Exportação de feijão cresce 17,2% em 2026, impulsionada pelo avanço do feijão-mungo
Embarques brasileiros alcançam 256,2 mil toneladas e movimentam US$ 200,66 milhões; contratos com tradings e demanda asiática fortalecem a produção, mas concentração das vendas na Índia exige atenção
Publicado em: 01/09/2026 às 16:30hs
As exportações brasileiras de feijão cresceram 17,2% entre janeiro e julho de 2026, sustentadas principalmente pelo forte avanço do feijão-mungo. No período, o Brasil embarcou 256,2 mil toneladas, ante 218,6 mil toneladas nos sete primeiros meses de 2025.
As vendas externas movimentaram US$ 200,66 milhões e confirmaram uma mudança relevante na composição da pauta exportadora. Enquanto os embarques de feijão-mungo avançaram expressivamente, as vendas de variedades tradicionais, como os feijões preto, branco e vermelho, perderam espaço.
Segundo Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, o desempenho do feijão-mungo está diretamente relacionado ao modelo de comercialização adotado para atender ao mercado asiático.
Exportação de feijão-mungo avança 72% em 2026
Os embarques brasileiros de feijão-mungo passaram de 103,28 mil toneladas entre janeiro e julho de 2025 para 177,68 mil toneladas no mesmo intervalo de 2026. O aumento foi de aproximadamente 72%.
O movimento contrasta com a redução das exportações de feijão comum, categoria que reúne as variedades preta, branca e vermelha. Nesse segmento, os embarques recuaram de 77,77 mil para 36,55 mil toneladas, queda próxima de 53%.
As exportações de feijão-caupi chegaram a 40,28 mil toneladas, representando um acréscimo de 2,89 mil toneladas na comparação anual.
Para Oliveira, os resultados mostram que o feijão-mungo passou a ocupar uma posição central na balança comercial do setor, modificando profundamente o perfil das exportações brasileiras.
Contratos com tradings aumentam segurança do produtor
As variedades de mungo preto e mungo verde foram desenvolvidas para atender especialmente à demanda dos países asiáticos. A produção geralmente ocorre por meio de contratos de entrega firmados previamente com empresas exportadoras.
Nesse modelo, o agricultor inicia o cultivo após receber o pedido da trading, com condições comerciais previamente estabelecidas. A operação proporciona maior previsibilidade sobre a venda e o valor do produto, reduzindo a exposição às oscilações de mercado.
“O feijão-mungo veio com essa novidade das exportações via contrato, trazendo segurança para os produtores. O produtor só vai produzir se tiver o contrato do pedido da trading em mãos”, explica Oliveira.
A dinâmica é diferente da encontrada nos mercados de feijão preto e vermelho, nos quais parte da produção pode chegar ao período de colheita sem uma demanda externa previamente definida.
Preço médio das exportações chega a US$ 783 por tonelada
O valor médio das exportações brasileiras de feijão foi de US$ 783,25 por tonelada, o equivalente a aproximadamente US$ 47 por saca de 60 quilos antes da conversão cambial.
Entre os mercados que pagaram valores superiores à média nacional, os Estados Unidos lideraram, com US$ 1.052,14 por tonelada. Na Europa, a média ficou próxima de US$ 922 por tonelada.
Outros destinos com preços acima da média brasileira foram:
- Vietnã: US$ 861,24 por tonelada;
- Filipinas: US$ 856,13 por tonelada;
- Tailândia: US$ 839,43 por tonelada;
- Paquistão: US$ 832,23 por tonelada.
Na Índia, principal compradora do produto brasileiro, o valor médio ficou em US$ 748,42 por tonelada.
Mato Grosso lidera exportações brasileiras de feijão
Mato Grosso foi responsável por 135,45 mil toneladas exportadas entre janeiro e julho de 2026, correspondendo a aproximadamente 52,9% de todo o volume embarcado pelo Brasil.
Tocantins ocupou a segunda posição, com 50,08 mil toneladas e participação de 19,5%. Juntos, os dois estados concentraram 72,4% das exportações nacionais de feijão.
O Paraná apareceu na sequência, com 13,29 mil toneladas embarcadas e participação de 5,2% no total brasileiro.
A liderança de Mato Grosso e Tocantins está associada, principalmente, à expansão das variedades direcionadas ao comércio internacional e à proximidade comercial entre produtores e tradings exportadoras.
Índia compra mais de 63% do feijão exportado pelo Brasil
A Índia permaneceu como o maior destino do feijão brasileiro. O país asiático comprou 162,29 mil toneladas entre janeiro e julho, volume equivalente a 63,35% das exportações nacionais.
Somente os embarques de feijão-mungo para o mercado indiano alcançaram 125,04 mil toneladas, crescimento aproximado de 69% sobre o mesmo período de 2025.
Entre os demais compradores de destaque aparecem:
- Paquistão, com 21,16 mil toneladas;
- Vietnã, com 19,91 mil toneladas;
- Tailândia, com 10,62 mil toneladas.
A procura asiática também apresentou sinais de diversificação. As exportações de feijão-mungo para o Vietnã cresceram 162%, enquanto os embarques destinados ao Paquistão avançaram 56%.
Dependência da Índia representa oportunidade e risco
Embora a Índia ofereça escala para as exportações brasileiras, a elevada concentração das vendas em um único mercado representa um fator de risco.
Mudanças nas políticas indianas de importação, no volume da produção doméstica, nos estoques ou nos preços praticados na Ásia podem alterar rapidamente a competitividade do feijão brasileiro e reduzir as oportunidades de comercialização.
“A concentração indiana representa simultaneamente uma oportunidade de escala e um risco comercial”, avalia Oliveira.
Nesse contexto, ampliar a presença em mercados como Vietnã, Paquistão, Tailândia, Filipinas, Estados Unidos e países europeus pode reduzir a dependência da demanda indiana e aumentar a estabilidade das exportações.
Brasil exporta quase nove vezes mais feijão do que importa
As importações brasileiras de feijão totalizaram 29,46 mil toneladas e movimentaram US$ 19,58 milhões entre janeiro e julho.
Com isso, a balança comercial do setor registrou superávit de 226,73 mil toneladas e US$ 181,08 milhões. O Brasil exportou quase nove vezes mais feijão do que importou no período.
A Argentina forneceu 28,38 mil toneladas, o equivalente a 96,35% das compras externas brasileiras. O Paraná foi o principal destino do produto importado, absorvendo 25,95 mil toneladas, cerca de 88% das entradas.
Apesar do saldo amplamente positivo, as importações continuam necessárias para atender a demandas específicas relacionadas à variedade, qualidade, disponibilidade regional e logística.
Feijão-mungo abre nova frente comercial para o agronegócio
O avanço do feijão-mungo consolida uma nova oportunidade para os produtores brasileiros, especialmente nas regiões com capacidade de atender aos padrões exigidos pelos compradores internacionais.
O modelo baseado em contratos oferece maior segurança comercial e previsibilidade, mas o crescimento sustentável desse mercado dependerá da manutenção das margens na origem e da ampliação do número de países compradores.
No curto e médio prazo, o principal desafio será transformar o aumento dos embarques em uma demanda recorrente, preservando a rentabilidade do produtor e reduzindo a exposição do Brasil às oscilações do mercado asiático.
Fonte: Portal do Agronegócio
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