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Café inicia semana em baixa nas bolsas internacionais; colheita no Brasil, clima e qualidade da safra mantêm mercado em alerta

Cotações do café arábica e robusta recuam no início da semana, enquanto investidores acompanham o avanço da colheita brasileira, riscos climáticos, estoques globais reduzidos e atuação dos fundos no mercado futuro.


Publicado em: 13/07/2026 às 11:20hs

Café inicia semana em baixa nas bolsas internacionais; colheita no Brasil, clima e qualidade da safra mantêm mercado em alerta

O mercado internacional do café iniciou esta segunda-feira (13) em compasso de espera, com leves desvalorizações nas bolsas de Nova York e Londres após uma sequência de pregões marcados por forte volatilidade. Os investidores seguem monitorando o avanço da colheita brasileira, as condições climáticas, a qualidade da safra 2026 e o posicionamento dos fundos de investimento, fatores que continuam determinando o comportamento das cotações.

Embora as perdas registradas na abertura sejam moderadas, o mercado permanece sensível a qualquer alteração na oferta global, especialmente diante dos estoques historicamente apertados e das incertezas sobre o clima nos principais países produtores.

Café arábica recua em Nova York

Na ICE Futures US, em Nova York, os contratos futuros do café arábica operavam em queda durante o início da manhã.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a 333,10 centavos de dólar por libra-peso, registrando recuo de 115 pontos.

Já o contrato para dezembro de 2026 era cotado a 313,55 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 245 pontos.

Apesar da correção, os preços seguem em patamares historicamente elevados, sustentados pelas preocupações com a oferta mundial e pelo ritmo da colheita brasileira.

Robusta também registra leves perdas em Londres

Na ICE Europe, referência para o café robusta (conilon), o movimento também foi de ajuste técnico.

O contrato setembro de 2026 era negociado a US$ 3.830 por tonelada, queda de 22 dólares.

O vencimento novembro de 2026 operava a US$ 3.800 por tonelada, recuando 19 dólares.

Segundo analistas, o mercado continua avaliando o potencial produtivo do conilon brasileiro, especialmente no Espírito Santo, além da evolução da oferta dos países asiáticos.

Colheita brasileira perde ritmo e reforça suporte aos preços

De acordo com análise da Safras & Mercado, a intensa volatilidade observada na última semana foi influenciada tanto por fatores financeiros quanto por fundamentos relacionados à oferta.

O analista Gil Barabach destaca que o vencimento de opções, a realocação de posições pelos fundos e movimentos técnicos ampliaram as oscilações dos contratos futuros. Entretanto, o mercado também passou por uma importante mudança em sua estrutura de preços, refletindo um cenário mais consistente do ponto de vista fundamental.

O ritmo da colheita brasileira ficou abaixo do esperado em diversas regiões produtoras devido às chuvas registradas durante o período de colheita. A umidade dificultou os trabalhos no campo, atrasou a secagem e o beneficiamento dos grãos e aumentou as preocupações quanto à qualidade do café arábica.

Além disso, revisões nas estimativas da produção de café conilon no Espírito Santo contribuíram para reduzir parte do otimismo inicial em relação ao aumento da oferta brasileira.

El Niño e estoques reduzidos seguem no radar do mercado

Outro fator que continua sustentando a cautela entre os investidores é a possibilidade de fortalecimento do fenômeno El Niño nos próximos meses.

Caso o evento climático se intensifique, poderá afetar a produção das próximas safras no Brasil e também em importantes fornecedores mundiais de robusta, como Vietnã e Indonésia.

Em um cenário de estoques globais reduzidos, principalmente nos armazéns certificados das bolsas internacionais, qualquer risco climático tende a elevar a volatilidade e oferecer sustentação às cotações.

Mercado físico brasileiro permanece travado

No mercado interno, o ambiente continua marcado por negociações pontuais.

Segundo levantamento da Safras & Mercado, compradores reduziram o ritmo das aquisições durante os momentos de alta das bolsas, enquanto produtores preferiram segurar ofertas nas sessões de baixa.

Esse comportamento limitou o volume de negócios realizados na última semana e reforçou o compasso de espera entre os agentes da cadeia cafeeira.

A expectativa é de que o mercado físico volte a ganhar liquidez à medida que a colheita avance e haja maior definição sobre a qualidade da safra brasileira.

Perspectivas para o mercado do café

Os próximos dias devem continuar sendo marcados por elevada volatilidade. Entre os principais fatores acompanhados pelos investidores estão:

  • avanço da colheita de café no Brasil;
  • qualidade dos grãos colhidos após as chuvas;
  • evolução das estimativas de produção de arábica e conilon;
  • comportamento dos fundos de investimento nas bolsas internacionais;
  • desenvolvimento do fenômeno El Niño;
  • nível dos estoques globais de café.

Enquanto persistirem as incertezas sobre a oferta mundial e as condições climáticas, o mercado tende a permanecer sensível a novas oscilações, mantendo os preços do café em níveis elevados e com forte influência dos fatores financeiros e dos fundamentos de oferta e demanda.

Fonte: Portal do Agronegócio

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