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Café

Café brasileiro fica livre de tarifas dos EUA e garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo

Decisão do governo norte-americano preserva exportações de café do Brasil, evita tarifas que poderiam chegar a 37,5% e reforça parceria estratégica entre produtores brasileiros e compradores dos Estados Unidos.


Publicado em: 28/07/2026 às 17:30hs

Café brasileiro fica livre de tarifas dos EUA e garante acesso ao maior mercado consumidor do mundo
Foto: José Fernando Ogura

O café brasileiro, em todas as suas formas de comercialização, está oficialmente isento das tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos. A decisão divulgada pelo United States Trade Representative (USTR) na noite de 23 de julho representa uma vitória para a cafeicultura nacional e mantém o fluxo comercial entre os dois maiores players do mercado global.

Com a medida, os cafés do Brasil deixam de ser impactados pela tarifa adicional de 12,5% prevista em uma das investigações conduzidas pelo órgão norte-americano no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.

A isenção também evita que o produto brasileiro pudesse enfrentar uma carga tarifária acumulada de até 37,5%, considerando a soma das duas investigações abertas pelo USTR — uma com potencial de cobrança de 25% e outra de 12,5%.

Trabalho conjunto garante reconhecimento da importância do café brasileiro

A conquista foi resultado de uma articulação coordenada entre entidades da cadeia cafeeira brasileira e representantes do setor nos Estados Unidos.

O diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, destacou que a decisão foi construída a partir de um esforço técnico e institucional realizado ao longo de mais de um ano.

Segundo ele, o trabalho envolveu mais de 100 reuniões com representantes dos Departamentos de Comércio, Estado e Agricultura dos Estados Unidos, além de encontros com o próprio USTR.

A iniciativa contou com a participação do Cecafé, da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e do apoio da National Coffee Association (NCA), entidade que representa o setor cafeeiro norte-americano.

“O trabalho apresentou, de forma técnica e apolítica, a importância do café brasileiro para consumidores, indústria e economia dos Estados Unidos, permitindo uma compreensão mais ampla sobre a relevância da cadeia produtiva”, afirmou Matos.

Exportações brasileiras movimentam bilhões de dólares nos EUA

A decisão preserva uma relação comercial estratégica para a cafeicultura brasileira.

Os Estados Unidos são o maior mercado consumidor de café do mundo e representam um dos principais destinos do produto nacional. Atualmente, o Brasil envia aos norte-americanos cerca de 6 milhões de sacas de 60 quilos por ano, gerando receitas próximas de US$ 2 bilhões anuais em exportações.

O Cecafé estima que o comércio brasileiro de café com os Estados Unidos movimenta entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano, reforçando a importância econômica da parceria entre os dois países.

A manutenção do acesso ao mercado norte-americano fortalece a posição do Brasil como maior produtor e exportador mundial de café, além de garantir previsibilidade para produtores, cooperativas, exportadores e indústria.

Setor comprova avanços trabalhistas e sustentabilidade da cafeicultura

Outro ponto decisivo para a retirada das tarifas foi a apresentação de informações sobre as práticas trabalhistas adotadas na cafeicultura brasileira.

Durante as investigações do USTR, o setor brasileiro demonstrou dados de fiscalização e iniciativas voltadas à melhoria das condições de trabalho no campo.

Segundo o Cecafé, foram realizadas mais de 58 mil fiscalizações nos últimos anos, sendo aproximadamente 1% dos casos relacionados a algum problema envolvendo direitos humanos.

A entidade também apresentou ações desenvolvidas em parceria com o governo federal, como o Pacto pelo Trabalho Decente na Cafeicultura e o Programa Trabalho Sustentável (PTS), realizados com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Os programas têm como objetivo ampliar a formalização da mão de obra, capacitar profissionais e orientar produtores sobre boas práticas de contratação e gestão trabalhista.

National Coffee Association defendeu café brasileiro durante processo

O Cecafé também destacou a atuação da National Coffee Association (NCA) durante as discussões com as autoridades norte-americanas.

A entidade americana apresentou informações sobre a cadeia produtiva brasileira e defendeu o reconhecimento dos avanços realizados pelo setor, incluindo ações de fiscalização e responsabilidade social.

De acordo com Marcos Matos, os dados apresentados pelo setor brasileiro contribuíram diretamente para a decisão final do USTR.

Segundo ele, os argumentos utilizados pelas autoridades americanas para justificar a isenção dos cafés brasileiros estavam alinhados às informações técnicas apresentadas durante o processo.

Brasil e Estados Unidos preservam parceria estratégica no café

A retirada das tarifas representa uma conquista para toda a cadeia produtiva do café brasileiro e para o mercado consumidor norte-americano.

A decisão mantém a competitividade do produto nacional, preserva empregos, garante receitas de exportação e reforça a posição do Brasil como fornecedor estratégico de café para o mundo.

Para o setor, o resultado consolida uma relação comercial construída ao longo de décadas entre Brasil e Estados Unidos, baseada em qualidade, regularidade de fornecimento e integração entre produtores, indústria e consumidores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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