Exportações de feijão crescem 11,4% com avanço do mungo e forte demanda da Índia
Embarques brasileiros somam 401,69 mil toneladas até setembro de 2026; mungo responde por cerca de 75,7% do volume, enquanto feijão comum e caupi registram queda
Publicado em: 26/10/2026 às 11:35hs
As exportações brasileiras de feijão cresceram 11,4% entre janeiro e setembro de 2026, alcançando 401,69 mil toneladas, segundo levantamento da Safras & Mercado. No mesmo período de 2025, os embarques haviam somado 360,50 mil toneladas.
O aumento de 41,19 mil toneladas foi sustentado pelo desempenho do feijão mungo, que compensou a retração das vendas externas de feijão comum e caupi. A Índia se destacou como principal compradora, reforçando sua influência sobre o resultado brasileiro.
De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, os números revelam uma mudança na composição da pauta exportadora. O crescimento está concentrado no mungo, enquanto outras categorias perderam espaço no comércio internacional.
Feijão mungo avança 70,3% e lidera os embarques
As exportações de feijão mungo atingiram 304,26 mil toneladas nos primeiros nove meses de 2026, alta de 70,3% em relação às 178,62 mil toneladas registradas um ano antes. O acréscimo foi de 125,64 mil toneladas.
Com esse resultado, o produto passou a representar aproximadamente 75,7% das exportações combinadas de mungo, feijão comum, caupi e adzuki.
A Índia comprou 245,56 mil toneladas de mungo brasileiro, volume equivalente a cerca de 80,7% dos embarques da categoria. As vendas também avançaram para Vietnã, Tailândia, Paquistão e Filipinas.
Segundo Oliveira, a continuidade da demanda internacional pelo mungo será determinante para sustentar as exportações no encerramento do ciclo e orientar o planejamento da próxima temporada.
Exportações de feijão comum recuam quase 60%
Enquanto o mungo ampliou sua presença no mercado externo, os embarques de feijão comum caíram de 114,56 mil para 46,12 mil toneladas. A redução foi de 68,44 mil toneladas, equivalente a 59,7%.
A categoria, que reúne variedades como preta, vermelha e branca, apresentou a maior retração em volume entre os grupos de maior participação analisados.
As vendas para Portugal, África do Sul e Guatemala diminuíram. O crescimento das compras de Cuba, Paquistão e Estados Unidos compensou apenas parte dessas perdas.
Feijão preto registra queda de 68,5%
No caso do feijão preto, as exportações passaram de 58,98 mil para 18,56 mil toneladas, recuo de 68,5% na comparação entre janeiro e setembro de 2025 e igual intervalo de 2026.
Cuba foi o destaque positivo entre os destinos, com aumento das compras de 2,89 mil para 6,77 mil toneladas.
Em contrapartida, os embarques para Venezuela, Índia, Portugal e Guatemala recuaram para 4,86 mil, 1,60 mil, 1,27 mil e 0,86 mil toneladas, respectivamente.
A perda de espaço no comércio exterior reduz as alternativas de escoamento do feijão comum, especialmente do preto, e pode ampliar a importância relativa do mercado doméstico para a comercialização.
Caupi perde volume e mantém dependência do mercado indiano
As exportações brasileiras de feijão caupi somaram 50,81 mil toneladas, queda de 23,9% em relação às 66,78 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025.
A retração esteve associada principalmente à redução das compras de Egito, Paquistão e Índia.
Apesar do recuo, o mercado indiano permaneceu como principal destino, absorvendo 37,74 mil toneladas, aproximadamente 74,3% do total exportado. O Egito recebeu 8,02 mil toneladas, enquanto o Paquistão importou 3,34 mil toneladas.
Já o feijão adzuki manteve participação reduzida na pauta brasileira, com embarques de 490 toneladas no período.
Concentração na Índia exige atenção ao risco comercial
O avanço do mungo sustenta o crescimento das exportações brasileiras, mas também aumenta a exposição do setor às decisões de compra de um mercado predominante.
Na avaliação de Oliveira, a concentração da demanda na Índia representa um risco comercial relevante. Mudanças nas condições de compra do país podem afetar os embarques, sobretudo diante da elevada participação indiana nas vendas de mungo e caupi.
Para o feijão comum e o caupi, a recuperação das exportações dependerá da retomada das aquisições pelos destinos que reduziram seus volumes. Assim, o fechamento da temporada combina duas perspectivas: a sustentação oferecida pelo mungo e o desafio de recuperar mercados para as demais categorias.
Fonte: Portal do Agronegócio
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