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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo oscila entre baixa liquidez no Brasil e tensão global; riscos no Mar Negro sustentam preços internacionais

Mercado brasileiro permanece travado durante a entressafra, enquanto Bolsa de Chicago avança com preocupações geopolíticas, clima adverso e expectativa sobre a nova safra.


Publicado em: 20/07/2026 às 11:58hs

Trigo oscila entre baixa liquidez no Brasil e tensão global; riscos no Mar Negro sustentam preços internacionais

O mercado de trigo iniciou a semana dividido entre a baixa liquidez observada nas principais regiões produtoras do Brasil e a sustentação das cotações internacionais, impulsionadas pelos riscos geopolíticos no Mar Negro e por preocupações climáticas nos Estados Unidos. Enquanto os contratos futuros avançam moderadamente na Bolsa de Chicago (CBOT), produtores, cooperativas e indústrias brasileiras mantêm postura cautelosa diante da entressafra e das incertezas sobre a produção de 2026.

A combinação entre oferta limitada de trigo de qualidade, demanda retraída por farinha e expectativas em relação à nova safra mantém o mercado doméstico com negociações pontuais e comportamento distinto entre os estados do Sul.

Bolsa de Chicago sobe com cenário internacional mais apertado

Os contratos futuros do trigo registraram leve recuperação no início da semana na CBOT, refletindo ajustes técnicos e a permanência de fatores de risco que limitam uma queda mais intensa dos preços.

As cotações operavam em:

  • Setembro/2026: US$ 6,85 por bushel;
  • Dezembro/2026: US$ 7,02 por bushel;
  • Março/2027: US$ 7,16 por bushel.

O mercado internacional continua acompanhando atentamente a colheita no Hemisfério Norte, as condições das lavouras norte-americanas e os impactos do conflito entre Rússia e Ucrânia sobre o comércio global de trigo.

Guerra no Mar Negro continua sendo principal fator de sustentação

Segundo análise da TF Agroeconômica, a guerra na região do Mar Negro segue como o principal suporte para as cotações internacionais.

Ataques a portos, terminais de exportação e rotas marítimas continuam elevando a preocupação dos compradores mundiais. Outro fator observado é a limitação do tráfego pelo Estreito de Kerch, responsável por aproximadamente um quarto das exportações russas provenientes do Mar de Azov.

Caso as dificuldades logísticas persistam, parte da demanda internacional poderá migrar para outros fornecedores, cenário que já impulsionou os preços do trigo na Europa e levou Chicago aos maiores níveis desde 2024.

A Rússia continua sendo peça-chave no mercado global, respondendo por cerca de 22% do comércio internacional e com potencial para exportar aproximadamente 47,5 milhões de toneladas na temporada 2026/27.

Nos Estados Unidos, o mercado também monitora a redução das chuvas em Dakota do Norte e a ampliação das áreas afetadas pela seca, situação que aumenta as preocupações sobre o trigo de primavera.

Argentina amplia plantio e limita altas mais expressivas

Apesar dos fatores altistas, o mercado também encontra elementos que reduzem o potencial de novas valorizações.

As vendas semanais de trigo dos Estados Unidos ficaram abaixo das expectativas do mercado, enquanto as exportações da nova safra apresentam desempenho inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Além disso, a Argentina já concluiu cerca de 92% do plantio previsto, com aproximadamente 96% das lavouras classificadas entre condições normais e excelentes. Caso o clima permaneça favorável, o país poderá ampliar sua oferta exportável no final do ano.

Segundo a TF Agroeconômica, parte do chamado "prêmio geopolítico" já está incorporada aos preços atuais, tornando futuras altas dependentes do agravamento dos conflitos ou de novos problemas climáticos.

Mercado brasileiro segue travado durante a entressafra

Enquanto o mercado internacional permanece volátil, a comercialização de trigo no Brasil continua lenta.

A baixa liquidez reflete a postura cautelosa tanto dos vendedores quanto dos compradores, que ajustam estoques e aguardam maior definição sobre o desenvolvimento da nova safra.

A demanda reduzida por farinha também limita o ritmo de compras por parte dos moinhos, que operam com moagem menor em diversas regiões do Sul do país.

Rio Grande do Sul registra poucos negócios e preocupação com qualidade

No Rio Grande do Sul, os negócios permaneceram pontuais durante a semana.

Pequenos volumes remanescentes de sementes foram comercializados para moinhos de menor porte por até R$ 1.285 por tonelada no interior, enquanto lotes maiores alcançaram R$ 1.300 por tonelada.

O trigo argentino nacionalizado permaneceu cotado em US$ 276 por tonelada CIF Canoas.

Além da baixa movimentação, moinhos relatam dificuldades relacionadas à qualidade do trigo remanescente, principalmente devido à elevada incidência de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal.

Em Panambi, o preço de balcão permaneceu estável em R$ 70,02 por saca.

Santa Catarina praticamente encerra oferta da safra velha

Em Santa Catarina, praticamente não há mais disponibilidade de trigo da safra anterior.

O último negócio envolvendo trigo catarinense ocorreu ao redor de R$ 1.350 por tonelada FOB, acrescido do frete.

Já o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além de frete e ICMS, enquanto sobras de sementes chegaram a R$ 1.450 CIF moinho.

A comercialização de farinha continua bastante lenta, levando diversas indústrias a reduzir o ritmo de moagem e alongar seus estoques.

No mercado de farelo houve melhora, com negociações próximas de R$ 1,10 por quilo ensacado.

Os preços de balcão permaneceram estáveis em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, apresentaram alta em Canoinhas e Joaçaba e recuaram em São Miguel do Oeste.

Paraná mantém preços firmes e mercado acompanha riscos climáticos

No Paraná, o mercado apresentou maior firmeza.

Na região de Curitiba, o trigo foi negociado em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho. Nos Campos Gerais, as indicações permaneceram próximas desse nível, enquanto no Norte do estado os preços variaram entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada.

Para a safra nova, as indicações seguem entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, embora produtores permaneçam retraídos, aguardando melhor definição climática e preocupados com os impactos do El Niño.

Ao mesmo tempo, parte dos moinhos paranaenses vem ampliando as compras de trigo paraguaio para complementar o abastecimento e atender aos padrões de qualidade exigidos pela indústria.

O desenvolvimento das lavouras também permanece no radar. Embora a semeadura esteja praticamente concluída, o excesso de umidade em áreas do Oeste e Sudoeste do Paraná aumenta o risco de doenças que podem comprometer a qualidade do cereal ao longo do ciclo.

Perspectivas para o mercado

A expectativa é de que o mercado brasileiro permaneça com baixa liquidez nas próximas semanas, enquanto produtores aguardam maior definição sobre produtividade e qualidade da nova safra.

No cenário internacional, Chicago continuará respondendo principalmente à evolução do conflito no Mar Negro, às condições climáticas nos Estados Unidos e ao avanço da produção na Argentina.

Segundo a TF Agroeconômica, produtores podem aproveitar momentos de valorização para realizar vendas escalonadas da safra nova, enquanto cooperativas, cerealistas e indústrias devem manter estratégias de proteção de margens diante da elevada volatilidade que continua marcando o mercado mundial de trigo.

Fonte: Portal do Agronegócio

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