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Café

Café arábica amplia perdas em Nova York, enquanto demanda sustenta robusta no mercado global

Pressão da safra brasileira, fraqueza técnica e maior oferta derrubam o arábica, mas estoques reduzidos, problemas de qualidade e consumo firme limitam uma queda mais intensa das cotações


Publicado em: 28/08/2026 às 11:30hs

Café arábica amplia perdas em Nova York, enquanto demanda sustenta robusta no mercado global

O mercado internacional de café encerra agosto marcado por forte volatilidade e desempenhos distintos entre arábica e robusta. Enquanto os contratos do arábica ampliaram as perdas na Bolsa de Nova York, pressionados pelo avanço da colheita brasileira e por sinais técnicos negativos, o robusta encontra maior sustentação na demanda internacional.

Segundo análise da TF Agroeconômica, a aproximação do fim da colheita de uma safra volumosa no Brasil amplia a disponibilidade de café e mantém pressão sobre as cotações. A entrada futura de grãos de outras origens também poderá favorecer a recomposição dos estoques globais e aumentar a oferta nos próximos meses.

Apesar dessa perspectiva, os estoques certificados historicamente baixos e os problemas de qualidade identificados em parte da produção brasileira continuam oferecendo sustentação ao mercado, especialmente para lotes de padrão superior.

Café arábica sofre forte queda em Nova York

Na quinta-feira (27), os contratos do café arábica fecharam com perdas expressivas na ICE Futures US. O vencimento setembro encerrou negociado a 341,90 centavos de dólar por libra-peso, queda de 15,70 centavos, equivalente a 4,4%.

O contrato dezembro, referência mais acompanhada pelo mercado, caiu 3,88%, para 309,65 centavos de dólar por libra-peso. Durante a sessão, a posição chegou a atingir 306,45 centavos, menor cotação em três semanas.

Na manhã desta sexta-feira (28), o mercado buscava estabilidade após o forte recuo. Por volta das 10h10, o contrato dezembro era negociado próximo de 309,60 centavos de dólar por libra-peso, praticamente estável, com variação negativa de 0,02%.

A leitura técnica de curto prazo tornou-se mais baixista depois que os contratos romperam importantes níveis de suporte. No entanto, analistas destacam que a tendência estrutural de longo prazo ainda encontra suporte na oferta restrita de cafés certificados e nos riscos climáticos para as próximas safras.

Estoques de café na ICE estão próximos de mínima histórica

O movimento de baixa ocorre em um cenário de estoques extremamente reduzidos na Bolsa de Nova York. Em 26 de agosto, os armazéns certificados pela ICE contabilizavam 224.617 sacas, abaixo das 229.214 registradas uma semana antes.

No mesmo período de 2025, os estoques somavam 717.113 sacas. Caso o ritmo de redução seja mantido, o volume poderá alcançar o menor patamar em 26 anos.

Essa disponibilidade limitada deixa o mercado mais sensível a problemas climáticos, logísticos ou produtivos. Mesmo com a chegada da safra brasileira, a recomposição dos estoques poderá ser mais lenta caso parte dos grãos não atenda aos padrões exigidos para certificação.

Safra brasileira pressiona preços do café

Entre o início de 2026 e agosto, as cotações internacionais das duas principais variedades acumularam perdas. O arábica recuou de US$ 3,57 para aproximadamente US$ 3,37 por libra-peso, queda de 5,6%, enquanto o robusta passou de US$ 4.132 para US$ 3.816 por tonelada, desvalorização de 7,6%.

Após uma forte correção no primeiro semestre, os preços apresentaram recuperação parcial durante o terceiro trimestre. O arábica, entretanto, continuou sujeito a oscilações mais intensas.

O avanço da colheita brasileira reforça a expectativa de maior oferta. Ao mesmo tempo, informações de que alguns armazéns estão próximos do limite de capacidade aumentam a possibilidade de que produtores precisem acelerar as vendas, ampliando a pressão sobre as cotações.

Demanda firme oferece suporte ao café robusta

Na avaliação da TF Agroeconômica, o robusta demonstra maior resistência diante da procura da indústria, especialmente para a fabricação de café solúvel e para a composição de blends.

Essa demanda ajudou a sustentar as cotações em diferentes momentos de agosto, mesmo diante da colheita brasileira e da perspectiva de aumento da disponibilidade mundial.

Pesquisa com analistas e agentes do mercado indica possibilidade de valorização de 4,6% do robusta até o final de 2026, com a cotação podendo alcançar US$ 3.900 por tonelada. Para o arábica, a expectativa mediana aponta preço próximo de US$ 3 por libra-peso no encerramento do ano, o que representaria recuo em relação aos níveis atuais.

As projeções, contudo, apresentam grande dispersão devido às incertezas climáticas, ao comportamento dos produtores nas vendas e à velocidade de recomposição dos estoques internacionais.

Chuvas prejudicaram colheita e qualidade do arábica

As chuvas acima da média histórica, principalmente em julho, atrasaram a colheita e dificultaram a secagem dos grãos em importantes regiões produtoras do Brasil.

Em algumas propriedades, parte do café permaneceu em contato com o solo, aumentando o risco de perda de qualidade. O excesso de umidade também comprometeu atributos de bebida e pode reduzir a disponibilidade de lotes de padrão superior.

Esse cenário ajuda a explicar a diferença entre o comportamento das bolsas e o mercado físico brasileiro. As quedas observadas nos contratos futuros não foram integralmente repassadas aos produtores, sobretudo nas negociações envolvendo cafés de melhor qualidade.

Em 27 de agosto, o Indicador do Café Arábica Cepea/Esalq fechou em R$ 1.742,74 por saca de 60 quilos, com queda diária de 3,22%. O robusta terminou cotado a R$ 1.021,90 por saca, recuo de 1,37%. Os indicadores acumulavam quedas semanais de 4,33% e 4,15%, respectivamente.

Exportações de robusta avançam no Brasil

Entre janeiro e julho, o Brasil exportou 20,7 milhões de sacas de café, volume 6,4% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Somente em julho, os embarques de café arábica verde caíram 8,7%, para 1,8 milhão de sacas. Em sentido oposto, as exportações de robusta verde cresceram 84,1%, alcançando 851 mil sacas.

O desempenho reforça a importância do robusta na pauta exportadora brasileira e evidencia a procura internacional pela variedade. A maior disponibilidade do grão também contribui para atender à indústria em um período de oferta limitada em outros países produtores.

El Niño e florada mantêm mercado em alerta

Apesar da pressão provocada pela safra atual, o comportamento dos preços dependerá cada vez mais das condições climáticas durante a florada brasileira.

A possibilidade de um El Niño intenso aumenta as preocupações com a regularidade das chuvas entre setembro e outubro, período decisivo para a formação da safra 2027/28. Uma florada uniforme e bem sustentada poderá reforçar a expectativa de oferta elevada e pressionar as cotações.

Caso as chuvas atrasem ou apresentem distribuição irregular, os preços poderão recuperar força rapidamente. Esse risco ganha relevância porque os estoques nos Estados Unidos, Europa e Japão permanecem reduzidos, deixando o mercado vulnerável a qualquer choque de oferta.

No curto prazo, a perspectiva permanece dividida: o arábica enfrenta pressão técnica e produtiva, enquanto o robusta encontra apoio na demanda. A qualidade da safra brasileira, o ritmo das vendas dos produtores e o clima durante a florada deverão definir a trajetória do mercado de café nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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