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Análise de Mercado

Produção agrícola do Brasil bate recorde e alcança R$ 927,2 bilhões em 2025

Safra de grãos cresce 18,2% e chega a 345,4 milhões de toneladas, impulsionada por recordes de soja e milho; Mato Grosso lidera entre os estados e Sapezal entre os municípios


Publicado em: 21/09/2026 às 18:00hs

Produção agrícola do Brasil bate recorde e alcança R$ 927,2 bilhões em 2025

O valor da produção das principais culturas agrícolas brasileiras atingiu o recorde de R$ 927,2 bilhões em 2025. O montante representa crescimento nominal de 18,4% em relação ao ano anterior, segundo a Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas também estabeleceu novo recorde ao alcançar 345,4 milhões de toneladas. O volume superou em 53,4 milhões de toneladas o resultado de 2024, uma expansão de 18,2%.

Soja e milho foram os principais motores do desempenho. Juntas, as duas culturas responderam por 88,7% da produção brasileira de grãos e se beneficiaram da recuperação da produtividade, após os problemas climáticos que afetaram importantes regiões produtoras em 2024.

Os valores da pesquisa são apresentados em moeda corrente de cada ano e, portanto, não estão corrigidos pela inflação. Os dados completos constam na PAM 2025 divulgada pelo IBGE.

Área plantada supera 101 milhões de hectares

A área plantada com todas as culturas pesquisadas alcançou 101,3 milhões de hectares em 2025. Foram incorporados 4,1 milhões de hectares em relação ao ano anterior, avanço de 4,2%.

A área efetivamente colhida somou 100,6 milhões de hectares, crescimento de 4,4%. A soja respondeu sozinha por 47,6 milhões de hectares, equivalentes a 47,3% de toda a área agrícola colhida no país.

A oleaginosa incorporou mais 1,7 milhão de hectares, seguida pelo milho, com expansão de 995,2 mil hectares, e pelo sorgo, com 203,4 mil hectares adicionais.

O movimento foi diferente para o feijão e o trigo. A área colhida com feijão caiu 7,2%, enquanto a destinada ao trigo recuou 13,9%. Segundo o IBGE, os preços menos atrativos levaram parte dos produtores a escolher culturas com melhores perspectivas de rentabilidade e menor risco.

Soja mantém liderança no valor da produção agrícola

A soja continuou como a principal cultura agrícola do Brasil em geração de valor. A produção alcançou o recorde de 165,3 milhões de toneladas, crescimento de 14,4% sobre 2024 e acréscimo absoluto de 20,8 milhões de toneladas.

A produtividade média avançou 10,3%, enquanto a área colhida aumentou 3,7%. A combinação entre maior volume produzido e leve recuperação dos preços garantiu à soja 34% de participação no valor total calculado pela PAM.

O valor da produção da oleaginosa cresceu 21,1% e atingiu aproximadamente R$ 315,2 bilhões.

Mesmo com as cotações ainda consideradas abaixo do nível desejado por parte dos produtores, a soja preservou sua liquidez e avançou sobre áreas anteriormente destinadas ao milho de primeira safra.

Milho atinge recorde de 141,2 milhões de toneladas

A produção brasileira de milho cresceu 23,1% e chegou ao recorde de 141,2 milhões de toneladas em 2025.

A recuperação ocorreu apesar da redução de 5,4% na área colhida do milho de primeira safra. Condições climáticas mais favoráveis elevaram a produtividade das lavouras em 16,6%, compensando a retração territorial.

A segunda safra ampliou sua importância e atingiu o recorde de 115,4 milhões de toneladas, com crescimento de área, produção e rendimento.

O valor gerado pelo milho avançou 38,9%, colocando o cereal na segunda posição nacional e superando a cana-de-açúcar. O aumento refletiu tanto a produção recorde quanto a recuperação dos preços iniciada em 2024.

A demanda doméstica para alimentação animal e produção de etanol também contribuiu para sustentar a rentabilidade da cultura, especialmente no Centro-Oeste.

