Preço do leite sobe 4,65% e chega a R$ 2,87 por litro, mas mercado sinaliza queda
Valorização do leite UHT e disputa entre laticínios sustentaram os preços em julho; aumento da captação e avanço de 33,49% nas importações elevam a pressão para os próximos meses
Publicado em: 01/09/2026 às 17:00hs
O preço do leite cru pago ao produtor voltou a subir em julho de 2026, sustentado pela demanda por leite UHT e pela concorrência dos laticínios na compra da matéria-prima. Apesar da recuperação, o mercado lácteo brasileiro apresenta sinais de enfraquecimento, com possibilidade de queda nas cotações até o encerramento do terceiro trimestre.
Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que o preço médio líquido do leite captado pelos laticínios alcançou R$ 2,8761 por litro na “Média Brasil”.
O valor representa alta real de 4,65% em relação a junho e avanço de 4,96% na comparação com julho de 2025. Os preços foram corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho de 2026.
Disputa entre laticínios impulsiona preço do leite
A valorização foi favorecida pela boa procura por leite UHT, pelos níveis de estoques considerados confortáveis e pelo crescimento ainda lento da captação em algumas regiões produtoras. Esse cenário manteve os laticínios ativos nas compras e reforçou a concorrência pela matéria-prima.
O Índice de Captação de Leite do Cepea (ICAP-L) avançou 2,38% entre junho e julho na Média Brasil. Mesmo com a recuperação mensal, o indicador ainda acumula queda de 9,3% em 2026.
A expansão da captação, no entanto, indica que a disponibilidade de leite começa a aumentar. Caso o movimento se intensifique, a maior oferta pode reduzir a disputa entre as indústrias e limitar os preços pagos aos pecuaristas.
Custo da produção leiteira recua 0,31%
O Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira permaneceu praticamente estável pelo segundo mês consecutivo. Em julho, o indicador apresentou leve queda de 0,31% na Média Brasil.
Mesmo com a valorização do milho e do farelo de soja, o impacto sobre os concentrados foi limitado pelos estoques de ração produzidos anteriormente, quando as matérias-primas estavam mais baratas.
A elevação recente dos preços dos insumos, no entanto, pode chegar à alimentação do rebanho nos próximos meses. O encarecimento das matérias-primas tende a pressionar os custos das fabricantes de ração e pode causar reajustes nos concentrados.
Leite UHT sobe 7,35%, mas outros derivados perdem força
O desempenho do mercado de derivados foi desigual em julho. Enquanto o preço do leite UHT avançou 7,35% frente a junho, as negociações envolvendo muçarela e leite em pó perderam ritmo.
Pesquisas do Cepea realizadas com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que as indústrias continuaram enfrentando dificuldades para preservar suas margens.
A menor fluidez dos negócios e a resistência dos compradores aos preços dos lácteos limitaram a capacidade dos laticínios de repassar custos. A maior presença de produtos importados também contribuiu para reduzir a competitividade dos derivados nacionais.
Importação de leite cresce 33,49% em um ano
As importações de lácteos ampliaram a oferta disponível no mercado brasileiro. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam que as compras externas totalizaram 236,3 milhões de litros em equivalente-leite durante julho.
O volume aumentou 9,01% em relação a junho e 33,49% na comparação com julho de 2025.
Entre os produtos importados, as compras de leite em pó cresceram 7,54% no intervalo mensal. As aquisições externas de queijos avançaram 12,7%, intensificando a concorrência com a produção nacional.
A entrada de um volume maior de lácteos estrangeiros tende a limitar as negociações domésticas, dificultar a recuperação das margens industriais e reduzir a necessidade de compra de leite cru no mercado interno.
Preço do leite pode recuar no terceiro trimestre
Embora os preços tenham registrado avanço expressivo em julho, a perspectiva para os próximos meses é de mudança na trajetória do mercado.
O crescimento da captação, o aumento das importações e a perda de ritmo nas vendas de muçarela e leite em pó podem diminuir a capacidade de pagamento das indústrias. Esse conjunto de fatores deverá pressionar o preço do leite cru e provocar recuo das cotações até o fim do terceiro trimestre de 2026.
Para o produtor, o cenário exige atenção redobrada aos custos da alimentação animal. Uma eventual queda no preço recebido, combinada à valorização do milho, do farelo de soja e dos concentrados, poderá reduzir as margens da atividade leiteira nos próximos meses.
Fonte: Portal do Agronegócio
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