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Cana de Açucar

Calcário micronizado eleva produtividade da cana em 42,7 toneladas por hectare, aponta estudo

Pesquisa do IAC, publicada na revista STAB, identificou melhora da fertilidade em profundidade, maior desenvolvimento das raízes e efeitos residuais por mais de um ano após a aplicação


Publicado em: 19/08/2026 às 13:30hs

Calcário micronizado eleva produtividade da cana em 42,7 toneladas por hectare, aponta estudo

O uso de fertilizante formulado com calcário micronizado elevou de 85,1 para 127,8 toneladas por hectare a produtividade de um canavial avaliado em pesquisa conduzida pelo Instituto Agronômico (IAC), em parceria com a Massari Fértil e a Morro Verde.

A diferença corresponde a um ganho de 42,7 toneladas de cana por hectare, equivalente a aproximadamente 50,2% sobre o tratamento de controle, que recebeu adubação NPK convencional. Os resultados foram publicados no volume 44 da revista STAB – Açúcar, Álcool e Subprodutos, especializada no setor sucroenergético.

Além do avanço produtivo, o estudo identificou aumento nos teores de cálcio, magnésio e fósforo, acompanhado pela elevação do pH e da saturação por bases. Parte desses efeitos permaneceu no solo por mais de um ano após a aplicação.

Correção da acidez amplia potencial produtivo da cana

A acidez está entre as principais limitações dos solos tropicais brasileiros. Em áreas com pH inferior a 5,5, a maior presença de alumínio em formas tóxicas pode restringir o crescimento das raízes, dificultar a absorção de nutrientes e reduzir o aproveitamento da água pelas plantas.

A calagem é uma prática consolidada para enfrentar esse problema. A pesquisa avaliou, entretanto, o desempenho de uma formulação com partículas micronizadas, desenvolvida para acelerar a reação dos componentes e melhorar as condições químicas em camadas abaixo da superfície.

Para Claudio de Jesus Monteiro, pesquisador da Massari e um dos autores do trabalho, a construção da fertilidade em profundidade amplia o volume de solo explorado pelo sistema radicular.

“Investir na construção de um solo fértil é investir na base de toda a lavoura. Ao micronizar o calcário, buscamos ampliar a reação no solo e favorecer condições mais adequadas para o desenvolvimento das raízes e o aproveitamento dos nutrientes”, explica.

Pesquisa acompanhou o solo por 404 dias

O experimento foi realizado em um canavial de terceiro corte da cultivar IACSP95-5094, instalado em solo classificado como Latossolo Vermelho-Escuro (LVE).

O tratamento avaliado reuniu DGMS, enxofre, Fosfakal 20:20, boro e zinco, com aplicação de quatro toneladas por hectare. Durante a safra, os pesquisadores realizaram quatro campanhas de amostragem.

As análises mais detalhadas ocorreram aos 180 e aos 404 dias após a aplicação. As amostras foram retiradas em camadas sucessivas, com intervalos de dez centímetros, até a profundidade de 80 centímetros.

Essa metodologia permitiu acompanhar a movimentação dos nutrientes e verificar por quanto tempo as alterações químicas permaneceram no perfil do solo.

Fósforo avançou para camadas mais profundas

Aos 180 dias, o tratamento apresentou aumento significativo na disponibilidade de fósforo entre 15 e 45 centímetros de profundidade. O resultado indicou maior presença do nutriente além da camada superficial, onde normalmente se concentra grande parte dos fertilizantes aplicados.

A saturação por bases, indicador utilizado para avaliar a fertilidade do solo, aproximou-se de 80% na superfície. O índice permaneceu acima de 75% até 25 centímetros e superior a 60% até aproximadamente 35 centímetros.

Também foram observadas mudanças na participação do cálcio na capacidade de troca catiônica (CTC). Na camada superficial, o percentual passou de cerca de 40% para mais de 60%, mantendo níveis considerados adequados até aproximadamente 35 centímetros.

Efeito residual permaneceu após mais de um ano

Mesmo aos 404 dias da aplicação, as áreas tratadas ainda apresentavam valores superiores de cálcio, magnésio, pH e saturação por bases em comparação com o tratamento convencional.

A persistência dos resultados indica um efeito residual superior a um ano nas condições avaliadas. Essa característica pode ser relevante para culturas semiperenes como a cana-de-açúcar, na qual a manutenção da fertilidade influencia a produtividade das soqueiras e a longevidade do canavial.

A formulação utilizada também foi desenvolvida para disponibilizar nutrientes gradualmente durante o ciclo, reunindo fontes de cálcio, magnésio, fósforo, enxofre, boro e zinco.

Sistema radicular apresentou maior crescimento

As avaliações identificaram desenvolvimento mais intenso das raízes nas áreas tratadas, inclusive nas camadas mais profundas. Segundo os pesquisadores, esse resultado está relacionado à redução das limitações químicas do solo e à maior disponibilidade de nutrientes.

Com raízes mais profundas e distribuídas em um volume maior de solo, a cana pode ampliar o acesso à água e aos nutrientes. Essa condição tende a favorecer a tolerância a períodos de estiagem, embora o desempenho dependa do tipo de solo, do regime de chuvas, da variedade cultivada e do manejo adotado.

“Ao corrigir a fertilidade abaixo da camada superficial, ampliamos o espaço disponível para o crescimento das raízes. Esse maior volume de solo explorado ajuda a explicar o ganho de produtividade observado no experimento”, afirma Monteiro.

Tecnologia pode contribuir para longevidade dos canaviais

Os resultados indicam que a combinação entre correção da acidez, fornecimento equilibrado de nutrientes e melhoria da fertilidade em profundidade pode contribuir para elevar a produtividade da cana e prolongar a vida útil dos canaviais.

A estratégia ganha importância diante da necessidade de aumentar a produção sem expandir a área cultivada, além de reduzir a exposição das lavouras aos períodos de restrição hídrica.

Os pesquisadores ressaltam, contudo, que a recomendação deve considerar análise de solo, características da propriedade, condições climáticas, histórico da área e orientação agronômica. Novos estudos em diferentes ambientes produtivos também são importantes para verificar a repetibilidade dos resultados em escala comercial.

A Massari Fértil e a Morro Verde atuam de forma integrada na mineração, no beneficiamento e na formulação de fertilizantes minerais mistos naturais. As empresas mantêm unidades e operações logísticas em Minas Gerais e São Paulo, além de parcerias produtivas em outras regiões brasileiras.

Fonte: Portal do Agronegócio

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