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Setor Sucroalcooleiro

Moagem de cana cai 8,4% no Centro-Sul, açúcar recua 17,6% e produção de etanol avança

Usinas processaram 46,08 milhões de toneladas de cana na segunda quinzena de julho; menor atratividade do açúcar e expansão do etanol de milho favorecem biocombustível na safra 2026/27


Publicado em: 17/08/2026 às 19:00hs

Moagem de cana cai 8,4% no Centro-Sul, açúcar recua 17,6% e produção de etanol avança

A moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil recuou 8,4% na segunda quinzena de julho de 2026, na comparação com igual período do ano passado. O processamento atingiu 46,08 milhões de toneladas, enquanto a produção de açúcar apresentou queda ainda mais expressiva, de 17,6%.

Os números constam do Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira, do Ministério da Agricultura, com informações fornecidas pelos produtores. Os dados oficiais antecipam os indicadores consolidados do setor privado para julho.

Apesar da redução quinzenal da moagem, o acumulado da safra 2026/27 ainda mostra crescimento no processamento de cana. Ao mesmo tempo, a indústria apresenta uma mudança importante no mix produtivo, com menor fabricação de açúcar e forte expansão do etanol.

Produção de açúcar cai 17,6% na segunda quinzena de julho

A fabricação de açúcar no Centro-Sul alcançou aproximadamente 3 milhões de toneladas na segunda metade de julho, volume 17,6% inferior ao registrado no mesmo intervalo de 2025.

A redução foi significativamente maior que a queda observada na moagem de cana, indicando menor direcionamento da matéria-prima disponível para a fabricação do adoçante.

O movimento ocorre em um ambiente de menor atratividade dos preços do açúcar, levando parte das unidades produtoras a favorecer a fabricação de etanol.

Essa flexibilidade entre açúcar e biocombustível é uma das características estratégicas da indústria sucroenergética brasileira, permitindo que as usinas ajustem o mix conforme as condições de mercado e suas estratégias comerciais.

Etanol cresce mesmo com menor moagem de cana

Na direção oposta ao açúcar, a produção total de etanol avançou 2,8% na comparação anual durante a segunda quinzena de julho.

As usinas produziram aproximadamente 2,39 bilhões de litros no período.

O desempenho reflete tanto o maior direcionamento da cana para o biocombustível quanto o crescimento estrutural da fabricação de etanol de milho, segmento que vem aumentando rapidamente sua participação na oferta brasileira.

Com isso, mesmo diante da retração de 8,4% no processamento de cana, a produção total de etanol conseguiu superar o volume registrado no mesmo período da temporada anterior.

Moagem acumulada supera 313 milhões de toneladas

O resultado quinzenal negativo ainda não reverteu o crescimento acumulado da safra 2026/27.

Entre o início da temporada e o final de julho, as unidades do Centro-Sul processaram 313,21 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, avanço de 2,1% em relação ao mesmo período da safra anterior.

O dado mostra que a indústria chegou ao final de julho com maior volume acumulado de matéria-prima processada, apesar da desaceleração registrada na segunda metade do mês.

O Centro-Sul concentra a maior parcela da produção brasileira de cana, açúcar e etanol, tornando o desempenho da região determinante para a formação da oferta nacional e para a posição brasileira no mercado internacional.

Produção acumulada de açúcar recua 12,4%

Mesmo com a moagem acumulada 2,1% superior, a fabricação de açúcar apresenta movimento contrário.

Até o encerramento de julho, a produção acumulada alcançou 16,92 milhões de toneladas, retração de 12,4% na comparação com igual período da temporada anterior.

A diferença entre o comportamento da moagem e o volume produzido de açúcar evidencia a alteração no direcionamento industrial da matéria-prima.

Para o mercado, o ritmo de produção brasileiro é acompanhado com atenção, já que o país ocupa posição central nas exportações mundiais de açúcar. Mudanças no mix das usinas podem influenciar as expectativas de disponibilidade do produto e, consequentemente, as cotações internacionais.

Produção de etanol dispara 16% na safra 2026/27

Se o açúcar apresenta retração, o cenário é bastante diferente para o biocombustível.