Soja, milho, cana, café e algodão lideram ranking

Os cinco produtos com os maiores valores de produção em 2025 foram soja, milho, cana-de-açúcar, café e algodão herbáceo em caroço.

Na comparação anual, o valor da soja cresceu 21,1%, enquanto o milho avançou 38,9%. A cana-de-açúcar teve incremento de 3,6%, o café subiu 44,7% e o algodão aumentou 29,5%.

A recuperação das lavouras de soja e milho foi favorecida pela melhora climática após um 2024 marcado por estiagem no Centro-Oeste e em áreas do Sul, além das enchentes que provocaram perdas expressivas no Rio Grande do Sul.

Café alcança R$ 100 bilhões com alta dos preços

A produção brasileira de café totalizou 3,4 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 3% em relação ao ano anterior. O valor gerado pela cultura, porém, avançou 44,7% e alcançou R$ 100 bilhões, impulsionado pela valorização da saca no mercado internacional.

O café arábica respondeu por 2,2 milhões de toneladas, queda de 6,8%. Apesar da menor produção, o valor da cultura aumentou 39,9%, para R$ 71,4 bilhões.

O canephora, grupo que reúne conilon e robusta, alcançou 1,2 milhão de toneladas, expansão de 26,8%. O valor produzido avançou 57,9%, chegando a R$ 28,6 bilhões.

O desempenho do arábica foi afetado pela bienalidade negativa e pelos efeitos da falta de chuvas e do calor excessivo observados no segundo semestre de 2024. As precipitações registradas a partir do início de 2025 favoreceram a recuperação dos cafezais, mas de forma desigual entre os municípios.

Algodão cresce 16,4% e amplia valor da produção

A produção de algodão herbáceo em caroço chegou a 9,92 milhões de toneladas, aumento de 16,4%.

O resultado foi sustentado pela ampliação da área colhida, pelo avanço da produtividade e pelo aumento das cotações. Com esses fatores, o valor da produção do algodão cresceu 29,5%.

A cultura manteve posição relevante na pauta agrícola e exportadora, com forte presença nos municípios do Centro-Oeste e do oeste da Bahia.

Arroz produz mais, mas perde valor com preços baixos

A safra brasileira de arroz alcançou 12,6 milhões de toneladas, alta de 18,6% diante de 2024. A área plantada aumentou 8%, enquanto a produtividade média nacional cresceu 7%.

No Rio Grande do Sul, maior produtor brasileiro, as chuvas de 2024 elevaram o nível de barragens e açudes. A maior disponibilidade de água permitiu ampliar as áreas irrigadas e favoreceu o rendimento das lavouras.

Apesar da recuperação produtiva, o valor da produção do arroz caiu 12%. O aumento da oferta interna e as oscilações do mercado internacional pressionaram os preços recebidos pelos produtores.

Trigo recupera produtividade, mas área recua

A produção nacional de trigo alcançou 7,88 milhões de toneladas, crescimento de 4,9%.

O resultado foi possível graças ao avanço de 21,9% na produtividade, que compensou a redução de 13,9% da área cultivada. Ainda assim, o valor da produção caiu 2%.

A menor atratividade do cereal foi associada aos preços baixos, aos estoques internacionais elevados, à oferta doméstica e ao comportamento do câmbio, que dificultou as exportações.

Mato Grosso amplia liderança no campo brasileiro

Mato Grosso permaneceu na liderança nacional do valor da produção agrícola. O estado registrou crescimento de 37,1% e passou a responder por 17,9% do total brasileiro.

O avanço foi impulsionado principalmente pelo desempenho da soja, do milho e do algodão. A procura chinesa pela soja brasileira e a expansão do consumo interno de milho para ração e etanol contribuíram para sustentar o resultado.

São Paulo ficou na segunda posição, com crescimento de 5,1% no valor da produção agrícola. O desempenho paulista foi limitado pela queda de 26,3% no valor produzido pela citricultura.

