Café: Vietnã acelera exportações, Índia ganha espaço e Indonésia reduz embarques na Ásia
Mercado internacional de café acompanha recuperação da oferta vietnamita e maior demanda por robusta, enquanto El Niño aumenta os riscos climáticos para as próximas safras asiáticas
Publicado em: 17/08/2026 às 10:20hs
O mercado internacional de café acompanha movimentos distintos entre os principais produtores asiáticos. Enquanto o Vietnã acelera as exportações, a Índia amplia sua participação nos embarques internacionais e a Indonésia registra queda no ritmo das vendas externas. Ao mesmo tempo, a intensificação do El Niño aumenta as preocupações com o potencial produtivo das próximas safras na região.
Uma análise da Hedgepoint Global Markets mostra que as exportações vietnamitas alcançaram 25,6 milhões de sacas entre outubro de 2025 e julho de 2026, crescimento de 20,3% em relação ao mesmo período da temporada anterior. O volume também supera a média de 10 anos, estimada em 23,5 milhões de sacas.
O desempenho reflete principalmente a recuperação da produção do Vietnã após quatro temporadas consecutivas de queda, além da demanda internacional aquecida pelo café robusta, variedade na qual o país é uma das principais referências globais.
Vietnã pode exportar 29,2 milhões de sacas
Depois de três meses de retração, os embarques vietnamitas voltaram a crescer em julho. Foram exportadas 2,4 milhões de sacas, alta de 16,9% em comparação com junho.
Segundo a Hedgepoint, a recuperação pode estar relacionada à valorização dos preços do café observada desde o final de junho, que teria estimulado produtores e agentes comerciais a liberar parte dos estoques.
Apesar disso, o Vietnã já se encontra na entressafra, e muitos produtores ainda mantêm café remanescente armazenado.
Mesmo com a redução sazonal dos embarques esperada para os meses finais da temporada, a projeção indica que o país poderá encerrar a safra 2025/26 com 29,2 milhões de sacas exportadas.
O volume ficaria acima do registrado nas temporadas mais recentes e reforça a importância do Vietnã para o equilíbrio da oferta mundial de robusta.
Compradores já olham para a safra 2026/27
Com a aproximação do novo ciclo, compradores internacionais começaram a construir posições para a safra 2026/27, cujos primeiros embarques estão previstos a partir de dezembro.
Apesar desse movimento antecipado, a avaliação da Hedgepoint é de que poucos negócios foram efetivamente fechados até o momento.
O comportamento dos preços internacionais e as condições climáticas dos próximos meses serão determinantes para definir o ritmo das novas comercializações.
El Niño aumenta risco para a produção vietnamita
O clima aparece como um dos principais pontos de atenção para o café asiático.
A intensificação do El Niño nos próximos meses pode favorecer condições mais secas no Vietnã, aumentando a dependência da irrigação durante a fase final de desenvolvimento das lavouras.
Diante desse cenário, a Hedgepoint revisou marginalmente para baixo sua estimativa de produção vietnamita, para 30,1 milhões de sacas.
Por outro lado, a expansão da área cultivada nos últimos anos pode ajudar a compensar parte dos efeitos negativos provocados pelo clima.
Para 2026/27, a projeção inicial aponta para 28,5 milhões de sacas exportadas pelo Vietnã, volume ligeiramente inferior ao esperado para a temporada atual.
Ainda assim, os embarques podem surpreender positivamente, repetindo o desempenho observado em 2025/26, e permanecer em níveis superiores aos registrados em boa parte dos últimos anos.
Índia amplia exportações de café
A Índia também vem ganhando espaço no comércio internacional de café.
No acumulado da safra 2025/26, o país exportou 5,7 milhões de sacas, avanço de 11,6% em relação ao ciclo anterior.
A combinação entre preços elevados e demanda crescente por robusta favorece a competitividade do café indiano. A arbitragem em relação ao arábica também contribui para sustentar o interesse dos compradores.
Para o próximo ciclo, porém, o cenário pode ser menos favorável.
Uma eventual redução da produção, associada aos impactos negativos do El Niño sobre as monções, pode limitar o crescimento das exportações indianas em 2026/27.
