sanitário e a eliminação das plantas voluntárias tornam-se etapas decisivas. Somados à análise do solo e ao planejamento do manejo, esses cuidados podem reduzir riscos e preparar as lavouras para a safra de soja 2026/27.
Fonte: Portal do Agronegócio
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