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Trigo dispara em Chicago e mantém alta com guerra no Mar Negro, cortes na oferta global e demanda aquecida

Mercado internacional do trigo segue sustentado por riscos nas exportações da Ucrânia, redução dos estoques globais apontada pelo USDA e novas compras internacionais, mantendo as cotações em forte valorização na Bolsa de Chicago.


Publicado em: 16/07/2026 às 11:10hs

Trigo dispara em Chicago e mantém alta com guerra no Mar Negro, cortes na oferta global e demanda aquecida

O mercado internacional do trigo permanece em forte alta nesta quinta-feira (16), após registrar um avanço superior a 5% na sessão anterior na Bolsa de Chicago (CBOT). As cotações seguem sustentadas pelo agravamento do conflito entre Rússia e Ucrânia, pelos riscos às exportações de grãos pelo Mar Negro e pelos sinais de uma oferta global mais apertada, reforçados pelo mais recente relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

No início dos negócios, os contratos futuros mantinham o movimento positivo. O vencimento setembro/26 era negociado a US$ 6,84 por bushel, com valorização de 6,50 pontos. O contrato dezembro/26 avançava para US$ 6,98 por bushel, enquanto março/27 era cotado a US$ 7,09 por bushel, refletindo a continuidade do movimento comprador observado nos últimos dias.

Guerra no Mar Negro mantém mercado em alerta

O principal fator de sustentação continua sendo a escalada das tensões na região do Mar Negro, responsável por uma parcela significativa do comércio mundial de trigo e milho.

Os recentes ataques russos contra a infraestrutura portuária da Ucrânia elevaram as preocupações sobre a capacidade do país de manter o fluxo de exportações. Segundo informações divulgadas por agências internacionais, aproximadamente um terço da capacidade operacional dos portos ucranianos foi comprometida após os bombardeios.

Mais de 90% das exportações agrícolas da Ucrânia utilizam os portos da região de Odessa. A capacidade de embarque, que anteriormente girava em torno de 6 milhões de toneladas por mês, caiu para aproximadamente 4 milhões de toneladas mensais.

A Associação Ucraniana de Agricultura (UAC) afirma que os ataques passaram a atingir de forma sistemática portos, terminais e toda a cadeia logística de transporte de grãos, aumentando o risco de novos gargalos no comércio internacional.

Além disso:

  • quatro dos principais terminais graneleiros suspenderam temporariamente novas compras;
  • exportadores enfrentam dificuldades para negociar embarques;
  • armadores demonstram maior resistência em operar nos portos ucranianos;
  • os custos logísticos e de frete marítimo seguem em elevação.

Apesar do cenário adverso, o governo da Ucrânia informou que pretende manter as exportações da safra 2026/27 próximas aos volumes registrados na temporada anterior.

USDA reforça cenário de oferta mais restrita

Além das preocupações geopolíticas, o mercado continua repercutindo os números divulgados pelo USDA no último relatório WASDE.

O departamento reduziu sua estimativa para a produção norte-americana de trigo para 1,536 bilhão de bushels e também revisou para baixo os estoques mundiais, agora estimados em 272,84 milhões de toneladas.

As revisões fortaleceram a percepção de que o equilíbrio entre oferta e demanda deverá permanecer mais apertado ao longo da temporada, oferecendo suporte adicional aos preços internacionais.

Segundo analistas de mercado, a combinação entre menor disponibilidade global e riscos logísticos aumenta a sensibilidade das cotações diante de qualquer novo evento envolvendo o corredor de exportação do Mar Negro.

Europa também contribui para a valorização

Outro elemento de suporte veio da Europa.

O Ministério da Agricultura da França reduziu sua estimativa para a produção de trigo soft em 2026 para 32 milhões de toneladas, volume cerca de 4% inferior ao registrado no ano passado e aproximadamente 2% abaixo da média dos últimos cinco anos.

A revisão reforça o cenário de menor disponibilidade entre importantes produtores mundiais.

Demanda internacional permanece firme

Enquanto a oferta inspira cautela, a demanda continua demonstrando força.

Nesta semana, a Associação dos Moinhos de Taiwan adquiriu aproximadamente 98.150 toneladas de trigo de moagem dos Estados Unidos, reforçando o interesse comprador e contribuindo para manter o mercado sustentado.

Analistas observam que, em um ambiente de oferta mais limitada, novas compras internacionais tendem a exercer impacto ainda maior sobre as cotações.

Chicago registra forte valorização

Na sessão anterior, os contratos futuros encerraram com expressivos ganhos.

O vencimento setembro fechou cotado a US$ 6,77½ por bushel, alta de 5,03%, enquanto dezembro encerrou a US$ 6,92 por bushel, com valorização de 4,88%.

O movimento consolidou uma das maiores altas recentes do mercado, refletindo a rápida incorporação dos riscos geopolíticos aos preços.

Perspectivas para o mercado de trigo

Os investidores seguem atentos à evolução dos conflitos entre Rússia e Ucrânia, às condições de funcionamento dos portos ucranianos e às próximas atualizações sobre a oferta mundial.

Enquanto persistirem as incertezas envolvendo o corredor de exportação do Mar Negro e permanecerem as perspectivas de estoques globais mais enxutos, o mercado internacional do trigo deverá continuar operando com elevada volatilidade e viés de sustentação para os preços.

Além do cenário geopolítico, fatores como o desenvolvimento das lavouras no Hemisfério Norte, o ritmo das exportações e novas licitações internacionais seguirão sendo determinantes para o comportamento das cotações nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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