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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo ganha força após relatório do USDA e tensão no Mar Negro; mercado recomenda estratégia nas negociações

Redução da produção nos Estados Unidos, corte dos estoques globais e riscos geopolíticos reforçam expectativa de preços firmes e exigem decisões mais estratégicas de produtores, moinhos, cooperativas e exportadores


Publicado em: 13/07/2026 às 11:00hs

Trigo ganha força após relatório do USDA e tensão no Mar Negro; mercado recomenda estratégia nas negociações
Foto: Brandt

O mercado internacional de trigo iniciou a semana atento aos novos fundamentos de oferta e demanda que passaram a sustentar um cenário de preços mais firmes. Depois da divulgação do mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que reduziu a estimativa da produção norte-americana e revisou para baixo os estoques mundiais, agentes da cadeia intensificam a adoção de estratégias comerciais para enfrentar um ambiente de maior volatilidade.

Além dos ajustes promovidos pelo USDA, a continuidade das tensões geopolíticas na região do Mar Negro mantém elevados os riscos para o abastecimento global, fortalecendo a percepção de que o mercado poderá registrar novas valorizações nos próximos meses.

Contratos em Chicago operam próximos da estabilidade

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos futuros do trigo iniciaram a sessão desta segunda-feira com oscilações moderadas, após os fortes ganhos registrados no encerramento da semana anterior.

O contrato com vencimento em julho era negociado a US$ 6,34 por bushel, enquanto setembro era cotado a US$ 6,37 por bushel e dezembro a US$ 6,52 por bushel. O comportamento mais cauteloso reflete o movimento natural de realização de lucros, enquanto investidores assimilam as novas projeções do USDA e acompanham o desenvolvimento das lavouras nos principais países produtores.

O mercado também monitora as condições climáticas no Hemisfério Norte, fator que deverá permanecer no radar dos investidores nas próximas semanas.

USDA reduz produção dos Estados Unidos e aperta quadro global

O relatório de oferta e demanda divulgado pelo USDA trouxe novos elementos de sustentação para os preços internacionais.

A estimativa da produção de trigo dos Estados Unidos para a safra 2026/27 foi reduzida para 1,536 bilhão de bushels, refletindo principalmente a menor produção de trigo de inverno, estimada em 990 milhões de bushels. A safra de trigo de primavera apresentou desempenho melhor que o esperado, alcançando 475 milhões de bushels, mas não foi suficiente para compensar a redução total da oferta.

Os estoques finais norte-americanos passaram a ser projetados em 722 milhões de bushels, reforçando um cenário de disponibilidade mais restrita ao longo da temporada.

No mercado internacional, o USDA também reduziu os estoques finais globais para 272,84 milhões de toneladas, queda de 2,78 milhões de toneladas em relação ao relatório anterior. A revisão incorpora reduções nos estoques de países importantes como Estados Unidos, Argentina, Canadá e União Europeia, fortalecendo a perspectiva de menor oferta mundial.

Mar Negro amplia incertezas e sustenta valorização

Outro fator que continua oferecendo suporte às cotações é a instabilidade na região do Mar Negro, uma das principais origens exportadoras de trigo do mundo.

As incertezas relacionadas às exportações de Rússia e Ucrânia mantêm elevados os prêmios internacionais e aumentam o risco de interrupções no fluxo comercial global. Enquanto não houver melhora significativa no cenário geopolítico, o mercado tende a permanecer sensível a qualquer notícia envolvendo a região.

Esse conjunto de fatores reforça a expectativa de preços sustentados, principalmente em um ambiente de estoques mundiais mais enxutos.

Estratégias comerciais ganham importância

Segundo análise da TF Agroeconômica, o momento exige decisões mais estratégicas por parte de todos os participantes da cadeia produtiva.

Para os produtores, a recomendação é evitar acelerar excessivamente as vendas da safra, já que os fundamentos permanecem favoráveis à manutenção de preços firmes. Caso persistam os problemas no Mar Negro e a produção brasileira confirme uma oferta menor, novas valorizações poderão ocorrer.

Cooperativas e cerealistas devem manter cobertura parcial de suas necessidades, aproveitando eventuais momentos de realização de lucros nas bolsas para recompor estoques.

Já os moinhos são orientados a não adiar totalmente as compras. A redução da produção norte-americana, o corte dos estoques globais e o aumento das incertezas internacionais elevam o risco de novas altas, tornando recomendável alongar parte da cobertura sem perder flexibilidade para aproveitar possíveis correções de mercado.

No Brasil, o avanço das negociações da safra nova já reflete esse ambiente mais firme. No Paraná, as indicações passaram de aproximadamente R$ 1.400 para R$ 1.500 por tonelada, sinalizando maior valorização do cereal.

Exportadores acompanham oportunidades

Para os exportadores, o momento é de monitoramento constante dos prêmios internacionais.

Qualquer nova restrição nas exportações dos principais fornecedores do Mar Negro poderá ampliar a competitividade de outros países exportadores e abrir novas oportunidades de negócios no mercado externo.

Perspectiva permanece positiva

O mercado de trigo entra na segunda quinzena do mês sustentado por fundamentos considerados altistas. A combinação entre menor produção nos Estados Unidos, redução dos estoques globais, oferta internacional mais apertada e riscos geopolíticos mantém o viés de preços firmes.

Enquanto não houver uma recuperação significativa da oferta mundial ou redução das tensões no Mar Negro, a expectativa predominante é de continuidade da sustentação das cotações, exigindo planejamento e estratégias comerciais mais cuidadosas por parte de produtores, indústrias e exportadores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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