Centro-Oeste supera Sudeste e assume liderança regional

O Centro-Oeste passou à primeira posição entre as regiões brasileiras, com valor de produção agrícola de R$ 288 bilhões. O montante representa crescimento de 31,8% em relação a 2024.

O Sudeste, líder no ano anterior, ficou em segundo lugar. A diferença entre as duas regiões chegou a R$ 17 bilhões.

Apesar do recuo da laranja, o valor total produzido no Sudeste aumentou 17,7%, com destaque para café, cana-de-açúcar e citros.

O Sul apresentou o menor crescimento entre as cinco regiões, de 8,2%, mas permaneceu na terceira posição, com R$ 181 bilhões. O resultado foi influenciado pelos preços mais baixos do arroz e do trigo e pela quebra da soja no Rio Grande do Sul.

Sapezal lidera ranking dos municípios agrícolas

Os dez municípios com os maiores valores de produção agrícola geraram conjuntamente R$ 65,9 bilhões, o equivalente a 7,1% do total nacional.

Oito deles estão no Centro-Oeste: cinco em Mato Grosso e três em Goiás. A Bahia completa a lista com dois municípios.

Sapezal, em Mato Grosso, assumiu a liderança nacional com R$ 8,6 bilhões, alta de 46,6%. O algodão foi o principal destaque local, gerando aproximadamente R$ 5,1 bilhões.

São Desidério, na Bahia, ocupou a segunda posição com R$ 8,2 bilhões, crescimento de 23,8%. O município liderou o valor nacional da soja, com R$ 4,5 bilhões, e ficou em segundo lugar no algodão, com R$ 3,1 bilhões.

Sorriso, em Mato Grosso, caiu da primeira para a terceira posição. Parte da mudança ocorreu após a criação de Boa Esperança do Norte, formado com áreas anteriormente pertencentes a Sorriso e Nova Ubiratã, o que redistribuiu as estatísticas municipais de produção.

Fruticultura gera R$ 95,6 bilhões

As 24 frutas pesquisadas pelo IBGE geraram R$ 95,6 bilhões em 2025, aumento de 4,2%. A edição incluiu morango, acerola, cupuaçu e graviola, enquanto o marmelo deixou de ser pesquisado.

Sem a inclusão dos novos produtos, o valor da fruticultura teria recuado 1,8%, principalmente em razão da queda de 23,4% no valor da produção de laranja.

As novas frutas acrescentaram R$ 5,5 bilhões ao levantamento. O morango foi o principal destaque, entrando diretamente na sexta posição entre as frutas, com R$ 4,2 bilhões. Minas Gerais respondeu por 46,4% do valor nacional da cultura.

A banana gerou R$ 16,4 bilhões e manteve a segunda posição entre as frutas, com participação de 17,2%. O açaí ultrapassou a uva e passou ao terceiro lugar, com R$ 8,7 bilhões. O Pará concentrou 92,9% da produção brasileira da fruta.

Horticultura adiciona R$ 13,1 bilhões ao levantamento

A PAM 2025 passou a pesquisar dez novos produtos que não pertencem ao grupo das frutas: abóbora, pimentão, alface, milho-verde, chuchu, repolho, inhame, gergelim, canola e cenoura.

Essas culturas responderam por R$ 13,1 bilhões, equivalentes a 1,4% do valor total da produção agrícola levantada.

O gergelim gerou R$ 833,1 milhões no Centro-Oeste e R$ 453,6 milhões no Norte. A canola alcançou R$ 608,1 milhões no país, dos quais R$ 601 milhões vieram do Rio Grande do Sul, responsável por 98,8% do valor nacional.

Com a inclusão dos novos itens, a PAM passou a reunir informações sobre 70 produtos. A pesquisa detalha área plantada, área colhida, volume produzido, produtividade e preço médio pago aos produtores em todos os municípios brasileiros com produção mínima enquadrada nos critérios do levantamento.

Fonte: Portal do Agronegócio

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