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Café oscila com força: bolsas internacionais reagem após tombo, enquanto safra recorde do USDA pressiona mercado

Arábica sobe em Nova York e robusta avança em Londres após forte correção, mas projeção de safra mundial recorde, avanço da colheita brasileira e estoques reduzidos mantêm elevada volatilidade nas cotações do café.


Publicado em: 24/07/2026 às 11:50hs

Café oscila com força: bolsas internacionais reagem após tombo, enquanto safra recorde do USDA pressiona mercado

O mercado internacional do café voltou a operar em alta nesta sexta-feira (24), recuperando parte das perdas registradas no pregão anterior. A reação técnica ocorre após uma sessão marcada por intensa volatilidade, provocada principalmente pela divulgação das novas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que apontam uma safra mundial recorde na temporada 2026/27.

Apesar da recuperação dos contratos futuros, o cenário permanece de forte instabilidade. Os investidores acompanham simultaneamente o avanço da colheita brasileira, as condições climáticas nas principais regiões produtoras, a evolução dos estoques certificados e as perspectivas de oferta global.

Café arábica e robusta iniciam o dia em alta

Nas primeiras negociações desta sexta-feira, o contrato setembro/2026 do café arábica, negociado na ICE Futures US, registrava valorização superior a 200 pontos, sendo negociado próximo de 311,75 cents de dólar por libra-peso.

Na ICE Europe, o robusta também operava em recuperação. O contrato setembro avançava para US$ 3.726 por tonelada, refletindo um movimento de recompra após as expressivas perdas da sessão anterior.

A recuperação, entretanto, ainda é vista pelo mercado como um ajuste técnico, sem alterar o ambiente de elevada volatilidade observado nas últimas semanas.

USDA projeta safra mundial recorde e amplia pressão sobre os preços

O principal fator de pressão continua sendo o relatório semestral divulgado pelo USDA, que elevou significativamente as expectativas para a produção mundial de café.

Segundo o órgão norte-americano, a safra global de 2026/27 deverá alcançar 189,67 milhões de sacas de 60 quilos, crescimento de 6,1% em relação às 178,83 milhões de sacas estimadas para a temporada anterior.

Grande parte desse aumento está concentrada no Brasil.

O USDA estima que a produção brasileira atingirá 71,9 milhões de sacas, volume 14% superior ao da safra 2025/26.

A previsão contempla:

  • 47,5 milhões de sacas de café arábica;
  • 24,4 milhões de sacas de café robusta (conilon).

Ao mesmo tempo, o consumo mundial deverá crescer para 179,74 milhões de sacas, avanço de 3,6%, impulsionado principalmente pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Mesmo com o aumento da demanda, a produção deverá superar o consumo, resultando em um superávit global de aproximadamente 9,9 milhões de sacas, quase o dobro do excedente registrado na temporada anterior.

Queda das bolsas refletiu novo cenário global

Na quinta-feira (23), o impacto do relatório provocou uma forte liquidação nas bolsas internacionais.

O contrato setembro do café arábica chegou a oscilar 1.305 pontos entre a máxima e a mínima do dia, encerrando o pregão cotado a 309,40 cents de dólar por libra-peso, com queda de 725 pontos, o menor nível em cerca de duas semanas.

O robusta também apresentou elevada volatilidade. Depois de atingir máxima próxima de US$ 3.858 por tonelada, terminou o dia negociado a US$ 3.708, acumulando perda de US$ 88.

Além das projeções do USDA, a valorização do dólar frente ao real aumentou a pressão sobre as cotações internacionais.

Estoques certificados seguem oferecendo suporte ao mercado

Mesmo diante das perspectivas de maior oferta global, um fator continua limitando quedas mais acentuadas.

Os estoques certificados de café arábica da ICE Futures US permanecem em apenas 320.615 sacas, praticamente estáveis em relação ao dia anterior.

O volume, porém, segue muito inferior ao observado há um ano, quando os estoques ultrapassavam 806 mil sacas, evidenciando uma redução próxima de 485 mil sacas.

Esse aperto na disponibilidade física continua oferecendo sustentação estrutural aos preços e reduz o potencial de quedas mais intensas no curto prazo.

Mercado físico segue travado

No mercado brasileiro, o ritmo de comercialização permanece lento.

Segundo análises do Escritório Carvalhaes, há forte interesse comprador para praticamente todos os padrões de café arábica. No entanto, a intensa volatilidade das bolsas dificulta a formação de preços e reduz o fechamento de novos negócios.

Os produtores seguem adotando postura cautelosa, comercializando apenas volumes suficientes para atender compromissos financeiros imediatos, enquanto aguardam maior estabilidade nas cotações internacionais.

Clima favorece colheita, apesar de chuvas localizadas

As condições climáticas continuam sendo monitoradas de perto pelos participantes do mercado.

Uma frente fria provoca chuvas sobre áreas do Estado de São Paulo, podendo interromper temporariamente parte da colheita.

No decorrer da sexta-feira, a instabilidade pode alcançar o Sul de Minas Gerais e a Zona da Mata, porém sem previsão de acumulados significativos.

Durante o fim de semana, o Espírito Santo poderá registrar precipitações mais intensas, o que pode dificultar pontualmente os trabalhos de colheita e secagem dos grãos.

Apesar da queda das temperaturas após a passagem da frente fria, não há previsão de geadas capazes de provocar danos aos cafezais.

Para a maior parte da próxima semana, a expectativa permanece de tempo predominantemente seco nas principais regiões cafeeiras do Sudeste e da Bahia, favorecendo o avanço da colheita brasileira.

Mercado deve continuar sensível aos próximos indicadores

A combinação entre a expectativa de uma safra mundial recorde, o avanço da colheita brasileira e os estoques internacionais historicamente baixos mantém o mercado do café em um ambiente de elevada volatilidade.

Nos próximos dias, investidores deverão acompanhar principalmente a evolução da colheita no Brasil, novas revisões das estimativas de produção, o comportamento da demanda global e as condições climáticas, fatores que seguirão determinando a direção das cotações nas bolsas internacionais e no mercado físico brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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