O comportamento das chuvas será, portanto, decisivo para determinar o potencial de oferta do país.
Indonésia reduz ritmo dos embarques
Na Indonésia, o cenário é diferente.
As exportações somaram 1,5 milhão de sacas entre abril e junho, queda de 26,8% em relação ao mesmo período de 2025/26.
O recuo está relacionado principalmente ao atraso no início da colheita e à redução dos estoques disponíveis, após o elevado ritmo de exportações registrado na temporada anterior.
Mesmo com a queda recente, os embarques indonésios continuam acima da média histórica de 10 anos.
Com a colheita avançando para a reta final, a expectativa é de recuperação do ritmo das exportações nos próximos meses.
Indonésia deve exportar 8,6 milhões de sacas
Para a temporada 2026/27, a Hedgepoint estima exportações totais de 8,6 milhões de sacas pela Indonésia.
O volume ficaria abaixo das 9,8 milhões de sacas exportadas em 2025/26, mas ainda representaria um desempenho relevante em comparação com os últimos anos.
A redução projetada está associada principalmente à menor produção.
As lavouras foram prejudicadas por chuvas intensas durante o período de florada, que provocaram queda de flores e reduziram o potencial produtivo dos cafezais.
Com a evolução da colheita, o mercado deverá avaliar se a produção efetivamente confirma as estimativas ou se os embarques poderão superar as projeções iniciais.
Robusta ganha importância no mercado mundial
Os movimentos registrados no Vietnã, na Índia e na Indonésia reforçam a importância do robusta para o equilíbrio do mercado mundial de café.
A demanda permanece sustentada, enquanto a relação de preços entre robusta e arábica influencia as decisões de compra e substituição dos consumidores e da indústria.
O Vietnã continua sendo o principal destaque entre as origens asiáticas, especialmente pela recuperação da oferta e pelo crescimento das exportações.
A Índia, por sua vez, amplia sua presença internacional, enquanto a Indonésia apresenta uma retração temporária nos embarques, com possibilidade de recuperação ao longo do ciclo.
El Niño é fator-chave para o café asiático
O clima deverá permanecer no centro das atenções do mercado nos próximos meses.
A possibilidade de condições mais secas em algumas áreas produtoras asiáticas pode elevar a necessidade de irrigação e aumentar os riscos para o desenvolvimento das lavouras.
No Vietnã, o impacto potencial sobre a produção já levou a Hedgepoint a realizar uma revisão marginal da estimativa.
Na Índia, a preocupação está concentrada principalmente no comportamento das monções, enquanto na Indonésia os efeitos das chuvas já foram observados sobre a florada e o potencial produtivo.
O que esperar do mercado de café?
As perspectivas para o mercado internacional de café em 2026/27 apontam para uma oferta asiática ainda relevante, mas cercada por incertezas climáticas.
O Vietnã deve continuar apresentando volumes elevados de exportação, mesmo com uma possível redução no próximo ciclo. A Índia tende a manter maior presença no comércio internacional, especialmente enquanto a demanda por robusta permanecer aquecida. Já a Indonésia pode recuperar o ritmo dos embarques com o avanço da colheita.
Para o mercado global, o principal ponto de atenção será a evolução do El Niño e seus efeitos sobre produção, chuvas, irrigação e produtividade.
Qualquer alteração significativa nas condições climáticas poderá modificar as estimativas de oferta e, consequentemente, influenciar os preços internacionais do café.
Mercado de café segue atento à oferta asiática
A combinação de exportações elevadas do Vietnã, crescimento dos embarques da Índia e recuperação esperada da Indonésia mantém a Ásia no centro das atenções do mercado mundial de café.
Ao mesmo tempo, a demanda firme por robusta oferece suporte aos preços, enquanto o clima adiciona um componente de risco para as próximas temporadas.
Para produtores, exportadores, torrefadoras e compradores, acompanhar os embarques asiáticos e os indicadores climáticos será fundamental para antecipar possíveis mudanças no equilíbrio entre oferta e demanda global.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias