Fertilizantes seguem pressionados por conflitos e restrições de oferta; preços podem continuar altos até 2028
Instabilidade no Oriente Médio, gargalos logísticos, oferta limitada de matérias-primas e restrições nas exportações de fosfatados mantêm o mercado internacional de fertilizantes sob pressão e elevam os riscos para produtores rurais.
Publicado em: 17/08/2026 às 11:25hs
Fertilizantes mais caros continuam no radar do agronegócio
O mercado internacional de fertilizantes deve continuar enfrentando um cenário de preços elevados nos próximos anos, mesmo após o afastamento dos níveis recordes observados em períodos anteriores. Conflitos geopolíticos, restrições de oferta e dificuldades logísticas em importantes regiões produtoras mantêm os custos de insumos agrícolas sob pressão e podem prolongar esse cenário até 2028.
A avaliação consta de relatório do CoBank, segundo o qual a combinação entre a instabilidade no Oriente Médio, a disponibilidade limitada de matérias-primas e o aperto no mercado de fertilizantes fosfatados tende a sustentar preços elevados pelo menos até 2027.
Para o setor agrícola, o cenário representa um desafio adicional justamente em um momento em que produtores buscam controlar custos e preservar margens diante das oscilações nos preços das commodities.
Oriente Médio concentra pontos estratégicos para o mercado
A região do Oriente Médio possui papel relevante na cadeia global de fertilizantes. Segundo o levantamento, são produzidas na região mais de 60 milhões de toneladas de fertilizantes e matérias-primas por ano, sendo aproximadamente 45 milhões de toneladas transportadas pelo Estreito de Ormuz.
A importância logística da rota aumenta a sensibilidade do mercado diante de conflitos e riscos de interrupção no transporte marítimo.
O impacto alcança diretamente produtos estratégicos para a agricultura, como enxofre, ureia, amônia e fertilizantes fosfatados.
Cerca de metade do enxofre comercializado globalmente tem origem no Oriente Médio, enquanto a região responde por mais de 30% das exportações mundiais de ureia. Qualquer interrupção relevante na produção ou no transporte pode, portanto, provocar efeitos em cadeia sobre os custos dos fertilizantes.
Amônia e enxofre entram no centro das preocupações
O conflito também afetou a operação de unidades produtoras de amônia no Oriente Médio. Ao mesmo tempo, algumas operações em países asiáticos foram reduzidas em razão da menor disponibilidade de matérias-primas.
O enxofre ganhou ainda mais importância nesse contexto. O produto é um insumo fundamental para a fabricação de diversos fertilizantes e sua valorização aumenta os custos de produção ao longo da cadeia.
A combinação entre menor oferta, maior custo das matérias-primas e riscos logísticos pode manter o mercado global mais apertado, especialmente em períodos de maior demanda agrícola.
Mercado de fosfatados enfrenta oferta restrita
O segmento de fertilizantes fosfatados já apresentava restrições de oferta antes do agravamento dos conflitos. A elevação dos preços do enxofre e da amônia, porém, aumentou a pressão sobre os custos de produção.
Outro fator de atenção é a política comercial da China, maior produtora e exportadora mundial de fertilizantes fosfatados. O país manteve as exportações suspensas até agosto, contribuindo para limitar a disponibilidade internacional.
Com o enxofre negociado em níveis elevados, existe o risco de que as restrições chinesas permaneçam por mais tempo, aumentando a incerteza para compradores e distribuidores.
Produtores ampliam estratégias para reduzir custos
Diante do cenário de fertilizantes mais caros, produtores rurais nos Estados Unidos vêm adotando estratégias para aumentar a eficiência no uso dos nutrientes.
Entre as medidas estão o uso mais intensivo de análises de solo, aplicação em taxa variável e tecnologias de agricultura de precisão.
A estratégia não significa necessariamente uma redução generalizada das aplicações. Em muitos casos, produtores estão ajustando principalmente as doses de fósforo e potássio, com reduções estimadas entre 10% e 15%.
O nitrogênio, por sua vez, tende a receber tratamento diferente devido à sua importância para a produtividade das lavouras.
Preços elevados podem mudar o calendário de compras
Caso os fertilizantes permaneçam caros, parte dos agricultores poderá postergar as compras e aplicações para períodos mais próximos da primavera nos Estados Unidos.
Esse movimento pode aumentar a concentração da demanda em determinadas épocas do ano e gerar novos desafios para armazenagem, transporte e distribuição.
Para o mercado internacional, o resultado é um ambiente de maior volatilidade, no qual decisões de compra passam a depender não apenas dos preços das commodities, mas também da disponibilidade de fertilizantes, do câmbio, do frete e dos riscos geopolíticos.
Impactos para o agronegócio brasileiro
Para o Brasil, um dos maiores consumidores mundiais de fertilizantes, a evolução do mercado internacional merece atenção especial.
A dependência das importações torna o país sensível às oscilações nos preços internacionais, aos custos de frete e às alterações na oferta global. Qualquer aumento persistente nos preços de ureia, fosfatados, enxofre e outros nutrientes pode elevar o custo de produção das principais culturas brasileiras.
Nesse cenário, planejamento de compras, análise de solo, manejo eficiente de nutrientes e agricultura de precisão ganham importância para reduzir desperdícios e preservar a rentabilidade das propriedades.
A combinação entre conflitos geopolíticos, restrições comerciais e gargalos logísticos indica que o mercado de fertilizantes deve continuar no radar do agronegócio mundial. Mesmo com eventual acomodação dos preços em relação aos picos históricos, a perspectiva de custos elevados até 2027 e possíveis efeitos até 2028 reforça a necessidade de planejamento antecipado por produtores, cooperativas e distribuidores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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