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Adubos e Fertilizantes

Fertilizantes mais caros tornam previsibilidade de entrega estratégica para o agronegócio

Brasil reduziu em 7,4% o volume importado entre janeiro e julho de 2026, mas elevou os gastos para US$ 8,8 bilhões; câmbio, logística e riscos geopolíticos pressionam o planejamento da safra


Publicado em: 19/08/2026 às 10:10hs

Fertilizantes mais caros tornam previsibilidade de entrega estratégica para o agronegócio
Foto: Cláudio Neves

O aumento dos preços dos fertilizantes e as incertezas no mercado internacional estão levando produtores e indústrias do agronegócio a considerar fatores que vão além do valor pago por tonelada. Regularidade do fornecimento, qualidade, logística e cumprimento dos prazos passaram a ter peso crescente nas decisões de compra.

Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 22,4 milhões de toneladas de fertilizantes, recuo de 7,4% na comparação com igual período do ano anterior. Apesar da redução do volume, os gastos avançaram 7,3% e alcançaram US$ 8,8 bilhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A diferença entre volume e desembolso mostra o impacto da valorização dos insumos. Somente em junho, o preço médio dos fertilizantes importados ficou 26,1% acima do registrado no mesmo mês de 2025.

Dependência externa aumenta exposição do agronegócio

A pressão sobre os custos ganha relevância diante da elevada dependência brasileira do mercado internacional. Aproximadamente 85% dos fertilizantes consumidos no país são provenientes do exterior, o que torna o setor mais exposto às oscilações cambiais, aos custos logísticos e às tensões geopolíticas.

Em agosto, o Senado Federal aprovou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), criado para incentivar a produção nacional e reduzir a vulnerabilidade do Brasil no abastecimento de nutrientes essenciais às lavouras.

A iniciativa avança em um momento marcado por mudanças nos fluxos globais de fornecimento, aumento dos preços e maior cautela nas negociações para a safra 2026/27.

Custo do fertilizante vai além do preço por tonelada

Nesse ambiente, a previsibilidade de entrega ganha importância na avaliação dos fornecedores. Para a Katrium, indústria química brasileira que fornece derivados de potássio ao agronegócio, o custo efetivo de uma compra também deve considerar os riscos operacionais.

“Quando o produtor ou a indústria avalia um fornecedor, é preciso considerar o custo total da operação. Preço é importante, mas qualidade constante, previsibilidade de entrega, logística e suporte técnico também interferem no resultado. Uma interrupção de abastecimento ou um produto fora de especificação pode gerar custos muito superiores à diferença inicialmente obtida na compra”, afirma Renan Coelho, diretor comercial da Katrium.

Na prática, a falta de insumos no momento adequado pode provocar atrasos na produção, paralisações industriais, retrabalho e perda da janela ideal de aplicação no campo. Variações na especificação dos produtos também podem comprometer formulações e elevar os custos.

Para reduzir esses riscos, a empresa adota contratos de médio prazo, estoques de segurança para linhas consideradas críticas, programação de entregas por janela e planos de contingência logística.

Importações variam entre nitrogenados, fosfatados e potássicos

O comportamento das compras externas não foi uniforme entre os diferentes nutrientes no primeiro semestre de 2026.

As importações brasileiras de ureia recuaram 32%, enquanto as aquisições de MAP, o fosfato monoamônico, diminuíram 24% em relação ao mesmo período de 2025. Em sentido contrário, as compras de cloreto de potássio avançaram, favorecidas por condições comerciais e relações de troca mais atrativas, conforme levantamento da StoneX.

Os resultados demonstram que nitrogenados, fosfatados e potássicos respondem de maneira distinta às condições internacionais de oferta, demanda e preços.

Derivados de potássio ganham espaço em formulações agrícolas

A Katrium concentra parte de sua atuação no fornecimento de derivados de potássio para fabricantes de fertilizantes e outros segmentos do agronegócio.

Entre os produtos comercializados está o hidróxido de potássio, conhecido pela sigla KOH. O insumo pode ser utilizado na formulação de glifosato na forma de sal potássico e no ajuste do pH de soluções destinadas à agricultura.

Outro produto é o carbonato de potássio, ou K₂CO₃, empregado como fonte de potássio de elevada pureza e em formulações que exigem maior controle e estabilidade.

A indústria também identifica potencial de expansão em mercados de maior valor agregado, como fertilizantes foliares potássicos de alta eficiência e soluções que combinam componentes químicos e biológicos. Café, citros, algodão e hortifrúti estão entre as culturas com possibilidade de ampliar o uso dessas tecnologias.

Relação de troca preocupa produtores na safra 2026/27

O encarecimento dos fertilizantes afeta diretamente o planejamento financeiro das propriedades rurais. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vem alertando para a deterioração das relações de troca entre fertilizantes e importantes produtos agrícolas.

Com margens mais pressionadas, o produtor precisa avaliar o momento da compra, a necessidade de antecipação dos estoques e os riscos relacionados ao câmbio e à disponibilidade dos insumos.

“Quanto maior a incerteza externa, mais importante se torna aquilo que a empresa consegue controlar dentro da própria cadeia. Ter rastreabilidade, constância de especificação, planejamento logístico e alternativas para contingências reduz risco e permite que o cliente planeje melhor sua operação”, acrescenta Coelho.

Segurança no abastecimento permanece no radar do agro

O Brasil importou o volume recorde de 45,5 milhões de toneladas de fertilizantes em 2025, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em 2026, porém, a combinação de preços mais elevados, redução dos volumes adquiridos e incertezas externas aumentou a cautela dos compradores.

A segurança no abastecimento deverá permanecer como tema estratégico para o agronegócio brasileiro. Em uma atividade dependente de planejamento, regularidade e cumprimento das janelas de plantio e manejo, a decisão de compra deixa de considerar apenas o preço imediato.

Além de quanto custa o fertilizante, produtores e indústrias precisam avaliar como, quando e em quais condições o insumo chegará ao destino. A previsibilidade, portanto, passa a integrar a conta da produtividade e da rentabilidade da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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