Cacau despenca quase 5% na ICE com dúvidas sobre demanda; açúcar e café também recuam no mercado internacional
Commodities agrícolas encerram o dia em baixa nas bolsas globais, pressionadas por perspectivas de oferta, incertezas sobre o consumo e fatores climáticos; mercado acompanha impactos das tarifas dos EUA e andamento das safras no Brasil e na Ásia
Publicado em: 22/07/2026 às 18:20hs
Os mercados internacionais de commodities agrícolas registraram um pregão de forte volatilidade nesta quarta-feira (22), com destaque para a expressiva queda dos preços do cacau nas bolsas da ICE. O movimento foi impulsionado pela cautela dos investidores em relação à recuperação da demanda global por chocolate e pela expectativa em torno dos resultados financeiros das principais indústrias do setor.
Além do cacau, os contratos futuros de açúcar e café também encerraram o dia em baixa, refletindo fatores climáticos, evolução das colheitas, perspectivas de oferta e os desdobramentos da política comercial dos Estados Unidos.
Cacau lidera perdas após mudança de perspectiva do Citi
O contrato futuro do cacau negociado em Londres (ICE Europe) fechou cotado a £ 3.971 por tonelada, com queda de £ 202, equivalente a 4,8% no dia.
Em Nova York, o contrato da commodity também sofreu forte desvalorização, encerrando o pregão com baixa de 5%, cotado a US$ 5.328 por tonelada.
O mercado reagiu à mudança de posicionamento do banco norte-americano Citi, que passou de uma visão otimista para uma postura neutra em relação ao mercado do cacau.
Segundo a instituição, ainda não existem evidências suficientes de que o fenômeno El Niño causará perdas relevantes nas próximas safras nem sinais concretos de recuperação consistente da demanda mundial.
Os investidores aguardam agora os balanços das principais fabricantes globais de chocolate para avaliar o comportamento do consumo.
Após divulgar seus resultados semestrais, a fabricante suíça Lindt & Sprüngli informou que poderá realizar reduções seletivas de preços durante o segundo semestre de 2026 para estimular as vendas, indicando que o elevado custo da matéria-prima continua afetando o consumo.
Nos próximos dias, o mercado também acompanhará os resultados financeiros da Nestlé e da Mondelez International, que poderão oferecer novos indicativos sobre a demanda global por chocolate.
Produção da Indonésia deve crescer
Outro fator que contribuiu para a pressão sobre os preços foi a atualização das projeções da Organização Internacional do Cacau (ICCO).
A entidade estima que a produção da Indonésia deverá alcançar 220 mil toneladas na safra 2025/26, acima das 200 mil toneladas registradas no ciclo anterior.
O aumento da oferta no terceiro maior produtor asiático reforça a percepção de maior disponibilidade do produto no mercado internacional.
Açúcar recua com avanço da safra brasileira
No mercado de açúcar, o contrato do açúcar bruto negociado na ICE encerrou cotado a 14,74 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,9% no dia.
Já o contrato do açúcar branco terminou negociado a US$ 464,70 por tonelada, recuando cerca de 1%.
Os investidores continuam monitorando o ritmo da moagem da cana-de-açúcar na região Centro-Sul do Brasil, principal polo produtor mundial.
Embora algumas áreas tenham registrado atrasos pontuais na colheita devido às chuvas, operadores avaliam que o andamento da safra permanece satisfatório.
Segundo previsões meteorológicas, são esperadas chuvas leves nos próximos dias, seguidas por um período de clima predominantemente seco, cenário considerado favorável para a continuidade da colheita e da moagem.
Outro fator acompanhado pelo mercado foi o início da vigência da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, medida que inclui o açúcar e o etanol entre os produtos afetados.
Café acompanha movimento de realização
Os contratos futuros do café também fecharam em queda nas bolsas internacionais.
O café arábica, negociado na ICE de Nova York, encerrou o pregão cotado a US$ 3,1665 por libra-peso, com desvalorização de 1,7%.
Já o café robusta, negociado em Londres, caiu 0,6%, fechando a US$ 3.796 por tonelada.
Entre os fatores monitorados pelo mercado está o ritmo da colheita brasileira.
A Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do mundo, informou que seus cooperados haviam colhido 47,3% da safra 2026 até o dia 17 de julho.
O percentual permanece abaixo dos 59% registrados no mesmo período do ano passado, refletindo um avanço mais lento dos trabalhos em algumas regiões produtoras.
Mercado acompanha cenário internacional
Além da evolução da safra brasileira, investidores seguem atentos às questões geopolíticas envolvendo o comércio mundial de café.
Participantes do setor nos Estados Unidos demonstram preocupação com a possibilidade de novas restrições às importações provenientes da Nicarágua, em meio ao agravamento das tensões diplomáticas entre Washington e o governo de Daniel Ortega.
No segmento de robusta, operadores informaram que a colheita na Indonésia — terceiro maior produtor mundial da variedade — está aproximadamente 80% concluída, fator que também contribui para a percepção de maior oferta no mercado internacional.
Commodities seguem sensíveis ao cenário global
O comportamento das commodities agrícolas continua sendo influenciado por uma combinação de fatores climáticos, geopolíticos e econômicos.
As atenções permanecem voltadas para a evolução das safras nos principais países produtores, o comportamento da demanda mundial, os impactos das novas tarifas comerciais dos Estados Unidos e a divulgação dos resultados das grandes indústrias de alimentos e bebidas.
Nos próximos pregões, esses fatores deverão continuar determinando a volatilidade dos preços do cacau, açúcar e café, commodities estratégicas para o agronegócio brasileiro e para o comércio agrícola internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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