Frutas: preços reagem com oferta restrita em banana, mamão e melão, enquanto citros, maçã, melancia e uva enfrentam demanda fraca
Mercado brasileiro de frutas registra alta nos preços de banana, mamão e melão devido à oferta restrita, enquanto laranja, maçã, melancia e uva enfrentam queda nas cotações pressionadas pela demanda fraca, estoques elevados, condições climáticas e ritmo da colheita
Publicado em: 27/07/2026 às 11:35hs
Qualidade das frutas, clima, ritmo da colheita e comportamento da demanda moldam o mercado hortifrutícola brasileiro. Banana, mamão, manga e melão registram valorização em importantes polos produtores, enquanto laranja, maçã, melancia e uva seguem pressionadas por estoques elevados, consumo moderado ou limitações na indústria.
O mercado brasileiro de frutas encerrou a semana entre 20 e 24 de julho com movimentos distintos entre as principais culturas acompanhadas pelo Hortifrúti/Cepea. Enquanto a menor oferta impulsionou as cotações de banana, mamão, manga palmer e melão, outras cadeias enfrentaram pressão provocada pela demanda enfraquecida, elevados estoques ou limitações industriais, como ocorreu com laranja, maçã, melancia e uva.
O cenário reforça que fatores climáticos, qualidade dos frutos, ritmo da colheita e comportamento do consumo continuam determinando a formação dos preços no setor hortifrutícola nacional.
Laranja enfrenta baixa demanda industrial devido à qualidade da fruta
No cinturão citrícola, julho segue marcado pela dificuldade de parte dos pomares em atingir os parâmetros de qualidade exigidos pela indústria, principalmente em relação aos índices de ratio e brix, fundamentais para o processamento.
Com estoques ainda confortáveis nas processadoras, a necessidade de aquisição permanece reduzida, levando as indústrias a aguardar a evolução da maturação das frutas antes de ampliar as compras.
Apesar da grande variação entre pomares, a laranja pera destinada à indústria manteve média de R$ 31,41 por caixa de 40,8 kg, praticamente estável ao longo do mês.
No mercado de mesa, a laranja pera foi negociada a R$ 32,96 por caixa, com leve retração semanal. As variedades precoces também registraram recuos, enquanto a laranja lima apresentou valorização superior a 11%. A lima ácida tahiti também avançou, refletindo maior procura e menor disponibilidade.
Banana sobe em Santa Catarina com frio reduzindo a oferta
No norte de Santa Catarina, as baixas temperaturas continuam retardando o desenvolvimento dos cachos, reduzindo significativamente a disponibilidade de bananas nanica e prata.
Segundo colaboradores do Cepea, a fruta permanece mais tempo na planta até atingir o ponto ideal de colheita, limitando o volume ofertado.
Mesmo com a demanda enfraquecida pelas férias escolares, a redução da oferta foi mais intensa, sustentando novas altas de preços.
A banana nanica de primeira qualidade foi comercializada, em média, por R$ 1,24/kg, alta de 9%, enquanto a prata alcançou R$ 2,27/kg, avanço de 5%.
Para a próxima semana, a expectativa é de continuidade da oferta restrita, embora o fim do mês possa reduzir o consumo e limitar novas valorizações.
Maçã mantém estabilidade mesmo com estoques elevados
A colheita da maçã foi encerrada nas principais regiões produtoras, porém os estoques permanecem elevados.
O foco dos agentes tem sido acelerar a comercialização das frutas de menor qualidade antes que ocorram perdas mais significativas, enquanto a oferta mais limitada das categorias superiores tem sustentado relativa estabilidade nos preços.
A maçã Gala graúda categoria 1 fechou a semana cotada a R$ 94,00 por caixa de 18 kg, com leve valorização.
Para agosto, a tendência é de redução gradual da oferta, fator que pode favorecer recuperação das cotações, especialmente para frutas de maior padrão de qualidade.
