Publicidade
Feijão e Pulses

Feijão carioca sofre pressão com avanço da terceira safra, enquanto feijão preto mantém estabilidade no mercado

Aumento da oferta reduz sustentação dos preços do feijão carioca, mas vendedores resistem a novos descontos; mercado de feijão preto segue equilibrado entre oferta e demanda.


Publicado em: 07/08/2026 às 18:20hs

Feijão carioca sofre pressão com avanço da terceira safra, enquanto feijão preto mantém estabilidade no mercado
Foto: Sebastião Araújo

O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com comportamentos distintos entre os principais tipos comercializados. Enquanto o feijão carioca enfrentou pressão de baixa devido ao avanço da oferta da terceira safra 2025/26, o feijão preto manteve maior estabilidade, sustentado pelo equilíbrio entre disponibilidade e consumo.

Segundo análise da Safras & Mercado, a entrada gradual de novos volumes de feijão carioca alterou a dinâmica do mercado, reduzindo a percepção de escassez que vinha sustentando as cotações nas semanas anteriores.

Oferta de feijão carioca aumenta e pressiona preços

A maior disponibilidade de produto, especialmente com a evolução da terceira safra 2025/26, trouxe maior pressão sobre os preços do feijão carioca nas principais regiões produtoras.

Goiás e Minas Gerais continuam como importantes polos de oferta, enquanto o Paraná ganhou participação relevante no fornecimento de feijões comerciais.

Apesar do aumento dos volumes disponíveis, os lotes de melhor qualidade seguem mais restritos. Os padrões extras continuam sendo negociados principalmente por meio de amostras, mantendo uma diferenciação de preços entre os produtos de maior qualidade e os padrões comerciais.

Durante a semana, os negócios ocorreram de forma seletiva, com alternância entre momentos de maior movimentação e períodos de baixa liquidez. O mercado busca agora encontrar um novo equilíbrio diante da maior disponibilidade de produto.

Indústrias mantêm compras cautelosas

Do lado da demanda, os compradores seguem adotando uma estratégia conservadora. As indústrias continuam realizando apenas reposições de curto prazo, evitando a formação de estoques elevados.

Mesmo com as recentes quedas nas cotações, a redução dos preços ainda não foi suficiente para estimular uma retomada mais forte das compras.

De acordo com analistas, o comportamento indica que os compradores permanecem confortáveis com os níveis atuais de abastecimento, aguardando melhores oportunidades de negociação.

Corretores passaram a intensificar as vendas por meio de amostras e negociações diretas com produtores, enquanto vendedores demonstram maior resistência a conceder novos descontos, buscando preservar as referências de mercado diante da expectativa de recuperação da demanda.

Preços do feijão carioca seguem pressionados na origem

No mercado FOB (produto na origem), o feijão carioca registrou nova rodada de ajustes negativos nas principais regiões produtoras.

Os padrões comerciais também apresentaram desvalorizações, embora alguns negócios pontuais tenham mostrado maior resistência por parte dos vendedores.

O cenário atual combina:

  • oferta crescente com avanço da terceira safra;
  • compradores abastecidos e menos agressivos nas compras;
  • vendedores segurando posições para evitar perdas maiores;
  • liquidez moderada nas negociações.

A tendência para as próximas semanas dependerá principalmente do ritmo da colheita, da velocidade das vendas na origem e de uma possível retomada da demanda industrial.

Feijão preto mantém mercado mais firme e previsível

Em contraste com o feijão carioca, o mercado de feijão preto apresentou uma semana de maior estabilidade.

A oferta permaneceu equilibrada, sem entrada expressiva de novos volumes capazes de alterar significativamente a disponibilidade interna.

As negociações ocorreram de maneira pontual, concentradas nas necessidades imediatas dos compradores, mantendo baixa volatilidade nas cotações.

Segundo analistas, o segmento demonstra maior previsibilidade justamente pelo equilíbrio entre oferta e demanda, mesmo diante das oscilações observadas no mercado de feijão carioca.

Compradores seguem cautelosos, mas preços permanecem sustentados

As indústrias mantiveram uma postura semelhante à observada no carioca, realizando compras apenas para reposição e evitando aumentar os estoques.

No entanto, a diferença está no equilíbrio do mercado, que não apresenta excesso de oferta capaz de pressionar significativamente os preços.

A liquidez permaneceu moderada durante a semana, sem movimentos especulativos relevantes ou mudanças expressivas na estratégia dos agentes.

No mercado FOB, algumas regiões registraram pequenas valorizações, com destaque para o Oeste de Santa Catarina, onde foram observados negócios de até R$ 218 por saca.

Mercado de feijão acompanha demanda interna e evolução da safra

A expectativa para as próximas semanas é de que o mercado continue direcionado pelo ritmo da colheita da terceira safra de feijão carioca e pelo comportamento da demanda interna.

Enquanto o carioca deve permanecer pressionado pela maior oferta e pela cautela das indústrias, o feijão preto tende a seguir em um cenário de maior equilíbrio, com menor sensibilidade às oscilações do mercado.

O comportamento dos compradores será o principal fator para definir os próximos movimentos de preços no setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias