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Café

Exportações de café caem 15,7%, mas receita se mantém em US$ 14,6 bilhões; mercado segue atento à colheita e aos preços

Estoques globais apertados sustentam as cotações do café, compensam a redução dos embarques brasileiros e mantêm o mercado em alerta para o clima e a safra 2026/27


Publicado em: 22/07/2026 às 11:50hs

Exportações de café caem 15,7%, mas receita se mantém em US$ 14,6 bilhões; mercado segue atento à colheita e aos preços

As exportações brasileiras de café encerraram a safra 2025/26 com retração significativa no volume embarcado, mas praticamente mantiveram o faturamento obtido no ciclo anterior. O desempenho confirma a força das cotações internacionais ao longo da temporada e reforça que a oferta global continua limitada, fator que segue dando sustentação aos preços e influenciando o comportamento do mercado.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o Brasil exportou 38,46 milhões de sacas de 60 quilos entre julho de 2025 e junho de 2026, uma queda de 15,7% em relação às 45,62 milhões de sacas registradas na safra 2024/25.

Apesar da redução no volume comercializado, a receita cambial permaneceu praticamente estável. O setor arrecadou US$ 14,6 bilhões, valor muito próximo dos US$ 14,7 bilhões obtidos na temporada anterior, resultado diretamente associado ao elevado patamar das cotações internacionais durante todo o ciclo.

Preços elevados compensam menor volume exportado

Pesquisadores do Cepea destacam que os estoques mundiais continuam reduzidos, cenário que mantém os preços internacionais em níveis historicamente elevados. Essa valorização acabou refletindo também no mercado doméstico, permitindo que a receita das exportações permanecesse praticamente inalterada mesmo diante da forte redução dos embarques.

O comportamento do mercado evidencia que a oferta global segue apertada e que a demanda internacional continua encontrando limitações na disponibilidade do produto, especialmente de café arábica.

Bolsas operam em direções opostas

Nesta quarta-feira (22), o mercado internacional iniciou as negociações com movimentos distintos entre as principais bolsas.

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do café arábica apresentaram recuperação. O vencimento setembro/2026 avançava para 323,75 cents por libra-peso, enquanto o contrato dezembro/2026 também registrava valorização.

Já na ICE Europe, em Londres, os contratos futuros do robusta operavam em queda. O vencimento setembro/2026 era negociado a US$ 3.771 por tonelada, enquanto novembro/2026 recuava para US$ 3.756 por tonelada.

A divergência entre os mercados reflete a elevada volatilidade que vem marcando o setor e demonstra que investidores seguem reagindo rapidamente às informações sobre oferta, demanda e condições climáticas.

Colheita brasileira continua no radar do mercado

O avanço da colheita no Brasil permanece como o principal fator de monitoramento pelos agentes do mercado.

A previsão de tempo mais seco nos próximos dias deve favorecer o ritmo dos trabalhos nas lavouras. No entanto, os atrasos registrados nas últimas semanas ainda alimentam dúvidas sobre o volume disponível no curto prazo e, principalmente, sobre a qualidade de parte da produção de café arábica.

Além da evolução da colheita, investidores acompanham atentamente qualquer mudança nas condições climáticas que possa afetar o desenvolvimento da próxima safra.

Oferta restrita mantém mercado firme

Analistas avaliam que boa parte da recente valorização dos contratos futuros foi impulsionada pelos fundamentos de oferta, especialmente pelos estoques globais reduzidos e pela comercialização mais lenta por parte dos produtores brasileiros.

Embora o mercado busque um novo ponto de equilíbrio, ainda não existe consenso sobre o verdadeiro potencial produtivo da safra 2026/27. Dessa forma, qualquer novidade envolvendo clima, produtividade, qualidade dos grãos ou ritmo da colheita poderá provocar novas oscilações nas bolsas internacionais.

Mercado físico segue com negociações seletivas

No mercado interno, as negociações continuam acontecendo de forma cautelosa.

Produtores mantêm postura seletiva nas vendas, aguardando oportunidades mais favoráveis de preços, enquanto compradores acompanham a evolução da colheita antes de ampliar as aquisições.

Com estoques internacionais limitados, oferta ainda ajustada e incertezas sobre a próxima safra brasileira, o mercado de café deve permanecer altamente sensível às informações climáticas e aos indicadores de oferta e demanda nas próximas semanas, mantendo um ambiente de forte volatilidade para produtores, exportadores e investidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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