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Fruticultura e Horticultura

Hortaliças: alface, cebola, cenoura e tomate enfrentam pressão de mercado com demanda fraca, avanço da safra e mudanças climáticas

Mercado de hortaliças registra queda nos preços em importantes regiões produtoras; clima, férias escolares e aumento da oferta influenciam cotações de alface, cebola, cenoura e tomate


Publicado em: 27/07/2026 às 11:25hs

Hortaliças: alface, cebola, cenoura e tomate enfrentam pressão de mercado com demanda fraca, avanço da safra e mudanças climáticas

O mercado brasileiro de hortaliças apresentou movimentos distintos entre as principais culturas comercializadas na última semana, mas um fator predominou em praticamente todas as regiões: a demanda permaneceu enfraquecida. Levantamentos do Hortifrúti/Cepea mostram que fatores como férias escolares, fim de mês, avanço das colheitas e condições climáticas vêm determinando o comportamento dos preços da alface, cebola, cenoura e tomate.

Enquanto algumas regiões enfrentam excesso de oferta, pressionando as cotações, outras convivem com limitações nas colheitas provocadas pelo clima, cenário que ajuda a sustentar os preços em determinados mercados.

Mercado de alface segue fraco em Ibiúna, mas oferta equilibrada sustenta preços em Mogi das Cruzes

O setor de folhosas continua enfrentando dificuldades de comercialização, especialmente na região de Ibiúna (SP), onde a procura permaneceu abaixo do esperado durante a semana.

Segundo colaboradores do Hortifrúti/Cepea, o retorno das temperaturas mais baixas, aliado ao tradicional enfraquecimento do consumo no fim do mês, reduziu significativamente os pedidos dos compradores.

Como consequência, a alface crespa registrou queda de 5,81%, sendo comercializada, em média, por R$ 31,60 por caixa com 20 unidades.

Já a alface americana apresentou comportamento diferente. Ajustes na oferta realizados pelos produtores impulsionaram a cotação média para R$ 24,40 por caixa com 12 unidades, avanço de 7,85%.

Em Mogi das Cruzes (SP), apesar da demanda também permanecer abaixo do ideal, a oferta mais ajustada evitou maiores oscilações.

Os preços permaneceram estáveis:

  • Alface crespa: R$ 34,96/cx (20 unidades)
  • Alface americana: R$ 32,92/cx (12 unidades)

A expectativa do setor é de recuperação gradual da demanda nas próximas semanas, impulsionada pelo encerramento das férias escolares, o que poderá favorecer novas valorizações caso a oferta permaneça controlada.

Avanço da safra derruba preços da cebola no Cerrado

No mercado da cebola, o avanço da colheita no Triângulo Mineiro (MG) e em Cristalina (GO) intensificou a pressão sobre os preços.

De acordo com agentes consultados pelo Cepea, ainda existe volume expressivo de cebolas armazenadas, principalmente no Triângulo Mineiro, reflexo da antecipação das colheitas registrada nas últimas semanas.

Ao mesmo tempo, as atividades de campo seguem aceleradas e o Cerrado se aproxima do pico da safra, previsto para ocorrer durante o mês de agosto.

Esse cenário poderá provocar uma sobreposição da oferta com as regiões produtoras de São Paulo e do Nordeste, ampliando a disponibilidade nacional de bulbos e elevando a concorrência entre produtores.

Como resultado:

  • Triângulo Mineiro: R$ 60,50 por saca de 20 kg (-16,10%)
  • Cristalina (GO): R$ 62,00 por saca de 20 kg (-14,50%)

A tendência para agosto continua sendo de mercado pressionado pelo aumento da oferta.

Chuvas limitam colheita de cenoura no Sul, mas mercado nacional deve permanecer abastecido

O excesso de chuvas vem dificultando o início da safra de inverno da cenoura em Caxias do Sul (RS).

Segundo dados climáticos, o volume de precipitações já ultrapassou 210 milímetros em julho, acima da previsão inicial de 169 mm, comprometendo as operações de colheita em diversas áreas.

Com lavouras alagadas e menor disponibilidade de produto, produtores gaúchos passaram a adquirir cenouras provenientes de Santa Catarina e Paraná para atender o mercado regional.

Apesar da redução da oferta local, o impacto sobre os preços foi limitado.

A caixa de 29 kg da cenoura "suja" apresentou leve valorização de 3,9%, sendo comercializada a R$ 61,67.

Entretanto, a expectativa do setor é de queda nas cotações nas próximas semanas, à medida que avança a safra de inverno em Minas Gerais, principal região formadora de preços da cultura no Brasil.

Tomate acumula terceira semana consecutiva de queda nos preços

O tomate longa vida 3A voltou a registrar desvalorização nos principais centros atacadistas do País.

Segundo o Hortifrúti/Cepea, esta foi a terceira semana consecutiva de recuo das cotações, reflexo da combinação entre aumento da produtividade, maior oferta nas regiões em plena safra e condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento dos frutos.

Mesmo com noites frias, as temperaturas mais elevadas durante o dia têm favorecido a maturação, melhorando a qualidade e elevando a produção.

As médias registradas foram:

  • São Paulo (SP): R$ 57,50/cx (-1,4%)
  • Rio de Janeiro (RJ): R$ 63,00/cx (-10%)
  • Belo Horizonte (MG): R$ 49,66/cx (-8,6%)
  • Campinas (SP): R$ 68,12/cx (-8,3%)

Entre as principais regiões fornecedoras destacam-se Carmópolis de Minas, Araguari, Pará de Minas, Mogi Guaçu e Goiás.

Atacadistas relataram boa qualidade da maior parte dos tomates comercializados, especialmente daqueles provenientes de Mogi Guaçu (SP), enquanto pequenos volumes oriundos de Goiás apresentaram qualidade inferior em alguns mercados.

Apesar da boa oferta, a demanda continua enfraquecida em praticamente todas as centrais de abastecimento, reflexo principalmente das férias escolares e do consumo mais lento neste período.

Perspectivas para o mercado de hortaliças

As próximas semanas deverão manter o mercado dividido entre culturas pressionadas pelo avanço das colheitas e segmentos sustentados por limitações na oferta.

Na alface, a expectativa é de recuperação da demanda com o retorno das aulas. Já a cebola pode enfrentar novas quedas diante da intensificação da safra no Cerrado. Para a cenoura, o avanço da produção mineira tende a compensar as perdas climáticas no Sul, enquanto o tomate deverá continuar acompanhando o ritmo da oferta nacional, que permanece elevada.

O comportamento do clima, a evolução das colheitas e a retomada gradual do consumo serão os principais fatores para definir a trajetória dos preços das hortaliças nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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