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Café hoje: Bolsa de Nova York recua, dólar limita perdas e mercado físico segue travado no Brasil

Arábica e robusta operam em queda nas bolsas internacionais, enquanto produtores resistem às vendas, estoques certificados continuam em baixa e clima permanece no radar da safra brasileira.


Publicado em: 23/07/2026 às 11:30hs

Café hoje: Bolsa de Nova York recua, dólar limita perdas e mercado físico segue travado no Brasil

O mercado de café inicia esta quinta-feira (23) sob pressão nas bolsas internacionais, refletindo o cenário de ampla oferta global, ajustes técnicos e a expectativa em torno da evolução da colheita brasileira. Apesar da queda das cotações em Nova York e Londres, a valorização do dólar frente ao real tende a amenizar parte das perdas no mercado doméstico e pode favorecer negócios voltados às exportações.

No Brasil, entretanto, o ritmo das negociações permanece reduzido. A diferença entre os preços pedidos pelos produtores e os valores ofertados pelos compradores continua impedindo o fechamento de novos negócios, mantendo o mercado físico praticamente parado.

Bolsa de Nova York amplia pressão sobre o café arábica

Os contratos futuros do café arábica operam em queda na ICE Futures US nesta quinta-feira, acompanhando o movimento de realização de lucros após a recuperação observada na sessão anterior.

O contrato com vencimento em setembro de 2026 recuava cerca de 1,3%, sendo negociado próximo de 312,60 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o contrato de dezembro também apresentava perdas.

Na ICE Europe, em Londres, o café robusta também registra desvalorização. O vencimento setembro/2026 era negociado em torno de US$ 3.818 por tonelada, enquanto novembro/2026 operava próximo de US$ 3.799 por tonelada.

O mercado internacional continua monitorando principalmente:

  • avanço da colheita brasileira;
  • disponibilidade global de café;
  • comportamento da demanda internacional;
  • condições climáticas nas principais regiões produtoras.
Mercado físico brasileiro segue com poucos negócios

Mesmo com o mercado internacional bastante volátil, o mercado físico brasileiro continua praticamente sem liquidez.

Segundo análises do mercado, compradores demonstram interesse em adquirir café, mas os produtores permanecem resistentes às vendas diante das fortes oscilações das bolsas internacionais. Muitos comercializam apenas volumes necessários para fazer caixa, aguardando preços considerados mais atrativos.

De acordo com Safras & Mercado, a distância entre as ofertas de compra e as pedidas dos vendedores mantém o mercado travado.

Na quarta-feira (22), os preços do arábica recuaram acompanhando as perdas registradas em Nova York, enquanto o conilon apresentou estabilidade.

Entre as principais referências de preços:

  • Sul de Minas: arábica bebida boa variou entre R$ 1.740 e R$ 1.750 por saca, abaixo dos R$ 1.760 a R$ 1.770 registrados anteriormente.
  • Cerrado Mineiro: arábica bebida dura foi negociado entre R$ 1.750 e R$ 1.760 por saca.
  • Zona da Mata (MG): arábica tipo Rio ficou entre R$ 1.330 e R$ 1.335 por saca.
  • Espírito Santo: o conilon tipo 7 permaneceu estável entre R$ 1.090 e R$ 1.095 por saca, enquanto o tipo 7/8 foi cotado entre R$ 1.080 e R$ 1.085.
Estoques certificados continuam caindo

Mesmo diante da pressão sobre os preços, um dos fatores que segue oferecendo sustentação ao mercado é a redução dos estoques certificados da ICE.

Os estoques encerraram o dia 22 de julho com 320.615 sacas de 60 quilos, redução de 8.144 sacas em relação ao dia anterior.

O volume disponível permanece cerca de 60% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando superava 807 mil sacas, evidenciando que a oferta de café certificado continua limitada no mercado internacional.

Clima segue no radar dos produtores

As condições climáticas continuam sendo acompanhadas de perto pelos participantes do mercado durante a reta final da colheita.

A previsão indica o avanço de uma frente fria sobre parte do Estado de São Paulo entre quinta e sexta-feira, podendo provocar chuvas moderadas e interromper temporariamente os trabalhos de colheita em algumas áreas.

No Sul de Minas Gerais e na Zona da Mata, as precipitações devem ocorrer de forma isolada, sem volumes expressivos. Já no Espírito Santo, as chuvas podem ser mais intensas durante o fim de semana, trazendo dificuldades pontuais para a colheita e a secagem dos grãos.

Apesar da queda nas temperaturas, os modelos meteorológicos não indicam risco de geadas capazes de provocar danos às lavouras cafeeiras.

Dólar favorece exportações

No mercado cambial, o dólar opera em alta frente ao real, girando em torno de R$ 5,07 durante a manhã.

A valorização da moeda norte-americana tende a aumentar a competitividade do café brasileiro no mercado externo, reduzindo parcialmente os efeitos negativos da queda das bolsas internacionais sobre os preços internos.

Mercado acompanha cenário financeiro global

O ambiente macroeconômico também influencia o comportamento das commodities.

As bolsas asiáticas encerraram o pregão em alta, enquanto os principais índices europeus operam em baixa. No mercado de energia, o petróleo registra valorização, com o contrato WTI sendo negociado acima de US$ 90 por barril.

Perspectivas para o mercado de café

Os próximos dias devem continuar sendo marcados por elevada volatilidade. Os investidores acompanham simultaneamente a evolução da colheita brasileira, o comportamento dos estoques certificados, as condições climáticas e a demanda internacional.

Enquanto a oferta disponível segue relativamente restrita e os produtores mantêm postura cautelosa nas vendas, o mercado tende a permanecer sensível às oscilações das bolsas internacionais e do câmbio, fatores que continuarão determinando a formação dos preços do café no Brasil e no exterior.

Fonte: Portal do Agronegócio

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