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Café recua em Nova York e dólar cai, ampliando pressão sobre preços no mercado brasileiro

Perspectiva de maior oferta global, avanço das exportações do Brasil e aumento dos estoques certificados limitam as cotações; produtores reduzem ritmo de negociação


Publicado em: 17/09/2026 às 11:30hs

Café recua em Nova York e dólar cai, ampliando pressão sobre preços no mercado brasileiro

O mercado brasileiro de café inicia esta quinta-feira (17) sob pressão baixista, refletindo a queda do arábica na Bolsa de Nova York e a desvalorização do dólar frente ao real. A combinação reduz as referências domésticas e leva produtores a adotar uma postura mais cautelosa nas negociações.

Na quarta-feira (16), o mercado físico já havia registrado preços menores e pouca movimentação. A queda do arábica na ICE Futures US e do robusta em Londres restringiu os negócios, realizados principalmente para atender necessidades imediatas de compradores e vendedores.

No exterior, as cotações são pressionadas pela percepção de melhora na oferta global, pelo ritmo elevado das exportações brasileiras e pelas condições climáticas até agora favoráveis às floradas da safra de 2027.

Arábica cai nas principais regiões produtoras

No Sul de Minas Gerais, o café arábica bebida boa, com 15% de catação e da safra nova, foi negociado entre R$ 1.610 e R$ 1.615 por saca. Anteriormente, os valores variavam de R$ 1.620 a R$ 1.625.

No Cerrado Mineiro, o arábica bebida dura, também com 15% de catação, recuou para a faixa de R$ 1.620 a R$ 1.625 por saca. No dia anterior, as indicações estavam entre R$ 1.630 e R$ 1.635.

Na Zona da Mata de Minas Gerais, o arábica rio tipo 7 da safra 2026, com 20% de catação, foi cotado entre R$ 1.210 e R$ 1.215 por saca, ante R$ 1.220 a R$ 1.225 anteriormente.

A retração dos preços externos e do câmbio reduz o interesse dos produtores em negociar volumes maiores. Com isso, a comercialização tende a permanecer restrita até que surjam referências consideradas mais favoráveis.

Conilon recua até R$ 20 por saca no Espírito Santo

O mercado do conilon também apresentou perdas. Em Vitória, no Espírito Santo, o tipo 7 da safra 2026 caiu para valores entre R$ 960 e R$ 965 por saca. As cotações anteriores variavam de R$ 980 a R$ 985.

O conilon tipo 7/8 foi indicado entre R$ 950 e R$ 955 por saca, após operar na faixa de R$ 970 a R$ 975.

A desvalorização do robusta em Londres contribuiu para reduzir as referências domésticas, mantendo o mercado capixaba com negociações limitadas.

Café arábica amplia perdas em Nova York

Na abertura desta quinta-feira, o contrato de café arábica para dezembro de 2026 recuava 0,92% na Bolsa de Nova York, cotado a 278,85 centavos de dólar por libra-peso.

Na sessão anterior, o mesmo vencimento encerrou a 281,55 centavos de dólar por libra-peso, queda de 2,10 centavos, equivalente a 0,7%.

O contrato para março de 2027 fechou a quarta-feira a 273,35 centavos de dólar por libra-peso, desvalorização de 1,70 centavo, ou 0,6%.

Movimentos técnicos e a cobertura de posições vendidas limitaram parte das perdas. Ainda assim, a pressão exercida pela perspectiva de abastecimento mais confortável prevaleceu sobre as cotações.

Exportações brasileiras reforçam percepção de maior oferta

As exportações elevadas do Brasil nos últimos meses aumentaram a confiança do mercado em relação ao abastecimento mundial. A expectativa é de que o país mantenha embarques expressivos ao longo da temporada 2026/27, considerada no intervalo entre julho e junho.

As condições meteorológicas nas regiões produtoras brasileiras também favoreceram, até o momento, a abertura das floradas para a safra de 2027. O desenvolvimento das lavouras, porém, continuará sendo acompanhado devido aos possíveis efeitos do El Niño nos próximos meses.

A combinação entre exportações firmes, perspectivas favoráveis para a florada e expectativa de melhora na oferta global reduz o suporte às cotações internacionais.

Estoques certificados aumentam em 15,8 mil sacas

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados pela ICE Futures alcançaram 233.479 sacas de 60 quilos em 16 de setembro.

O volume aumentou 15.833 sacas em relação ao dia anterior. O avanço dos estoques reforça a percepção de maior disponibilidade do produto e adiciona pressão sobre os contratos futuros.

Dólar em queda limita preços no Brasil

O dólar comercial recuava 0,31%, cotado a R$ 5,1363. O Dollar Index, que acompanha o desempenho da moeda norte-americana diante de uma cesta de divisas, apresentava baixa de 0,14%, aos 100,107 pontos.

A desvalorização do dólar diminui a conversão para reais das cotações internacionais, reduzindo o suporte aos preços pagos aos produtores brasileiros.

O ambiente financeiro também contribuía para a cautela. As bolsas asiáticas fecharam sem direção única, com queda de 0,41% na China e alta de 0,33% no Japão. Na Europa, Paris avançava 0,77%, Frankfurt subia 0,88% e Londres registrava valorização de 0,76%.

O petróleo operava em baixa, com o contrato do WTI para outubro cotado a US$ 99,90 por barril, recuo de 2,46%. A queda de outras commodities também ajudava a manter a pressão sobre o café.

Com Nova York e dólar em baixa, estoques certificados maiores e produtores retraídos, o mercado físico brasileiro tende a permanecer lento e com preços pressionados no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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