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Cana de Açucar

Manejo biológico pode proteger produtividade e ATR da cana durante períodos de seca

Avanço do El Niño aumenta o risco de calor e irregularidade das chuvas, enquanto bioinsumos surgem como estratégia para amenizar o estresse hídrico e preservar a produção de açúcar


Publicado em: 11/09/2026 às 14:00hs

Manejo biológico pode proteger produtividade e ATR da cana durante períodos de seca

A confirmação do El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) ampliou a preocupação do setor sucroenergético com os impactos do clima sobre os canaviais. O fenômeno pode provocar distribuição irregular das chuvas, alternando períodos de precipitação excessiva, seca prolongada e temperaturas elevadas.

Na produção de cana-de-açúcar, essas condições podem comprometer tanto o rendimento agrícola quanto o Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador diretamente relacionado à quantidade de açúcar que pode ser extraída da matéria-prima.

Diante desse cenário, o planejamento antecipado do manejo ganha importância para fortalecer as plantas, melhorar o aproveitamento da água e reduzir as perdas provocadas pelo estresse climático.

El Niño pode provocar excesso de chuva e seca

Os efeitos do El Niño variam de acordo com a região produtora. Enquanto algumas áreas podem enfrentar volumes elevados de chuva, outras ficam mais expostas à deficiência hídrica e às altas temperaturas.

Nas regiões com precipitações excessivas, o aumento da lixiviação pode carregar nutrientes para camadas mais profundas do solo, reduzindo sua disponibilidade para as raízes. Já nos locais atingidos pela seca, a falta de água limita o desenvolvimento das plantas e intensifica os danos fisiológicos.

“Nas regiões que sofrerem com o excesso de chuva, a lixiviação tende a se intensificar. Nas áreas afetadas pela seca, porém, pode ocorrer perda severa de produtividade e de ATR, agravada pelo estresse oxidativo”, explica Victor Hugo de Faria Guedes, engenheiro agrônomo e desenvolvedor de mercado da Biotrop.

Estresse oxidativo reduz fotossíntese e acúmulo de sacarose

Quando a cana-de-açúcar enfrenta escassez de água e temperaturas elevadas, ocorre um desequilíbrio na produção de espécies reativas de oxigênio, conhecidas como EROs. Em níveis elevados, essas moléculas podem provocar danos às membranas e a outras estruturas celulares.

Esse processo, chamado de estresse oxidativo, interfere em funções essenciais da planta, incluindo a fotossíntese e o metabolismo energético. Para sobreviver ao ambiente adverso, a cana redireciona parte de sua energia para os mecanismos de defesa.

Como consequência, diminuem o crescimento vegetativo, a produção de biomassa e o acúmulo de sacarose nos colmos. O resultado pode aparecer na redução da produtividade por hectare e na queda do ATR entregue à indústria.

Queda no ATR afeta rentabilidade do setor sucroenergético

O ATR é um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a qualidade industrial da cana-de-açúcar. Quando seu nível diminui, há menor disponibilidade de açúcar para a fabricação de açúcar e etanol.

Para o produtor, essa redução pode significar menor remuneração por tonelada colhida. Para as usinas, representa perda de eficiência industrial e necessidade de processar mais matéria-prima para alcançar o mesmo volume de produção.

Além disso, períodos de seca podem reduzir o desenvolvimento dos colmos, prejudicar a longevidade do canavial e afetar o desempenho das safras seguintes. Por isso, as estratégias de enfrentamento ao estresse climático devem considerar tanto os resultados imediatos quanto a capacidade de recuperação da lavoura.

Bioinsumos podem fortalecer resposta da cana à seca

O manejo biológico é uma das alternativas utilizadas para aumentar a tolerância das plantas aos chamados estresses abióticos, provocados por fatores como seca e calor.

Determinados bioinsumos atuam sobre processos fisiológicos relacionados ao desenvolvimento radicular, ao equilíbrio celular e à atividade de enzimas antioxidantes. O objetivo é auxiliar a planta a manter seu funcionamento mesmo quando as condições ambientais são desfavoráveis.

Segundo Guedes, a adoção dessas tecnologias deve estar integrada ao planejamento agronômico da propriedade. “Com um bom planejamento de manejo e a aplicação de soluções adequadas, é possível atravessar o período de seca causado pelo El Niño mitigando seus efeitos”, afirma.

Desenvolvimento radicular amplia exploração do solo

Um sistema radicular bem desenvolvido permite que a cana explore maior volume de solo e alcance camadas mais profundas em busca de água e nutrientes.

Essa característica ganha importância durante os períodos de estiagem, especialmente quando a umidade das camadas superficiais diminui rapidamente. Raízes mais distribuídas podem aumentar a capacidade de absorção e ajudar a planta a suportar por mais tempo a restrição hídrica.

O manejo biológico também pode contribuir para a manutenção do turgor celular, condição relacionada à capacidade das células de conservar água. A preservação desse equilíbrio favorece o funcionamento fisiológico e pode reduzir a intensidade das perdas sob calor elevado.

Tecnologia busca ativar mecanismos antioxidantes

Entre as soluções disponíveis para a cultura está o Bioasis Power, da Biotrop, apresentado pela empresa como um ativador microbiológico de plantas voltado ao enfrentamento de condições climáticas adversas.

De acordo com Guedes, a tecnologia estimula o sistema radicular, favorece a manutenção do turgor celular e aumenta a atividade de enzimas antioxidantes. Esses mecanismos ajudam a neutralizar o excesso de espécies reativas de oxigênio e a preservar o equilíbrio fisiológico da cana.

A aplicação, entretanto, deve seguir as recomendações técnicas e considerar fatores como estágio da cultura, condições do solo, previsão climática e características de cada área.

Manejo integrado é decisivo para reduzir perdas

O uso de bioinsumos não elimina os riscos impostos pelo clima nem substitui as demais práticas agronômicas. A resposta da lavoura depende de uma estratégia integrada, envolvendo fertilidade do solo, nutrição equilibrada, controle de plantas daninhas, conservação da umidade e escolha correta do momento de aplicação.

O monitoramento das previsões meteorológicas também permite antecipar decisões e ajustar o manejo antes que o déficit hídrico alcance níveis críticos.

Com maior frequência de eventos extremos, tecnologias capazes de fortalecer a fisiologia das plantas podem ganhar espaço no setor sucroenergético. O objetivo é aumentar a resiliência dos canaviais, preservar o ATR e reduzir os impactos da irregularidade climática sobre a rentabilidade da produção de açúcar e etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

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