Expocacer amplia cafeicultura regenerativa com corredores arborizados e geração de créditos de carbono
Projeto integra árvores às lavouras de café para aumentar a resiliência climática, recuperar funções ecológicas, preservar a mecanização e criar nova oportunidade de renda aos produtores
Publicado em: 18/08/2026 às 09:30hs
A cafeicultura regenerativa ganhou uma nova frente de desenvolvimento no Cerrado Mineiro com o Projeto Corredores Arborizados, iniciativa da Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocacer), em parceria com a GrowGrounds e a Clima Café de Floresta.
A proposta vai além da geração de créditos de carbono. O projeto busca integrar árvores às lavouras de café de forma planejada, criando corredores capazes de melhorar o microclima, conservar o solo, ampliar a biodiversidade e aumentar a capacidade das propriedades de enfrentar eventos climáticos extremos.
Segundo Farlla Gomes, gerente Técnica e de Sustentabilidade da Expocacer, a iniciativa faz parte de uma estratégia de agricultura regenerativa voltada à recuperação das funções ecológicas das propriedades e à preparação da cafeicultura para os desafios climáticos das próximas décadas.
Árvores são integradas sem comprometer a mecanização
O modelo prevê a implantação de corredores arborizados em pontos estratégicos das propriedades. O planejamento considera as características de cada fazenda e busca preservar as operações mecanizadas e a produtividade dos cafezais.
As linhas de árvores são normalmente implantadas com espaçamento de 20 a 40 metros, permitindo a continuidade das atividades mecanizadas entre os corredores.
Cada propriedade recebe um planejamento específico, considerando fatores como relevo, sistema de produção, espaçamento entre as linhas de café, mecanização, áreas mais vulneráveis aos eventos climáticos, espécies arbóreas adequadas e objetivos do produtor.
A estratégia é especialmente indicada para áreas de renovação de lavouras, recepa ou implantação de novos cafezais, quando a presença das árvores pode ser incorporada ao planejamento desde o início.
Projeto busca aumentar a resiliência da cafeicultura
A arborização planejada surge como uma alternativa para enfrentar o aumento dos riscos climáticos sobre a produção de café.
Geadas, períodos prolongados de seca, ondas de calor, ventos fortes, granizo e chuvas irregulares estão entre os eventos capazes de provocar perdas de produtividade e elevar os custos de produção.
Nesse cenário, os corredores de árvores podem contribuir para a formação de um microclima mais equilibrado, criando condições mais favoráveis ao desenvolvimento do cafeeiro.
Entre os benefícios esperados estão melhorias na estrutura do solo, aumento da infiltração e retenção de água, redução da erosão, ciclagem de nutrientes e ampliação da biodiversidade.
A maior diversidade de espécies também pode favorecer mecanismos naturais de controle biológico de pragas.
Carbono cria nova possibilidade de renda
Além dos ganhos ambientais e agronômicos, o projeto incorpora um componente econômico relacionado ao mercado voluntário de carbono.
À medida que as árvores crescem, ocorre a captura de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera. O carbono capturado é monitorado, quantificado e submetido a processos de certificação de acordo com metodologia reconhecida internacionalmente.
Os créditos de carbono resultantes podem ser comercializados no mercado voluntário, criando uma fonte adicional de receita para os produtores participantes.
A proposta é diversificar a renda da propriedade sem substituir a cafeicultura, que permanece como atividade principal.
Participação dos produtores é voluntária
O ingresso no Projeto Corredores Arborizados começa com a manifestação de interesse do produtor cooperado.
Na sequência, equipes técnicas da Expocacer e das empresas parceiras realizam um diagnóstico da propriedade para identificar sua aptidão e definir os locais mais adequados para implantação dos corredores.
O projeto é personalizado para cada fazenda e leva em consideração as condições produtivas e ambientais da unidade.
No modelo atual, estão contemplados planejamento técnico, implantação, fornecimento de mudas, assistência técnica, monitoramento e certificação, sem custo inicial direto para o produtor.
Em contrapartida, o cooperado precisa manter as árvores e cumprir o plano de manejo estabelecido durante o período de participação no projeto.
Fazenda Barinas foi escolhida para projeto-piloto
O primeiro projeto foi implantado na Fazenda Barinas, em Araxá (MG), na região do Cerrado Mineiro, propriedade do cooperado Marcio Borges Castro Alves.
A escolha da fazenda esteve relacionada ao histórico de ocorrência de geadas severas em determinadas áreas da propriedade, condição que permitiu testar a integração planejada de árvores como estratégia de adaptação climática.
A implantação começou em 2025 e a unidade passou a funcionar como área demonstrativa para avaliação técnica e aperfeiçoamento da metodologia.
Segundo a Expocacer, os primeiros resultados indicam avanços na formação de um microclima mais favorável, além da recuperação de áreas vulneráveis e do fortalecimento da resiliência da lavoura.
Expocacer pretende ampliar projeto para outras propriedades
Com a Fazenda Barinas como ponto de partida, a expectativa da cooperativa é ampliar gradualmente o Projeto Corredores Arborizados para outras propriedades de seus cooperados.
A estratégia prevê a formação de uma rede de fazendas regenerativas, combinando produção de café, adaptação às mudanças climáticas, conservação ambiental e geração de valor econômico.
A iniciativa também está alinhada às exigências crescentes dos mercados internacionais por sustentabilidade, rastreabilidade e redução de impactos ambientais.
Ao integrar cafeicultura, arborização, agricultura regenerativa e créditos de carbono, o projeto busca transformar a adaptação climática em uma estratégia de longo prazo para a produção de café no Cerrado Mineiro.
Principais benefícios do Projeto Corredores Arborizados
- Maior resiliência das lavouras diante de eventos climáticos extremos;
- Formação de microclima mais equilibrado;
- Melhoria da estrutura e conservação do solo;
- Maior infiltração e retenção de água;
- Redução de processos erosivos;
- Ampliação da biodiversidade;
- Estímulo ao controle biológico natural de pragas;
- Manutenção da mecanização das lavouras;
- Captura e certificação de carbono;
- Possibilidade de geração de receita adicional com créditos de carbono;
- Fortalecimento da agricultura regenerativa na cafeicultura.
Fonte: Portal do Agronegócio
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