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Veranicos ameaçam produtividade do trigo: falta de chuva nas fases críticas pode reduzir espigas, grãos e rendimento da safra

Déficit hídrico entre o perfilhamento e o enchimento dos grãos compromete o potencial produtivo do trigo; manejo da semeadura e conservação da umidade do solo são decisivos para minimizar perdas


Publicado em: 07/08/2026 às 10:35hs

Veranicos ameaçam produtividade do trigo: falta de chuva nas fases críticas pode reduzir espigas, grãos e rendimento da safra

A ocorrência de veranicos durante o desenvolvimento da lavoura de trigo acende um sinal de alerta para os produtores brasileiros. Mesmo períodos curtos sem chuva podem comprometer significativamente a produtividade quando coincidem com fases estratégicas do ciclo da cultura, especialmente entre o perfilhamento, o florescimento e o enchimento dos grãos.

Especialistas destacam que a disponibilidade de água nesse intervalo é determinante para a formação do potencial produtivo. A deficiência hídrica reduz o número de espigas por área, limita a formação de grãos e diminui o peso final da produção, impactando diretamente a rentabilidade da atividade.

Florescimento é a fase de maior risco para a cultura

Entre todas as etapas do desenvolvimento do trigo, o florescimento é considerado o momento de maior sensibilidade ao déficit hídrico.

Quando a falta de água ocorre nesse período, a fecundação das flores pode ser comprometida, favorecendo o aborto floral, a formação de espiguetas vazias e a redução do número de grãos por espiga. Mesmo estiagens de curta duração podem provocar perdas expressivas, principalmente quando associadas a temperaturas elevadas e ventos intensos.

Como a planta possui baixa capacidade de compensar posteriormente os grãos que deixam de ser formados, os prejuízos costumam ser permanentes.

Falta de umidade pode comprometer a lavoura desde a germinação

A necessidade de água começa logo após a semeadura.

Para garantir uma emergência uniforme, as sementes precisam encontrar umidade suficiente na camada superficial do solo, especialmente entre 10 e 15 centímetros de profundidade. Em condições de solo seco, parte das sementes pode não germinar ou apresentar emergência irregular, comprometendo a uniformidade da lavoura desde o início do ciclo.

O excesso de água também merece atenção. Solos encharcados reduzem a oxigenação das raízes, prejudicando o desenvolvimento inicial das plântulas e limitando o estabelecimento da cultura.

Perfilhamento define o número de espigas por hectare

Após a emergência, inicia-se o perfilhamento, fase responsável pela emissão de novos colmos que poderão originar espigas férteis.

Quando ocorre deficiência hídrica nesse período, a planta reduz a emissão de perfilhos e aumenta a mortalidade daqueles já formados, diminuindo o número de espigas por área e reduzindo o potencial produtivo da lavoura.

Os efeitos tendem a ser ainda mais severos em solos de baixa fertilidade, onde a escassez de água dificulta a absorção de nitrogênio e de outros nutrientes essenciais ao desenvolvimento da cultura.

Déficit hídrico afeta a formação da espiga

Durante o alongamento do colmo e o emborrachamento, o trigo define estruturas fundamentais para a produtividade.

É nessa fase que ocorre a formação das espiguetas e o desenvolvimento da espiga ainda protegida pela bainha da folha. A falta de água pode resultar em espigas menores, com menor número de espiguetas e redução do potencial de produção.

Quando o estresse hídrico se soma a episódios de frio intenso ou calor fora de época, os impactos sobre a lavoura podem ser ainda mais significativos.

Enchimento dos grãos determina a produtividade final

Após a fecundação, inicia-se o enchimento dos grãos, etapa responsável pelo acúmulo de matéria seca e pela definição do peso final da produção.

A deficiência hídrica nesse momento reduz a atividade fotossintética, acelera o encerramento do enchimento e resulta em grãos menores e mais leves.

Entre as principais consequências estão:

  • redução do peso de mil grãos;
  • queda do peso hectolítrico;
  • maior desuniformidade entre os grãos;
  • diminuição da produtividade e da qualidade comercial do trigo.

Cada fase do ciclo responde de forma diferente à seca. No perfilhamento, a principal perda ocorre no número de espigas. Durante o florescimento, o impacto recai sobre a formação de grãos. Já no enchimento, a redução acontece principalmente no peso final da produção.

Planejamento da semeadura reduz os riscos climáticos

Nas regiões produtoras de clima subtropical, o trigo normalmente é semeado entre o outono e o início do inverno, fazendo com que as fases mais sensíveis coincidam com o inverno e o começo da primavera.

Nesse período, a ocorrência de veranicos pode atingir exatamente os estágios mais críticos da cultura.

Uma das principais estratégias para reduzir os riscos consiste em planejar a época de semeadura para posicionar o florescimento e o enchimento dos grãos em períodos historicamente mais favoráveis à ocorrência de chuvas.

O escalonamento da semeadura também é recomendado. A utilização de cultivares precoces, médias e tardias distribui os riscos climáticos, evitando que toda a área cultivada atravesse simultaneamente os períodos de maior vulnerabilidade.

Além disso, a escolha de materiais adaptados à região, com bom perfilhamento, estabilidade produtiva e ciclo adequado, contribui para aumentar a segurança da produção.

Plantio direto fortalece a conservação da água no solo

O manejo adequado do solo representa uma das principais ferramentas para enfrentar períodos de estiagem.

No sistema plantio direto, a manutenção da palhada sobre a superfície reduz a evaporação, melhora a infiltração da água das chuvas e amplia a capacidade de armazenamento hídrico do solo.

Áreas com maior teor de matéria orgânica, boa estrutura física e elevada porosidade permitem maior aprofundamento das raízes, favorecendo a exploração de água em camadas mais profundas durante períodos secos.

O controle da erosão também desempenha papel importante, evitando perdas de água por escoamento superficial e aumentando a eficiência das precipitações.

Monitoramento climático ajuda na tomada de decisão

O acompanhamento constante das previsões meteorológicas e do histórico de chuvas tornou-se uma ferramenta estratégica para o planejamento da cultura.

Em propriedades que contam com irrigação suplementar, o fornecimento de água pode ser priorizado entre o perfilhamento e o enchimento dos grãos, desde que haja viabilidade técnica e econômica.

A necessidade de irrigação varia conforme fatores como tipo de solo, cultivar, condições climáticas, sistema de produção e capacidade de retenção de água, devendo ser definida com orientação técnica especializada.

Preservar a umidade é essencial para proteger a rentabilidade

Diante da crescente variabilidade climática, conhecer as fases mais sensíveis do trigo permite ao produtor adotar estratégias mais eficientes de manejo.

O planejamento da semeadura, a escolha correta das cultivares, o uso de práticas conservacionistas e o monitoramento das condições climáticas formam um conjunto de medidas capazes de reduzir os impactos dos veranicos sobre a lavoura.

Manter a disponibilidade de água entre o perfilhamento e o enchimento dos grãos continua sendo uma das ações mais importantes para preservar o potencial produtivo, garantir a qualidade do trigo e proteger a rentabilidade da safra.

Fonte: Portal do Agronegócio

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