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Cana de Açucar

Manejo antecipado da cana-de-açúcar ganha importância para enfrentar seca e extremos climáticos

Produtores de cana revisam estratégias de pré-seca para preservar produtividade, aumentar o acúmulo de sacarose e reduzir perdas provocadas pelo estresse hídrico


Publicado em: 21/07/2026 às 08:30hs

Manejo antecipado da cana-de-açúcar ganha importância para enfrentar seca e extremos climáticos

A intensificação dos eventos climáticos extremos está transformando o manejo da cana-de-açúcar no Brasil. Com períodos de estiagem mais longos, ondas de calor frequentes e chuvas irregulares, produtores e técnicos passaram a antecipar decisões para preparar a lavoura antes da chegada do estresse hídrico.

O período que antecede a seca, antes visto apenas como uma etapa operacional do calendário agrícola, ganhou caráter estratégico para preservar o potencial produtivo da cultura, manter a formação de biomassa e favorecer o acúmulo de sacarose nos colmos.

Especialistas apontam que a nova realidade climática exige uma mudança de postura: em vez de agir apenas quando os sintomas aparecem, o produtor precisa preparar a planta previamente para enfrentar condições adversas.

Pré-seca se torna etapa estratégica para produtividade da cana

A fase anterior ao período seco passou a ser considerada decisiva para o desempenho da lavoura nos meses seguintes.

Segundo Maria Gabriela Lanza, gerente de Produtos Foliares da ICL, a produtividade final da cultura começa a ser construída antes mesmo da instalação da estiagem.

“A produtividade que será colhida meses depois começa a ser construída antes mesmo de a seca se instalar. Esperar os primeiros sinais de estresse para agir significa, muitas vezes, perder parte do potencial produtivo da lavoura”, explica.

Durante essa transição entre o período chuvoso e a seca, a cana-de-açúcar passa por mudanças fisiológicas importantes. A planta reduz gradualmente o crescimento vegetativo, enfrenta maior dificuldade na absorção de água e nutrientes e direciona energia para mecanismos de defesa contra condições ambientais adversas.

Quanto melhor preparada estiver nesse momento, maior será a capacidade de manter a produção de biomassa e o desenvolvimento adequado dos colmos.

Estresse hídrico provoca perdas silenciosas na produção agrícola

Um dos principais desafios do manejo da cana em períodos secos é que parte das perdas ocorre de maneira gradual e pouco perceptível.

A redução da atividade metabólica da planta pode comprometer o desenvolvimento da cultura sem apresentar sinais imediatos ao produtor.

“Muitas perdas acontecem de forma silenciosa, à medida que a atividade metabólica da planta diminui. Muitas vezes, o produtor só percebe esse impacto na colheita, quando já não há como recuperar o potencial produtivo perdido”, destaca Maria Gabriela.

Esse comportamento reforça a necessidade de estratégias preventivas, capazes de fortalecer a planta antes que as condições climáticas adversas comprometam o rendimento da lavoura.

Produção de açúcar por hectare ganha espaço como novo indicador

A busca por maior eficiência na produção de cana também mudou a forma de avaliar os resultados da lavoura.

Durante anos, o principal indicador considerado foi o ATR (Açúcar Total Recuperável). Atualmente, cresce a preocupação em maximizar a produção de açúcar por hectare, combinando produtividade agrícola e qualidade industrial.

De acordo com especialistas, uma maior concentração de açúcar não necessariamente representa melhor resultado econômico se ocorrer acompanhada de perda significativa de biomassa.

“O melhor resultado econômico é alcançado quando a planta consegue manter sua atividade fisiológica por mais tempo, preservando tanto a produtividade agrícola quanto a qualidade tecnológica”, afirma a gerente da ICL.

Decisões de manejo deixam de seguir apenas calendário agrícola

A variabilidade climática também mudou a forma como produtores definem o momento ideal para intervenções na lavoura.

Em vez de considerar apenas datas fixas do calendário agrícola, o planejamento passa a incorporar:

  • Condições climáticas previstas;
  • Estágio fisiológico da planta;
  • Potencial produtivo de cada área;
  • Histórico de desempenho da lavoura;
  • Capacidade de resposta ao estresse.

Essa abordagem permite maior precisão nas decisões e contribui para reduzir riscos produtivos em ambientes sujeitos a estiagens severas.

Tecnologias de bioestimulação ganham espaço no manejo da cana

Com a necessidade de aumentar a resiliência das plantas, tecnologias voltadas ao fortalecimento fisiológico da cana vêm sendo utilizadas como ferramentas de preparação para períodos secos.

Entre as estratégias estão soluções que combinam nutrição foliar e bioestimulação, buscando melhorar processos metabólicos da planta e aumentar sua capacidade de enfrentar condições de estresse.

Segundo avaliações realizadas pela ICL em 22 áreas comerciais, a tecnologia Concorde® apresentou ganho médio de 13,2 toneladas de cana por hectare, com resultados superiores a 30 toneladas em determinados ambientes produtivos.

Quando associada ao Translok Air®, voltado ao fortalecimento fisiológico da cultura, o manejo também apresentou avanços na produção de açúcar por hectare.

Antecipação do manejo reduz riscos e aumenta estabilidade da produção

Em um cenário de maior instabilidade climática, a antecipação do manejo deixou de ser apenas uma prática agronômica e passou a representar uma estratégia econômica.

Preparar a cana antes da chegada da seca permite maior estabilidade produtiva, melhor aproveitamento do potencial genético da planta e redução dos impactos causados pela irregularidade climática.

“O maior erro é esperar a seca chegar para agir. Preparar a planta antes da instalação do estresse passou a ser uma estratégia para preservar produtividade, qualidade e rentabilidade”, conclui Maria Gabriela.

Mitos e verdades sobre o manejo da pré-seca na cana-de-açúcar
  • Mito: a seca, sozinha, garante uma boa maturação da cana
  • Verdade: sem preparo adequado, a planta pode até concentrar açúcar, mas perder biomassa e produtividade agrícola.
  • Mito: quanto antes realizar o manejo, melhor
  • Verdade: existe uma janela fisiológica ideal para intervenção, antes da instalação do estresse hídrico.
  • Mito: o calendário agrícola define sozinho o momento da aplicação
  • Verdade: decisões eficientes devem considerar clima, fisiologia da planta e potencial produtivo de cada área.
  • Mito: o ATR é o único indicador importante da lavoura
  • Verdade: o foco atual é aumentar a produção de açúcar por hectare, equilibrando produtividade agrícola e qualidade industrial.
Mudança climática exige nova estratégia para a cana brasileira

A evolução do clima e o aumento da frequência de eventos extremos indicam que o futuro da produção de cana-de-açúcar dependerá cada vez mais de planejamento antecipado, tecnologia e manejo baseado em dados.

Para produtores e usinas, a preparação da cultura antes da estiagem representa uma oportunidade de reduzir riscos, melhorar a eficiência produtiva e garantir maior competitividade no setor sucroenergético brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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