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Clima

Excesso de chuvas aumenta estresse nas lavouras e exige atenção no manejo

Primavera e verão elevam o volume de precipitações em várias regiões do Brasil; excesso de água pode reduzir oxigenação das raízes, dificultar absorção de nutrientes e aumentar riscos de doenças


Publicado em: 21/09/2026 às 14:30hs

Excesso de chuvas aumenta estresse nas lavouras e exige atenção no manejo

O aumento das chuvas durante a primavera e o verão é importante para garantir água às culturas agrícolas, mas a precipitação em excesso também pode representar um fator de estresse para as lavouras. Quando o volume de água supera a capacidade de absorção e drenagem do solo, as condições podem prejudicar o desenvolvimento das plantas e reduzir o potencial produtivo.

A situação exige atenção especial dos produtores rurais, principalmente na região Sul do Brasil, onde há tendência de volumes elevados de chuva. Segundo Bruno Carloto, gerente de Marketing Estratégico da Acadian Sea Beyond na BU Atlantic, que reúne Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, o excesso de água pode provocar uma série de impactos fisiológicos nas plantas.

“O excesso de água, além de ser um período de baixa luminosidade, reduz a disponibilidade de oxigênio nas raízes, dificulta a absorção de nutrientes e pode favorecer a ocorrência de doenças, afetando o desenvolvimento das plantas e comprometendo o potencial produtivo das lavouras”, explica Carloto.

Excesso de chuva também provoca estresse climático

Dados da Embrapa registrados pelo Proagro mostram a dimensão dos impactos associados às alterações climáticas. Em um período de dez anos, eventos relacionados ao clima, incluindo o aumento das chuvas, foram responsáveis por perdas produtivas de 10% na soja e 7,1% no milho.

Nas duas culturas, o excesso de precipitação aparece como a segunda principal causa de prejuízos produtivos, atrás apenas do estresse provocado pela falta de água.

Além dos efeitos diretamente relacionados à fisiologia das plantas, as chuvas intensas também afetam a logística dentro das propriedades. Solos excessivamente úmidos dificultam o trânsito de máquinas, atrasam operações agrícolas e podem comprometer o cronograma planejado para a safra.

Solo e drenagem ganham importância

Para o especialista, o manejo durante períodos de chuvas intensas precisa considerar as condições físicas do solo. Estrutura, compactação, cobertura e capacidade de drenagem são fatores que podem influenciar a resposta das culturas ao excesso de água.

“Quando falamos em estresse climático, é comum associarmos o problema à escassez de água, mas o excesso dela também interfere diretamente no desempenho das plantas”, afirma Carloto.

O monitoramento frequente da lavoura também é apontado como uma estratégia importante. A identificação precoce de sinais de estresse pode permitir intervenções de manejo antes que os danos comprometam de forma significativa o desenvolvimento das culturas.

Biofertilizantes podem integrar estratégia preventiva

Nesse contexto, tecnologias voltadas ao manejo do estresse vegetal podem fazer parte da estratégia adotada pelo produtor. A Acadian trabalha com biofertilizantes desenvolvidos a partir de compostos bioativos da alga Ascophyllum nodosum, encontrada em águas frias e costeiras do Atlântico Norte, especialmente na costa do Canadá.

Segundo a empresa, essas soluções atuam em processos fisiológicos das plantas e podem contribuir para a manutenção do desempenho das culturas em condições ambientais adversas, com mecanismos relacionados à proteção celular, ao equilíbrio metabólico e à recuperação após períodos de estresse.

“A recomendação é o produtor trabalhar de forma preventiva, combinando manejo adequado do solo, nutrição equilibrada e tecnologias, como os biofertilizantes da Acadian”, destaca Bruno Carloto.

A estratégia, segundo o especialista, permite antecipar períodos de maior risco climático e buscar reduzir os impactos provocados pelo excesso de água durante o ciclo das culturas.

Monitoramento deve acompanhar previsão climática

Com a chegada dos períodos tradicionalmente mais chuvosos, o planejamento agrícola precisa considerar não apenas a disponibilidade de água, mas também a capacidade da propriedade de absorver e drenar o volume recebido.

Para soja, milho e outras culturas, a combinação entre boa estrutura do solo, drenagem, cobertura, nutrição equilibrada e monitoramento constante pode ajudar o produtor a enfrentar períodos de precipitação elevada e preservar o potencial produtivo das lavouras.

O excesso de chuva, portanto, deve ser tratado como um componente do risco climático da produção agrícola. Assim como a seca, volumes elevados de água exigem planejamento e medidas preventivas para reduzir seus efeitos sobre as plantas e sobre as operações no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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