Café cai mais de 2% em Nova York e Londres; arábica se aproxima de 300 cents
Expectativa de maior oferta global pressiona os preços nesta segunda-feira (26); robusta para janeiro fica abaixo de US$ 3.200 por tonelada, enquanto estoques limitados de arábica seguem no radar
Publicado em: 26/10/2026 às 11:20hs
Os preços internacionais do café abriram a segunda-feira (26) em queda nas bolsas de Nova York e Londres. As perdas superavam 2% em parte dos contratos, com o mercado acompanhando as perspectivas de aumento da oferta mundial, a evolução dos estoques certificados e o desempenho das exportações brasileiras.
Em Nova York, o café arábica para dezembro se aproximava do patamar de 300 cents por libra-peso. Em Londres, o robusta para janeiro era negociado abaixo de US$ 3.200 por tonelada, em meio à expectativa de entrada da nova safra do Vietnã.
Arábica recua e contrato dezembro se aproxima de 300 cents
Por volta das 7h30, no horário de Brasília, o contrato dezembro/26 do arábica registrava queda de 2% na ICE Futures US, cotado a 301,30 cents por libra-peso.
Os demais vencimentos também apresentavam desvalorização:
- Março/27: 287,30 cents por libra-peso, baixa de 2,08%;
- Maio/27: 282,70 cents por libra-peso, recuo de 2,18%;
- Julho/27: 280,30 cents por libra-peso, queda de 1,96%.
O movimento dava continuidade à pressão registrada na sexta-feira (23), quando o contrato dezembro encerrou a sessão a 307,45 cents por libra-peso, com perda diária de 1,60%. Apesar do recuo naquele pregão, o vencimento acumulou valorização de 0,61% na semana.
Robusta perde força com perspectiva de melhora no abastecimento
Na ICE Futures Europe, em Londres, os contratos de robusta também operavam em baixa. Na atualização identificada pela plataforma Barchart às 5h32, o vencimento janeiro/27 recuava US$ 78, para US$ 3.164 por tonelada, perda de aproximadamente 2,41%.
O contrato novembro/26 era negociado a US$ 3.143 por tonelada, com redução de US$ 85. Já o março/27 registrava queda de US$ 71, cotado a US$ 3.158 por tonelada.
A desvalorização reforçava o movimento observado na semana anterior, quando o robusta para novembro acumulou perda de 5,45%.
O aumento dos estoques certificados em Londres e a proximidade da entrada da safra vietnamita ampliam a expectativa de maior disponibilidade dessa variedade nos próximos meses.
Estoques reduzidos de arábica mantêm atenção sobre a oferta
Embora as perspectivas de abastecimento pressionem as cotações, a disponibilidade de arábica certificado em Nova York permanece próxima de níveis historicamente baixos.
As entradas recentes de café nos armazéns credenciados ainda mantêm o mercado atento ao volume disponível para entrega nos contratos futuros, especialmente nos vencimentos mais próximos.
Essa diferença entre os estoques de arábica e robusta é um dos elementos acompanhados pelos operadores para avaliar a intensidade e a continuidade das quedas.
Exportações brasileiras avançam em outubro
A recuperação dos embarques brasileiros também integra o cenário de oferta. Segundo levantamento do Cecafé, divulgado na semana anterior e compilado pela Terra Agro Insights, as exportações do país somavam aproximadamente 3,30 milhões de sacas até 22 de outubro.
O volume representava crescimento de 43,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Além do ritmo das exportações, o mercado acompanha as condições das lavouras brasileiras e seus possíveis efeitos sobre a produção dos próximos ciclos.
Clima e recomposição dos estoques devem orientar o mercado
Em relatório publicado em 19 de outubro, o Rabobank apontou que condições climáticas mais favoráveis nas principais regiões produtoras aumentaram a possibilidade de recuperação dos estoques globais de café.
A instituição ressaltou, porém, que as perspectivas para o equilíbrio entre oferta e demanda continuam sujeitas a incertezas, sobretudo em relação ao clima e ao desenvolvimento das lavouras.
Nos próximos pregões, a atenção deve permanecer concentrada na entrada da safra vietnamita, nas exportações brasileiras e na evolução dos estoques certificados. Esses indicadores ajudarão a definir se a expectativa de maior oferta continuará pressionando os preços ou se a disponibilidade restrita de arábica poderá limitar novas perdas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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