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Fruticultura e Horticultura

Minas Gerais lidera produção de cenoura, alho e batata, mas custos e preços pressionam produtores

Análise do Sistema Faemg Senar destaca participação mineira no abastecimento nacional e alerta para impactos da perda de renda nas economias regionais


Publicado em: 09/10/2026 às 10:30hs

Minas Gerais lidera produção de cenoura, alho e batata, mas custos e preços pressionam produtores

Minas Gerais responde por aproximadamente 46% da produção brasileira de cenoura, 44% de alho e 33% de batata-inglesa e de abóbora, segundo análise do Sistema Faemg Senar baseada nos dados mais recentes da Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do IBGE. A liderança nessas culturas reforça a importância do estado para o abastecimento nacional, mas contrasta com dificuldades de rentabilidade enfrentadas pelos produtores.

O levantamento aponta resultados distintos entre as culturas em 2025. Enquanto batata-doce, mandioca, cebola e batata-inglesa ampliaram a produção, alho e tomate registraram retração. Já em 2026, a pressão sobre os preços e os custos de produção passou a exigir maior atenção à sustentabilidade econômica da atividade.

Batata-inglesa alcança 1,49 milhão de toneladas em Minas

Entre as culturas analisadas, a batata-inglesa apresentou o maior volume produzido em Minas Gerais em 2025, com 1,49 milhão de toneladas. Na sequência aparecem mandioca, com 625,4 mil toneladas; tomate, com 585,2 mil toneladas; e cenoura, com 303,3 mil toneladas.

Na comparação com 2024, a batata-doce teve crescimento de 13%, enquanto a mandioca avançou 11%. A produção de batata-inglesa aumentou 4%. Em sentido contrário, o alho recuou 11% e o tomate, 1%.

Segundo Mariana Marotta, analista de agronegócio do Sistema Faemg Senar, essa diferença de desempenho resulta da combinação de condições climáticas, produtividade, custos, disponibilidade de mão de obra, decisões de plantio e comportamento dos preços.

A diversidade de ambientes produtivos e a distribuição regional das lavouras ajudam a sustentar a participação mineira no mercado de hortaliças, atividade que gera renda para milhares de produtores.

Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba concentram produção

O Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba reúne o maior volume das culturas analisadas, com cerca de 1,8 milhão de toneladas em 2025. O Sul/Sudoeste de Minas aparece em seguida, com aproximadamente 700 mil toneladas, e o Norte de Minas, com cerca de 350 mil toneladas.

A concentração produtiva torna o desempenho do campo especialmente relevante para a economia desses municípios. Quando a renda agrícola diminui, os efeitos alcançam fornecedores de insumos, comércio, transporte, manutenção de máquinas e outros serviços.

Como exemplo dessa relação, Marotta destaca que a agropecuária respondeu por cerca de 60% do valor adicionado bruto de Rio Paranaíba em 2021. Em Ibiá, a participação foi de aproximadamente 31%.

Preço do alho cai 43% e importações ampliam preocupação

Apesar da representatividade de Minas Gerais, a cadeia do alho enfrenta forte pressão econômica. No primeiro semestre de 2026, as cotações caíram, em média, 43% em relação ao mesmo período de 2025, conforme o levantamento.

A concorrência externa também preocupa o setor. O estudo aponta crescimento de aproximadamente 45% nas importações brasileiras de alho entre 2022 e 2025.

Em junho, uma audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, realizada em São Gotardo, discutiu os impactos das compras de alho da Argentina e da China sobre a produção regional.

Além do alho, produtores de batata e cenoura enfrentam dificuldades relacionadas a preços pressionados, custos elevados e riscos climáticos. O levantamento também registra desafios em outras atividades importantes para a economia rural, como milho, soja e leite.

Na avaliação de Marotta, a continuidade desse cenário pode provocar descapitalização, redução dos investimentos e perda de competitividade, com reflexos sobre a atividade econômica regional.

Assistência técnica amplia atendimento aos produtores

Para enfrentar os desafios da cadeia, o Sistema Faemg Senar destaca a importância da assistência técnica, da capacitação e do acesso a tecnologias que contribuam para melhorar a eficiência produtiva e a gestão das propriedades.

Em 2025, a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) atendeu 1.489 produtores, crescimento de 65% sobre o ano anterior, abrangendo mais de 2.800 hectares. No mesmo período, o Senar realizou 297 cursos, com 3.230 participantes.

O trabalho conta ainda com o Centro de Referência em Olericultura, em São Gotardo, e com a Comissão Técnica de Hortaliças e Flores. As iniciativas aproximam produtores de conhecimento técnico e soluções aplicáveis às lavouras.

Para Marotta, acompanhar os indicadores de produção e as condições econômicas permite identificar dificuldades e orientar o apoio ao setor. No Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, preservar a capacidade produtiva das propriedades também significa sustentar empregos, serviços e renda nos municípios.

Fonte: Portal do Agronegócio

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