Café supera 310 cents em Nova York, mas dólar em queda limita negócios no Brasil
Arábica e robusta avançam no início desta segunda-feira (19), com clima e estoques no radar; mercado físico brasileiro tende a ter negociações pontuais após valorização na sexta-feira
Publicado em: 19/10/2026 às 11:20hs
O mercado do café iniciou esta segunda-feira (19) com valorização nas bolsas de Nova York e Londres, enquanto a queda do dólar frente ao real tende a limitar as negociações no Brasil. Após a recuperação dos preços na sexta-feira (16), os produtores devem manter uma postura seletiva, negociando principalmente conforme a necessidade de caixa.
Nos primeiros negócios da manhã, o arábica ultrapassou 310 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. O movimento, porém, apresentou oscilações: os levantamentos fornecidos apontaram o contrato dezembro/26 entre 306,25 e 310,65 cents em diferentes momentos da sessão.
As condições climáticas no Brasil e no Vietnã, os estoques certificados e as perspectivas para a oferta mundial seguem entre os principais fatores acompanhados pelos agentes.
Café arábica avança em Nova York após forte alta na sexta-feira
Por volta das 7h14, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do café arábica era negociado a 310,65 cents por libra-peso, com alta de 1,65% na ICE Futures US.
No mesmo horário, o vencimento março/27 avançava 1,27%, a 298,25 cents por libra-peso, enquanto maio/27 também subia 1,27%, cotado a 294,20 cents.
Outro levantamento, sem horário informado, indicava dezembro/26 a 306,25 cents, ganho de 0,21% sobre o fechamento anterior. As referências mostram a oscilação das cotações ao longo dos registros da manhã.
Na sexta-feira, o contrato dezembro/26 encerrou a sessão a 305,60 cents por libra-peso, avanço de 10,80 cents, equivalente a aproximadamente 3,7%.
Robusta também começa a semana em alta em Londres
O café robusta acompanhava a valorização do arábica no início da segunda-feira na ICE Futures Europe.
O contrato novembro/26 era cotado a US$ 3.432 por tonelada, com ganho de US$ 18. Janeiro/27 avançava US$ 24, a US$ 3.429 por tonelada, e março/27 subia US$ 27, negociado a US$ 3.405.
O movimento dava continuidade à recuperação da sexta-feira, quando o vencimento novembro/26 registrou valorização de 1,16%.
Dólar mais baixo mantém cautela no mercado físico brasileiro
Apesar dos ganhos registrados nas bolsas internacionais no início da sessão, a desvalorização da moeda norte-americana tende a reduzir parte do suporte aos preços domésticos do café.
No levantamento apresentado, o dólar comercial recuava 0,39%, a R$ 5,0528. O Dollar Index, que mede o desempenho da moeda diante de uma cesta de divisas, caía 0,07%, para 101,843 pontos.
A combinação entre câmbio em baixa e oscilações nos futuros favorece uma postura cautelosa dos produtores. A expectativa é de comercialização pontual, condicionada aos preços oferecidos e às necessidades financeiras dos vendedores.
Na sexta-feira, o ambiente foi mais favorável aos negócios. A valorização do arábica em Nova York e do robusta em Londres estimulou a oferta, embora os compradores brasileiros não tenham elevado suas propostas na mesma proporção das bolsas.
Preços do café subiram nas principais praças na sexta-feira
As referências do mercado físico brasileiro avançaram no encerramento da semana passada, com destaque para o arábica em Minas Gerais.
No Sul de Minas, o café arábica bebida boa, com 15% de catação, passou de R$ 1.660–1.665 para R$ 1.710–1.715 por saca.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também com 15% de catação, foi cotado entre R$ 1.720 e R$ 1.725 por saca, ante R$ 1.670–1.675 na referência anterior.
Na Zona da Mata mineira, o arábica bebida rio, tipo 7, safra 2026, com 20% de catação, alcançou R$ 1.190–1.200 por saca, contra R$ 1.170–1.175 anteriormente.
Em Vitória (ES), o conilon tipo 7 subiu de R$ 950–955 para R$ 960–965 por saca. O tipo 7/8 avançou de R$ 940–945 para R$ 950–955.
Fundos reduzem posição comprada no café arábica
O relatório de compromissos dos traders da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC), com dados até 13 de outubro, mostrou redução das posições líquidas compradas dos grandes fundos e especuladores no café de Nova York.
O saldo passou de 16.213 para 13.536 contratos, uma diminuição de 2.677 contratos em uma semana.
As empresas comerciais, grupo que inclui indústrias, corretoras e comerciantes, mantinham posição líquida vendida de 14.252 contratos. Já as posições não reportáveis, associadas a pequenos especuladores e negociadores locais, apresentavam saldo líquido comprado de 716 contratos.
O total de contratos em aberto no mercado futuro de arábica atingiu 163.626, aumento semanal de 820 lotes.
Clima no Brasil e no Vietnã orienta perspectivas para a oferta
Nas regiões brasileiras produtoras de arábica, o mercado acompanha a distribuição das chuvas durante a florada e o desenvolvimento da próxima safra. No Vietnã, as precipitações também são monitoradas pelos possíveis efeitos sobre a disponibilidade de robusta.
Os estoques certificados de arábica em Nova York continuam no radar como fator de sustentação das cotações. Em contrapartida, as perspectivas de maior produção global e o ritmo das exportações dos principais países produtores podem limitar os movimentos de alta.
Para o mercado brasileiro, a continuidade da recuperação dependerá também do câmbio e da disposição dos compradores em acompanhar os ganhos externos nas propostas feitas aos produtores.
Fonte: Portal do Agronegócio
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