Mamão mantém trajetória de valorização
O mamão formosa segue em recuperação no Norte do Espírito Santo.
A redução da oferta, provocada pelo encerramento do ciclo produtivo de parte dos pomares, impulsionou os preços pela quarta semana consecutiva.
Na região capixaba, o formosa atingiu média de R$ 2,49/kg, avanço de 24% sobre a semana anterior.
Já no Oeste da Bahia, onde predominam frutos de melhor calibre e qualidade, os preços permaneceram sustentados em R$ 2,37/kg.
Apesar da menor disponibilidade, o fim do mês tende a reduzir o ritmo das vendas, podendo limitar novas altas.
Manga palmer supera tommy e amplia diferença de preços
A manga palmer consolidou seu movimento de valorização e passou a superar a tommy tanto no Vale do São Francisco quanto em Livramento de Nossa Senhora (BA).
A menor disponibilidade da variedade continua sustentando os preços.
No Vale, a palmer foi negociada a R$ 3,80/kg, enquanto a tommy recuou para R$ 3,68/kg.
Em Livramento, a diferença foi ainda mais evidente, com a palmer atingindo R$ 3,74/kg frente aos R$ 3,53/kg da tommy.
Produtores chegaram a antecipar parte da colheita para aproveitar os preços mais elevados, movimento que pode aumentar a oferta nas próximas semanas.
Melancia perde força após sequência de altas
Depois de mais de um mês de valorização, o mercado da melancia apresentou queda nas cotações.
Mesmo com a oferta controlada — ainda afetada pelos impactos da virose em importantes regiões produtoras —, a demanda foi prejudicada pelo clima frio e pelas chuvas em parte do Sudeste.
Em Uruana (GO), principal referência nacional, a fruta de maior calibre foi comercializada a R$ 2,52/kg, queda de 4,8%.
A expectativa permanece de consumo moderado até o início do próximo mês, podendo manter pressão sobre os preços.
Melão inicia desaceleração da safra principal
No Vale do São Francisco, a campanha principal do melão amarelo começa a perder intensidade.
Com a aproximação do encerramento da safra, previsto para a primeira quinzena de agosto, a oferta diminuiu e os preços reagiram.
A fruta foi negociada a R$ 1,53/kg, alta de 11% na semana.
Apesar da tendência de redução da disponibilidade, previsões de temperaturas mais baixas e chuvas nas regiões Sul e Sudeste podem limitar o consumo e impedir avanços mais expressivos das cotações.
Uva segue pressionada por demanda lenta
No mercado das uvas sem sementes do Vale do São Francisco, o avanço da colheita não provocou aumento significativo da oferta.
Mesmo assim, a demanda continua fraca, mantendo pressão sobre as cotações da variedade BRS Vitória.
Os estoques refrigerados permanecem reduzidos, mas compradores seguem cautelosos diante da oscilação dos preços praticados pelas embaladoras.
Na semana, a BRS Vitória vendida em contentor foi negociada a R$ 3,50/kg, enquanto a fruta embalada categoria 1 registrou média de R$ 7,90/kg.
A expectativa é de estabilidade no curto prazo, já que os preços atuais estão próximos dos custos de produção. Uma recuperação mais consistente pode ocorrer apenas no início do próximo mês, período tradicionalmente marcado pelo fortalecimento da demanda.
Mercado hortifrutícola entra em agosto atento ao clima e ao consumo
O comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá principalmente das condições climáticas, do ritmo da oferta nas principais regiões produtoras e da recuperação da demanda após o encerramento do mês.
Culturas com disponibilidade mais restrita, como banana, mamão, manga palmer e melão, tendem a permanecer sustentadas. Em contrapartida, frutas com estoques elevados, consumo enfraquecido ou dificuldades de comercialização, como laranja, maçã, melancia e uva, deverão continuar enfrentando desafios para recuperar preços de forma mais consistente.
Fonte: Portal do Agronegócio
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