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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo: menor safra desde 2020, alta do cereal argentino e riscos no Mar Negro sustentam mercado brasileiro

Produção nacional deve encolher mais de 23%, enquanto oferta restrita, importações mais caras e incertezas globais mantêm o mercado de trigo em alerta, apesar da queda dos contratos em Chicago.


Publicado em: 21/07/2026 às 11:30hs

Trigo: menor safra desde 2020, alta do cereal argentino e riscos no Mar Negro sustentam mercado brasileiro

O mercado brasileiro de trigo atravessa um momento de forte atenção diante da combinação entre redução da safra nacional, oferta interna limitada, aumento dos custos de importação e instabilidade no mercado internacional. Embora os contratos futuros tenham registrado leves quedas na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta terça-feira (21), especialistas avaliam que o movimento representa apenas uma realização de lucros, sem alterar os fundamentos de sustentação dos preços.

Ao mesmo tempo, dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam um cenário de menor disponibilidade de trigo no Brasil em 2026, enquanto a valorização do cereal argentino e as incertezas envolvendo os embarques da região do Mar Negro adicionam pressão ao mercado.

Safra brasileira de trigo pode ser a menor dos últimos seis anos

A Conab reduziu em 4,5% sua estimativa para a safra brasileira de trigo 2026, revisando a produção de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas.

Caso a projeção seja confirmada, será a menor produção nacional desde 2020, representando uma queda de 23,5% em relação à safra anterior.

A revisão decorre principalmente da redução da área cultivada na Região Sul e da menor produtividade observada em parte das lavouras do Centro-Oeste, fatores que diminuem significativamente a oferta interna do cereal.

Com uma colheita menor, o Brasil deverá ampliar sua dependência das importações, especialmente da Argentina, principal fornecedora do trigo consumido pelos moinhos brasileiros.

Cepea aponta mercado sustentado pela oferta restrita

Levantamento do Cepea mostra que as cotações do trigo registraram apenas ajustes pontuais no mercado doméstico, sustentadas principalmente pela retração dos vendedores e pelas novas estimativas de produção.

No Rio Grande do Sul, a baixa liquidez continua predominando. A demanda reduzida da indústria, somada ao abastecimento considerado confortável pelos moinhos, limita novas negociações e mantém pressão sobre os preços.

Já no Paraná, a menor disponibilidade do cereal continua dando sustentação às cotações no mercado de lotes, refletindo uma oferta mais enxuta.

Chicago recua, mas fundamentos permanecem positivos

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros iniciaram o pregão em baixa.

O vencimento setembro/26 foi negociado a US$ 6,69 por bushel, queda de 0,74%. O contrato dezembro/26 recuou para US$ 6,86 por bushel, enquanto o março/27 caiu para US$ 7,02 por bushel.

Segundo análise do consultor Vlamir Brandalizze, o movimento representa apenas uma realização de lucros após as recentes valorizações.

Na avaliação do especialista, o mercado continua atento aos fatores estruturais que sustentam os preços internacionais, especialmente:

  • redução da produção brasileira;
  • evolução da safra argentina;
  • comportamento da demanda mundial;
  • riscos logísticos envolvendo Rússia e Ucrânia.
Argentina ganha ainda mais importância para o abastecimento brasileiro

Com a menor produção nacional prevista para este ano, a Argentina tende a ampliar seu papel como principal fornecedora de trigo ao Brasil.

O plantio argentino avança dentro do esperado e, até o momento, as condições climáticas são consideradas favoráveis. Uma boa safra no país vizinho poderá amenizar parte da redução da oferta brasileira no segundo semestre.

Entretanto, qualquer alteração climática durante o desenvolvimento das lavouras poderá modificar esse cenário, elevando ainda mais a pressão sobre os preços do trigo no Mercosul.

Mar Negro continua sendo fator de risco para o mercado mundial

Além da América do Sul, o mercado internacional permanece monitorando atentamente a região do Mar Negro.

A Rússia segue projetando uma das maiores colheitas globais e deve manter sua liderança nas exportações mundiais de trigo. Porém, operadores acompanham os impactos da guerra sobre a logística de embarques, especialmente após novos ataques à infraestrutura portuária.

Na Ucrânia, embora a expectativa seja de uma produção relativamente estável na safra 2026/27, persistem dificuldades para o escoamento da produção, mantendo elevado o risco de interrupções nas exportações.

Esses fatores continuam influenciando diretamente a formação dos preços internacionais do cereal.

Alta do trigo argentino encarece importações

De acordo com a TF Agroeconômica, a valorização do trigo argentino já começou a elevar os custos de importação para o mercado brasileiro.

O trigo FOB em Buenos Aires, com 11% de proteína para embarque em agosto, passou de US$ 230 para US$ 240 por tonelada, aumentando o custo das farinhas importadas e das operações destinadas aos moinhos nacionais.

No Rio Grande do Sul, a Cargill indicou trigo a US$ 286 por tonelada CIF Canoas, enquanto outras ofertas giram próximas de US$ 300 por tonelada.

Também surgem relatos de problemas de qualidade na reta final da oferta gaúcha, com ocorrência elevada de DON (deoxinivalenol), fator que reduz a disponibilidade de trigo apto para moagem.

Em Panambi (RS), o preço pago ao produtor foi de R$ 70,02 por saca.

Mercado permanece lento no Sul do Brasil

Em Santa Catarina, o mercado praticamente aguarda a entrada da nova safra.

As ofertas locais estão praticamente esgotadas, enquanto o trigo gaúcho é ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, acrescidos de frete e ICMS.

A comercialização de farinha segue bastante lenta, levando diversos moinhos a reduzirem o ritmo de moagem e ampliarem seus estoques.

No Paraná, o aumento de aproximadamente US$ 10 por tonelada no trigo argentino já elevou o custo da matéria-prima importada.

Negócios foram registrados na faixa de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho, na região de Curitiba.

Para a safra nova, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, porém vendedores permanecem retraídos diante das preocupações climáticas relacionadas ao possível impacto do El Niño.

Perspectivas

O mercado brasileiro de trigo segue sustentado por fundamentos que apontam para uma oferta mais apertada ao longo de 2026. A combinação entre a menor safra nacional desde 2020, custos mais elevados das importações, valorização do trigo argentino e riscos geopolíticos no Mar Negro deve manter as cotações relativamente firmes, mesmo diante de correções pontuais na Bolsa de Chicago.

Para os próximos meses, a evolução da safra argentina, o comportamento climático nas principais regiões produtoras e o fluxo das exportações globais continuarão sendo os principais fatores que determinarão a direção dos preços do cereal no Brasil e no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

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