Publicado em: 15/05/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de café deve encerrar a semana com baixo volume de negócios, refletindo a combinação de queda nas bolsas internacionais, avanço da colheita brasileira e maior cautela dos produtores diante das oscilações cambiais e climáticas.
Nesta sexta-feira (15), os contratos futuros do café abriram em baixa tanto na Bolsa de Nova York quanto em Londres, pressionando os preços do arábica e do robusta no mercado físico nacional. A movimentação acompanha ajustes técnicos dos investidores, além da expectativa de maior oferta com a entrada da safra brasileira.
Na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), o contrato julho/2026 do café arábica operava com queda de 1,31%, cotado a 277,00 centavos de dólar por libra-peso. Na sessão anterior, o vencimento já havia encerrado em baixa de 1,8%, aos 275,70 cents/lbp.
Os demais contratos também registraram perdas no início do pregão. O julho/26 recuava para 273,30 cents/lbp, enquanto setembro/26 caía para 266,10 cents/lbp e dezembro/26 era negociado a 259,55 cents/lbp.
Em Londres, o café robusta seguiu o mesmo movimento negativo. O contrato julho/26 era negociado a US$ 3.417 por tonelada, enquanto setembro/26 recuava para US$ 3.303 por tonelada.
No Brasil, compradores reduziram as ofertas acompanhando as perdas externas. Segundo agentes do setor, os produtores seguem cautelosos e negociam apenas de forma pontual, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
O mercado relata que os compradores não acompanham integralmente os movimentos de alta das bolsas e intensificam a pressão sobre os preços quando há quedas internacionais, o que acaba travando os negócios.
Apesar da lentidão nas negociações, o interesse pela compra de café permanece ativo para diferentes padrões de qualidade, especialmente para atender à demanda de exportação.
No sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa com 15% de catação foi negociado entre R$ 1.740 e R$ 1.745 por saca, abaixo dos R$ 1.780 a R$ 1.785 registrados anteriormente.
No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura com 15% de catação caiu para R$ 1.760/R$ 1.765 por saca, contra R$ 1.800/R$ 1.805 no comparativo diário.
Já o arábica tipo rio 7 na Zona da Mata mineira recuou para R$ 1.160/R$ 1.165 por saca.
No Espírito Santo, o conilon tipo 7 em Vitória foi cotado entre R$ 945 e R$ 950 por saca, enquanto o tipo 7/8 ficou entre R$ 940 e R$ 945.
As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos agentes do setor. De acordo com previsões meteorológicas, as chuvas devem se concentrar entre o norte do Espírito Santo e o sul da Bahia nos próximos dias.
Uma nova frente fria também deve provocar precipitações em áreas produtoras do Sudeste, especialmente em São Paulo e no sul de Minas Gerais entre o fim de semana e o início da próxima semana.
As temperaturas permanecem mais baixas no centro-sul do Brasil, mas sem risco significativo de geadas para as lavouras de café. As mínimas podem ficar próximas de 10°C em regiões mais frias de São Paulo e do sul mineiro.
Para a próxima semana, a previsão indica continuidade das instabilidades climáticas sobre o Sudeste, com chuvas moderadas em áreas produtoras de São Paulo, Sul de Minas, Zona da Mata, Triângulo Mineiro, Rio de Janeiro e Espírito Santo.
Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da ICE Futures permaneceram estáveis em 471.985 sacas de 60 quilos na posição de 14 de maio de 2026.
O mercado cambial também influencia o comportamento do café. O dólar comercial operava em alta de 1,20%, cotado a R$ 5,0491, enquanto o Dollar Index avançava para 99,194 pontos.
No cenário internacional, as principais bolsas asiáticas encerraram o dia em baixa, com destaque para China (-1,02%) e Japão (-1,99%). Na Europa, os índices também registravam forte recuo, com Paris caindo 1,59%, Frankfurt 1,92% e Londres 1,89%.
Já o petróleo operava em alta, com o WTI para julho negociado próximo de US$ 99,84 por barril, avanço de 3,05%, movimento que mantém atenção dos mercados globais sobre inflação e custos logísticos.
Fonte: Portal do Agronegócio
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