A produção acumulada de etanol atingiu 16,34 bilhões de litros até o final de julho, crescimento expressivo de 16% sobre o mesmo intervalo da safra passada.

O avanço mostra como o etanol vem ganhando espaço no mix energético das unidades produtoras e sendo impulsionado também pela expansão da produção baseada em milho.

O crescimento do etanol de milho adiciona uma nova dinâmica ao mercado brasileiro, pois sua fabricação apresenta menor dependência do calendário de colheita da cana e contribui para ampliar a disponibilidade do combustível ao longo do ano.

Estoques de etanol crescem 28,2% no Centro-Sul

Outro indicador que chama atenção é o forte aumento dos estoques.

Em 31 de julho de 2026, o Centro-Sul contava com aproximadamente 5,79 bilhões de litros de etanol disponíveis, crescimento de 28,2% frente à mesma data de 2025.

A expansão dos estoques acompanha o aumento da produção e pode exercer influência sobre a dinâmica de preços do biocombustível nos próximos meses.

O comportamento das cotações, entretanto, continuará condicionado também à demanda das distribuidoras, ao consumo de combustíveis, à relação de competitividade entre etanol hidratado e gasolina e ao ritmo de produção das usinas.

Mix das usinas favorece etanol em 2026

Os números acumulados até julho deixam clara uma mudança na composição da produção sucroenergética.

Enquanto a moagem de cana cresceu 2,1%, a fabricação de açúcar caiu 12,4% e a produção total de etanol aumentou 16%.

Esse contraste indica um direcionamento mais favorável ao biocombustível durante a temporada.

A decisão das usinas sobre o mix depende de uma série de variáveis, incluindo preços internacionais do açúcar, câmbio, remuneração do etanol, demanda doméstica por combustíveis, estoques e contratos previamente negociados.

Quando a relação econômica se torna mais favorável ao etanol, unidades com flexibilidade industrial podem destinar uma parcela maior da matéria-prima para o combustível.

Etanol de milho ganha importância na oferta brasileira

A expansão da produção de etanol de milho também ajuda a explicar o crescimento observado no mercado.

Nos últimos anos, novos projetos industriais ampliaram a capacidade brasileira de transformação do cereal em biocombustível, especialmente nas regiões produtoras de grãos.

Essa produção complementa o etanol derivado da cana e contribui para reduzir a tradicional sazonalidade da oferta brasileira.

A combinação entre cana e milho permite que o país amplie a produção de etanol mesmo em períodos nos quais o processamento de cana apresenta menor ritmo, como mostram os números da segunda quinzena de julho.

Mercado acompanha açúcar, etanol e ritmo da moagem

Para as próximas semanas, o mercado sucroenergético deverá acompanhar principalmente o ritmo da moagem no Centro-Sul e a definição do mix industrial.

As condições climáticas serão determinantes para o avanço da colheita e para a qualidade da matéria-prima. Ao mesmo tempo, os preços do açúcar no mercado internacional e a remuneração do etanol no Brasil continuarão influenciando as decisões das usinas.

O avanço dos estoques de etanol também entra no radar, principalmente diante do crescimento de 28,2% registrado até o final de julho.

No açúcar, a queda acumulada de 12,4% na produção brasileira pode ganhar relevância para o equilíbrio mundial entre oferta e demanda caso o ritmo mais baixo seja mantido durante os próximos meses.

Safra 2026/27 reforça mudança no setor sucroenergético

Os dados até julho revelam uma safra marcada por movimentos distintos dentro da mesma cadeia produtiva: maior moagem acumulada de cana, menor produção de açúcar e forte crescimento do etanol.

Na segunda quinzena de julho, a moagem caiu para 46,08 milhões de toneladas e a fabricação de açúcar recuou 17,6%, enquanto o etanol conseguiu crescer 2,8%.

No acumulado da temporada, a diferença é ainda mais evidente. O Centro-Sul processou 313,21 milhões de toneladas de cana, produziu 16,92 milhões de toneladas de açúcar e 16,34 bilhões de litros de etanol.

Com estoques maiores e a expansão do etanol de milho, a evolução do mix das usinas será um dos principais fatores a serem monitorados na segunda metade da safra 2026/27.

Fonte: Portal do Agronegócio

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