Mercado do café hoje: bolsas recuam, produtores seguram vendas e colheita no Brasil mantém mercado em compasso de espera
Queda do arábica em Nova York e do robusta em Londres reduz o ritmo dos negócios no mercado físico brasileiro, enquanto avanço da colheita, estoques apertados e posição dos fundos seguem no radar dos investidores.
Publicado em: 20/07/2026 às 11:48hs
O mercado brasileiro de café iniciou a semana em ritmo lento, refletindo a leve desvalorização das bolsas internacionais e a estabilidade do dólar. Com os principais indicadores sem força para impulsionar novas negociações, produtores adotam uma postura mais cautelosa e limitam as vendas, aguardando melhores oportunidades de preço.
A movimentação acompanha o comportamento das bolsas internacionais, onde os contratos futuros do café passaram por ajustes após os ganhos registrados na última sessão. Além disso, o avanço da colheita da safra brasileira continua sendo o principal fator de atenção para operadores e investidores.
Bolsas internacionais pressionam mercado do café
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato setembro de 2026 do café arábica operava em queda, sendo negociado próximo de 321,60 cents de dólar por libra-peso, após encerrar a sexta-feira em forte alta, aos 328,45 cents/lbp, valorização de 2,22%.
Em Londres, os contratos futuros do café robusta também registravam perdas. O vencimento setembro/2026 era negociado a US$ 3.847 por tonelada, enquanto novembro/2026 recuava para US$ 3.809 por tonelada, refletindo um movimento de realização de lucros após a recuperação observada no fechamento da semana anterior.
O cenário internacional permanece influenciado pelo avanço da colheita brasileira, maior fornecedora mundial de café, além das perspectivas de clima seco nas principais regiões produtoras, condição que favorece os trabalhos no campo e aumenta a disponibilidade da nova safra.
Mercado físico brasileiro perde intensidade
No mercado físico, o ritmo de comercialização voltou a desacelerar. Com Nova York operando em baixa e o dólar praticamente estável, muitos cafeicultores optam por vender apenas volumes pontuais para atender compromissos financeiros imediatos.
Compradores continuam ativos, mas encontram resistência por parte dos produtores, que aguardam uma recuperação das cotações internacionais antes de ampliar a oferta.
Na última sexta-feira, entretanto, o mercado brasileiro registrou valorização acompanhando o desempenho positivo das bolsas externas.
Entre os principais referenciais:
- Sul de Minas Gerais: café arábica bebida boa (15% de catação) foi negociado entre R$ 1.760 e R$ 1.765 por saca, acima dos R$ 1.720/R$ 1.725 do dia anterior.
- Cerrado Mineiro: arábica bebida dura atingiu R$ 1.780 a R$ 1.785 por saca, ante R$ 1.740/R$ 1.745.
- Zona da Mata (MG): café tipo Rio 7 foi cotado entre R$ 1.360 e R$ 1.365 por saca.
- Espírito Santo: o conilon tipo 7 alcançou R$ 1.100 a R$ 1.105 por saca, enquanto o tipo 7/8 ficou entre R$ 1.090 e R$ 1.095.
Colheita avança e clima favorece trabalhos no campo
O avanço da colheita brasileira continua sendo o principal fator de formação dos preços.
A previsão de tempo predominantemente seco nas principais regiões produtoras favorece a retirada do café dos campos, acelera o beneficiamento e amplia gradualmente a oferta da safra nova.
Mesmo assim, a liquidez permanece limitada, já que grande parte dos produtores segue comercializando apenas o necessário, apostando em uma recuperação das cotações nos próximos meses.
Estoques baixos da ICE seguem sustentando os preços
Apesar das perdas registradas nas bolsas nesta segunda-feira, o mercado continua encontrando suporte nos reduzidos estoques certificados de café arábica da ICE.
Os volumes permanecem próximos dos menores níveis observados nos últimos anos, fator que mantém investidores atentos ao equilíbrio entre oferta e demanda mundial e limita movimentos mais intensos de queda nas cotações.
Fundos ampliam posição comprada
Dados mais recentes da Commodity Futures Trading Commission (CFTC) mostram aumento do otimismo entre os investidores financeiros.
Até 14 de julho, os grandes fundos e especuladores elevaram sua posição líquida comprada para 27.827 contratos, ante 25.623 contratos registrados na semana anterior.
Já as empresas comerciais — incluindo exportadores, corretoras e indústrias — permaneciam com posição líquida vendida de 29.450 contratos, enquanto os pequenos investidores apresentavam saldo líquido comprado de 1.623 contratos.
O levantamento também apontou redução no interesse em aberto da ICE Futures US, que totalizava 166.843 contratos, queda semanal de 7.597 lotes, indicando diminuição da participação dos agentes no mercado futuro.
Dólar praticamente estável reduz impacto nas negociações
No mercado cambial, o dólar comercial operava próximo da estabilidade, cotado ao redor de R$ 5,11, sem exercer influência significativa sobre os preços internos do café.
Sem o suporte de uma valorização cambial e diante da queda das bolsas internacionais, o mercado brasileiro tende a manter um ritmo moderado de negociações ao longo da semana, acompanhando de perto a evolução da colheita, o comportamento dos estoques globais e o posicionamento dos investidores nas bolsas internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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