Exportações de frutas têm cenários distintos: manga avança, banana perde espaço e mamão enfrenta risco climático
Menor oferta internacional abre oportunidades para a manga brasileira, enquanto banana sofre com queda de competitividade e produtores de mamão reforçam controle contra viroses e ácaros
Publicado em: 28/08/2026 às 10:45hs
O mercado brasileiro de frutas inicia a reta final de 2026 com perspectivas distintas para manga, banana e mamão. Enquanto a manga encontra condições favoráveis para ampliar as exportações e alcançar volumes recordes, a banana perde competitividade no mercado internacional. Já a produção de mamão pode ser beneficiada pelas temperaturas mais elevadas, mas enfrenta riscos fitossanitários e climáticos nos próximos meses.
As diferenças refletem fatores como oferta dos países concorrentes, condições meteorológicas nas regiões produtoras, qualidade das frutas, custos de produção e dificuldades logísticas. As análises são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Exportações brasileiras de banana recuam 27% em julho
As exportações brasileiras de banana perderam força em julho na comparação com junho, pressionadas pela menor demanda internacional e pela redução da competitividade da fruta produzida no País.
Dados do Comex Stat apontam que o Brasil exportou 3,2 mil toneladas no período, queda de 27% em relação ao mês anterior. A receita dos embarques também recuou, totalizando R$ 1,5 milhão em valores FOB, retração mensal de 15%.
Uma parcela importante das bananas destinadas aos países do Sul da América é produzida no Norte de Santa Catarina. Entretanto, os municípios produtores da região enfrentam dificuldades para comercializar a fruta devido aos efeitos das baixas temperaturas típicas do inverno.
O frio compromete a aparência da banana-nanica, reduz a produtividade e limita a disponibilidade de frutas. Com menor oferta, os preços também ficam mais elevados, enfraquecendo a competitividade do produto catarinense diante da banana do Equador.
Banana equatoriana amplia pressão sobre produto brasileiro
A Argentina, um dos principais destinos da banana brasileira, apresentou demanda enfraquecida no período. Ainda assim, os embarques nacionais poderiam ter registrado desempenho ainda pior sem os problemas logísticos enfrentados pelos fornecedores concorrentes.
A rota pela Cordilheira dos Andes, principal caminho para o transporte da fruta até o mercado argentino, permaneceu fechada por aproximadamente 30 dias entre julho e agosto. O acúmulo de neve no trecho entre Mendoza, na Argentina, e Santiago, no Chile, prejudicou a circulação de cargas e limitou tanto a entrada da banana brasileira quanto a do produto equatoriano.
Com a retomada gradual do tráfego de veículos em meados de agosto, a expectativa é de aumento da presença da banana equatoriana na Argentina. A maior concorrência pode pressionar os preços do produto brasileiro e restringir novos embarques.
O cenário exige atenção dos exportadores porque a produção no Norte de Santa Catarina deve permanecer limitada nos próximos meses, dificultando a recuperação da participação brasileira no mercado regional.
Manga brasileira ganha espaço nos Estados Unidos e na Europa
Em sentido contrário ao observado no mercado de banana, a temporada de exportação de manga começou de forma positiva para o Brasil. Os embarques estão avançando, acompanhados por uma procura consistente dos Estados Unidos.
A menor disponibilidade de frutas em importantes países concorrentes abre espaço para o produto brasileiro, especialmente diante da expectativa de aumento da produção nacional.
México, Peru e Equador enfrentam limitações na oferta de manga devido às condições climáticas desfavoráveis. No mercado mexicano, o encerramento dos embarques para os Estados Unidos está previsto para o fim de setembro.
Segundo informações do National Mango Board (NMB), o volume total de mangas mexicanas destinado ao mercado norte-americano nesta temporada deve ficar pouco mais de 10% abaixo do registrado no ano anterior.
Essa redução pode ampliar a janela comercial para o Brasil, favorecendo os produtores e exportadores nacionais durante o segundo semestre.
Produção menor na Espanha favorece exportadores brasileiros
O mercado europeu também apresenta oportunidades para a manga brasileira. A produção da Espanha deve registrar queda entre 20% e 25%, de acordo com informações divulgadas pelo portal Fresh Plaza.
Além disso, a temporada de exportação dos países africanos tende a terminar mais cedo do que o previsto. A menor presença desses concorrentes pode aumentar a demanda europeia pela fruta produzida no Brasil.
Com o avanço da colheita nacional e a redução da oferta internacional, os embarques brasileiros devem crescer ao longo dos próximos meses. Caso as condições comerciais permaneçam favoráveis, as exportações de manga poderão alcançar volumes recordes em 2026.
O mercado externo também surge como alternativa importante para absorver a intensificação da produção doméstica, ajudando a equilibrar a oferta e a reduzir eventuais pressões sobre os preços no Brasil.
Calor pode acelerar produção de mamão
Para o mamão, o cenário combina possibilidade de aumento da produtividade com riscos fitossanitários. O início do segundo semestre de 2026 foi marcado por temperaturas mais elevadas em partes do Brasil, especialmente no Nordeste e em áreas do Sudeste.
Durante setembro e outubro, as chuvas devem ocorrer com menor frequência em boa parte das regiões produtoras do Nordeste e em áreas do Norte de Minas Gerais. Ao mesmo tempo, as temperaturas tendem a permanecer acima da média na Bahia, em Minas Gerais e no Espírito Santo.
O calor pode reduzir o ciclo produtivo e acelerar o desenvolvimento dos frutos, criando condições para uma elevação da oferta. Entretanto, o ambiente quente e seco também favorece problemas que podem comprometer as lavouras.
Viroses e ácaros preocupam produtores de mamão
As condições previstas para os próximos meses aumentam o risco de ocorrência de viroses e infestações de ácaros. O alerta é maior para as lavouras do Espírito Santo, que enfrentam problemas mais intensos com viroses desde o início de 2026.
Caso as temperaturas subam de maneira excessiva em setembro, também poderá ocorrer abortamento de flores. Esse problema reduz o pegamento dos frutos e pode limitar a produção futura, mesmo em áreas com bom desenvolvimento vegetativo.
Com o aumento da pressão de pragas e doenças, os produtores poderão precisar intensificar o monitoramento e adotar medidas adicionais de manejo. A necessidade de novas intervenções tende a elevar os custos de produção e pode afetar a rentabilidade da cultura.
Clima e concorrência internacional definem perspectivas das frutas
O comportamento dos três mercados evidencia como a fruticultura brasileira depende da combinação entre clima, qualidade, logística e disponibilidade internacional.
Na manga, a quebra de oferta dos concorrentes cria uma oportunidade para ampliar as exportações e escoar o crescimento da produção nacional. Na banana, os efeitos do inverno sobre a qualidade e os preços reduzem a competitividade do Brasil diante do Equador. No mamão, o calor pode elevar a produtividade, mas também intensifica riscos de viroses, ácaros e abortamento floral.
Para os produtores, o restante do trimestre será marcado pela necessidade de acompanhar as condições climáticas, reforçar o manejo fitossanitário e avaliar as oportunidades abertas nos mercados interno e externo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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