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Mercado de defensivos para café bate recorde e movimenta R$ 3,3 bilhões na safra 2025/26

Levantamento da Kynetec revela crescimento de 22% nos investimentos em defensivos agrícolas, impulsionado pelo aumento da área cultivada, maior intensidade de manejo e avanço no controle de pragas e doenças da cafeicultura brasileira


Publicado em: 22/07/2026 às 10:40hs

Mercado de defensivos para café bate recorde e movimenta R$ 3,3 bilhões na safra 2025/26

A cafeicultura brasileira registrou um novo recorde em investimentos em defensivos agrícolas na safra 2025/26. Segundo o levantamento FarmTrak Café, divulgado pela consultoria Kynetec Brasil, o mercado movimentou R$ 3,3 bilhões, alta de 22% em relação aos R$ 2,67 bilhões registrados na temporada anterior.

O desempenho representa o maior volume financeiro da série histórica da consultoria e reflete o fortalecimento do manejo fitossanitário nas principais regiões produtoras de café do país. O avanço foi impulsionado pela expansão da área cultivada, pelo aumento no número de aplicações e pela maior adoção de tecnologias voltadas ao controle de pragas, doenças e nematoides.

Cafeicultura amplia investimentos em tecnologia e manejo fitossanitário

De acordo com a pesquisa da Kynetec, praticamente todos os indicadores relacionados ao manejo fitossanitário apresentaram crescimento na safra 2025/26.

A Área Potencial Tratada (PAT) — indicador que corresponde à soma de todas as aplicações realizadas durante a safra — alcançou 42,8 milhões de hectares, frente aos 35,3 milhões de hectares registrados em 2024/25, um crescimento de 22%.

Outro fator que impulsionou o mercado foi a expansão da área cultivada com café. Após vários ciclos de estabilidade, a cultura avançou 4%, alcançando 2,186 milhões de hectares.

Além disso, os cafeicultores intensificaram os tratos fitossanitários. O número médio de aplicações passou de 16,9 para 19,8 tratamentos por área, um aumento de 17%, demonstrando maior investimento em proteção das lavouras.

Segundo Felipe Abelha, especialista em pesquisas da Kynetec, os indicadores mostram uma evolução consistente do nível tecnológico empregado na cafeicultura brasileira.

Fungicidas seguem liderando o mercado de defensivos para café

Os fungicidas, incluindo produtos foliares e cúpricos, permaneceram como a principal categoria de defensivos utilizados pelos cafeicultores.

O segmento movimentou R$ 973 milhões, equivalente a 29% de todo o mercado, registrando crescimento de 25% sobre os R$ 775 milhões da safra anterior.

O levantamento também identificou uma forte expansão dos chamados fungicidas premium, cuja participação aumentou de 21% para 38% entre as tecnologias utilizadas pelos produtores.

Além da maior adoção, esses produtos passaram a apresentar também maior intensidade de aplicação, refletindo a busca por soluções mais eficientes para o controle das principais doenças da cultura.

Inseticidas registram maior crescimento em valor absoluto

Embora os fungicidas permaneçam na liderança, os inseticidas foram o principal destaque da safra em termos de crescimento financeiro.

O segmento movimentou R$ 760 milhões, alta de 30% em relação aos R$ 580 milhões registrados na temporada anterior, passando a representar 23% do mercado nacional de defensivos para café.

Em valores absolutos, foi a categoria que mais cresceu, adicionando mais de R$ 210 milhões em vendas.

Segundo a Kynetec, esse avanço foi impulsionado principalmente pelo aumento do manejo das duas principais pragas da cafeicultura brasileira:

  • broca-do-café (Hypothenemus hampei);
  • bicho-mineiro (Leucoptera coffeella).
Broca-do-café e bicho-mineiro elevam demanda por controle fitossanitário

A pesquisa mostra que o controle da broca-do-café apresentou crescimento expressivo na última safra.

Entre os principais indicadores estão:

  • aumento da adoção de inseticidas de 43% para 53%;
  • crescimento do número médio de aplicações de 1,82 para 1,95 tratamentos;
  • elevação de 10% no custo do manejo.

Com isso, o mercado destinado ao controle da broca movimentou aproximadamente R$ 350 milhões, frente aos R$ 252 milhões da safra anterior, uma expansão de 38%.

No caso do bicho-mineiro, os investimentos também cresceram significativamente.

A adoção dos tratamentos passou de 56% para 62%, enquanto o custo médio do manejo aumentou 13%.

Como consequência, o mercado destinado ao controle da praga avançou de R$ 264 milhões para cerca de R$ 345 milhões, alta de 30%.

Herbicidas, produtos para solo e nematicidas também avançam

O levantamento da Kynetec mostra crescimento em praticamente todas as categorias de defensivos agrícolas.

Os produtos aplicados via solo ou drench (jato dirigido) movimentaram R$ 626 milhões, crescimento de 8% em relação ao ciclo anterior.

Já os herbicidas alcançaram R$ 627 milhões, registrando expansão de 22% sobre os R$ 513 milhões da safra passada.

O maior avanço percentual ocorreu entre os nematicidas, que cresceram 51%, atingindo R$ 218 milhões em faturamento.

Com isso, a participação dessa categoria aumentou de 5% para 7% do mercado total de defensivos destinados à cafeicultura.

Os demais insumos responderam por aproximadamente 3% das vendas, movimentando R$ 99 milhões.

Pesquisa reúne mais de mil produtores das principais regiões cafeeiras

O levantamento FarmTrak Café 2025/26 foi desenvolvido a partir de mais de 1.110 entrevistas presenciais com produtores rurais das principais regiões produtoras do Brasil.

O estudo contempla propriedades localizadas em estados como:

  • Minas Gerais;
  • Espírito Santo;
  • Bahia;
  • São Paulo;
  • Paraná.

Os dados reforçam a crescente profissionalização da cafeicultura brasileira e demonstram que os produtores estão intensificando os investimentos em tecnologias de manejo para proteger a produtividade, reduzir perdas causadas por pragas e doenças e aumentar a eficiência das lavouras diante dos desafios climáticos e fitossanitários da atual safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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