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Café: preços recuam nas bolsas, mas oferta restrita, estoques baixos e safra lenta sustentam mercado

Arábica e robusta operam em queda nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (16), porém fundamentos seguem firmes com exportações menores, estoques historicamente reduzidos e avanço lento da colheita brasileira.


Publicado em: 16/07/2026 às 11:40hs

Café: preços recuam nas bolsas, mas oferta restrita, estoques baixos e safra lenta sustentam mercado

As cotações do café iniciaram esta quinta-feira (16) em queda nas bolsas internacionais, devolvendo parte dos ganhos registrados nos últimos pregões de forte volatilidade. Apesar da pressão técnica sobre os contratos futuros, o mercado segue sustentado por fundamentos considerados sólidos, como a oferta limitada de café, os baixos estoques certificados, a redução das exportações brasileiras e o ritmo mais lento da colheita da safra 2026.

Na ICE Futures US (Nova York), o contrato de café arábica com vencimento em setembro/2026 recuava 390 pontos, negociado a 318,85 cents por libra-peso. O contrato dezembro/2026 registrava queda ainda mais intensa, de 760 pontos, cotado a 302,35 cents/lbp.

Já na ICE Europe (Londres), o café robusta também operava em baixa. O vencimento setembro/2026 era negociado a US$ 3.851 por tonelada, com recuo de 60 pontos, enquanto novembro/2026 caía 58 pontos, para US$ 3.806 por tonelada.

Oferta restrita continua sendo principal suporte das cotações

Embora o mercado apresente correção nesta abertura, os fatores fundamentais permanecem favoráveis aos preços no médio prazo.

A disponibilidade física de café continua limitada tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Além disso, investidores seguem atentos ao comportamento da safra brasileira, considerada decisiva para o equilíbrio entre oferta e demanda global nos próximos meses.

O ritmo mais lento da colheita, aliado à baixa disponibilidade de café remanescente da safra anterior, reduz a pressão de venda e impede movimentos mais expressivos de baixa nas bolsas.

Exportações brasileiras encerram ano-safra em queda

Dados divulgados pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o Brasil embarcou 3,06 milhões de sacas em junho, encerrando o ano-safra 2025/26 com 38,462 milhões de sacas exportadas, volume 15,7% inferior ao registrado no ciclo anterior.

As exportações de café arábica totalizaram 29,499 milhões de sacas, representando retração de 15,31% em relação ao ano-safra 2024/25.

Considerando apenas o primeiro semestre de 2026, o país exportou 17,831 milhões de sacas, queda de 8,3% na comparação anual.

O Porto de Santos manteve sua liderança na logística do setor, respondendo por aproximadamente 75% das exportações brasileiras, com embarques de 28,859 milhões de sacas ao longo do ciclo.

Mercado físico registra forte demanda, mas produtores vendem apenas o necessário

No mercado interno, a comercialização segue em ritmo moderado.

Segundo avaliação do Escritório Carvalhaes, permanece elevado o interesse comprador para praticamente todos os padrões de café. Entretanto, a oferta disponível continua bastante reduzida.

A consultoria destaca que há pouco café remanescente da safra anterior nas propriedades, enquanto a entrada da nova produção ocorre de forma gradual devido aos desafios enfrentados durante a colheita.

Entre os fatores que limitam o avanço dos trabalhos estão:

  • condições climáticas durante a colheita;
  • queda de frutos;
  • custos elevados de produção;
  • dificuldade para contratação de mão de obra.

Diante desse cenário, muitos produtores optam por comercializar apenas o volume necessário para cumprir compromissos financeiros imediatos, aguardando melhores oportunidades de preço para negociar o restante da produção.

Estoques certificados da ICE permanecem próximos das mínimas

Outro indicador que segue sustentando o mercado é o baixo nível dos estoques certificados de café arábica monitorados pela ICE.

Na atualização mais recente, os estoques recuaram para 334.289 sacas, redução de 5.363 sacas em relação ao levantamento anterior.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando os estoques somavam 831.612 sacas, a redução supera 497 mil sacas, evidenciando um cenário de oferta internacional bastante apertado.

Esse nível historicamente reduzido continua sendo um dos principais fatores de sustentação das cotações globais.

Clima favorece colheita e não há previsão de geadas

As condições climáticas seguem colaborando com o avanço da colheita nas principais regiões produtoras do Brasil.

Segundo as previsões meteorológicas, o tempo permanece seco e com temperaturas amenas durante a segunda quinzena de julho, favorecendo tanto a colheita quanto a secagem dos grãos.

As madrugadas continuam frias, principalmente nas áreas de maior altitude do Sul de Minas Gerais, onde as temperaturas podem variar entre 6°C e 7°C.

Apesar do frio, não há indicação de geadas ou de eventos climáticos extremos capazes de provocar danos aos cafezais.

As chuvas permanecem concentradas entre o Espírito Santo e o sul da Bahia, enquanto uma nova frente fria deve avançar sobre parte do país apenas na última semana de julho.

Mercado segue atento aos próximos fatores

O mercado internacional do café continua acompanhando de perto a evolução da colheita brasileira, o comportamento das exportações, o nível dos estoques certificados e as condições climáticas nas principais regiões produtoras.

Mesmo diante das oscilações diárias nas bolsas, o conjunto desses fatores mantém o cenário de oferta relativamente apertada, o que tende a limitar quedas mais acentuadas nas cotações e manter elevada a volatilidade nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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