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Aveia, Trigo e Cevada

Trigo dispara em Chicago com risco global de oferta, enquanto mercado brasileiro segue travado por custos elevados e baixa demanda

Alta nas cotações internacionais impulsionada por tensões no Mar Negro e clima no Hemisfério Norte contrasta com baixa liquidez no Sul do Brasil, onde trigo caro, estoques elevados e vendas lentas de farinha limitam novos negócios.


Publicado em: 22/07/2026 às 11:40hs

Trigo dispara em Chicago com risco global de oferta, enquanto mercado brasileiro segue travado por custos elevados e baixa demanda
Foto: Diogo Zanatta

O mercado de trigo vive um momento de contrastes entre o cenário internacional e o doméstico. Enquanto os contratos futuros registram forte valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionados pelas preocupações com a oferta global e os riscos geopolíticos no Mar Negro, o mercado brasileiro permanece travado, especialmente na Região Sul, devido aos elevados custos do cereal, à fraca demanda por farinha e aos estoques ainda confortáveis mantidos pelos moinhos.

A combinação desses fatores reduz significativamente a liquidez no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mesmo diante da expectativa de uma safra brasileira menor em 2026, que tende a ampliar a dependência das importações.

Chicago sobe mais de 2% com preocupação sobre oferta mundial

Os contratos futuros do trigo abriram a quarta-feira em forte valorização na Bolsa de Chicago, refletindo a retomada das preocupações dos investidores com o abastecimento global.

O contrato para setembro de 2026 avançava para US$ 6,96 por bushel, alta de 2,69%. O vencimento dezembro era negociado a US$ 7,13 por bushel, com valorização de 2,50%, enquanto o contrato março de 2027 subia para US$ 7,28 por bushel, registrando ganho de 2,42%.

O movimento ocorre em meio às incertezas envolvendo o corredor de exportação do Mar Negro, região responsável por parcela significativa do comércio mundial de trigo. Além das tensões entre Rússia e Ucrânia, o mercado acompanha atentamente as condições climáticas nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte, fatores capazes de alterar rapidamente as perspectivas de oferta global.

Mesmo com expectativa de boa produção em alguns países exportadores, qualquer mudança na logística internacional ou nas condições das lavouras continua sustentando a volatilidade das cotações.

Menor safra brasileira reforça necessidade de importações

No Brasil, a perspectiva de redução da produção nacional em 2026 permanece como um dos principais fatores de sustentação dos preços internos.

Com menor disponibilidade de trigo nacional, cresce a necessidade de importações, mantendo a Argentina como principal fornecedora do cereal para abastecer os moinhos brasileiros.

Entretanto, justamente o aumento dos preços do trigo argentino tem pressionado os custos da indústria de moagem, dificultando a realização de novos negócios.

Mercado do Sul permanece com baixa liquidez

Apesar da valorização internacional, o mercado físico no Sul do país segue praticamente paralisado.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a comercialização continua limitada pela combinação entre trigo caro, consumo reduzido de farinha e estoques elevados nos moinhos, cenário que reduz o interesse por novas compras.

As diferenças regionais aparecem principalmente na disponibilidade de produto e nos preços praticados, mas a baixa liquidez é comum aos três principais estados produtores.

Rio Grande do Sul enfrenta estoques elevados e problemas de qualidade

No Rio Grande do Sul, o ritmo lento das vendas de farinha mantém os estoques elevados nos moinhos e reduz a necessidade de aquisição de trigo.

O cereal argentino teve nova valorização, com indicação de US$ 286 por tonelada CIF Canoas, enquanto o trigo com 11% de proteína para entrega em agosto passou de US$ 230 para US$ 240 por tonelada FOB.

Além dos preços elevados, compradores também relatam problemas de qualidade no trigo remanescente da safra gaúcha, especialmente devido aos altos índices de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que compromete a qualidade industrial do cereal.

No mercado de balcão, Panambi manteve estabilidade, com a saca cotada a R$ 70,02.

Santa Catarina reduz moagem diante da fraca demanda

Em Santa Catarina, praticamente não há mais oferta de trigo local.

O último lote disponível foi negociado a R$ 1.350 por tonelada FOB, acrescido do frete. Já o trigo gaúcho segue ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além dos custos de transporte e ICMS.

A baixa procura por farinha levou diversos moinhos a reduzir o ritmo de moagem e ampliar o período de armazenamento dos estoques.

Os preços de balcão permaneceram estáveis em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, registraram alta em Canoinhas e Joaçaba e apresentaram recuo em São Miguel do Oeste.

Paraná sente impacto do trigo argentino mais caro

No Paraná, o aumento das cotações do trigo argentino também elevou os preços das farinhas importadas.

O trigo disponível é negociado em torno de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho nas regiões de Curitiba e Campos Gerais, enquanto no Norte do estado as indicações variam entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada.

Para a safra nova, os valores projetados permanecem entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada. No entanto, produtores continuam retraídos nas negociações, aguardando maior definição sobre as condições climáticas influenciadas pelo El Niño, o que impede a realização de novos negócios.

Mercado deve seguir sensível ao cenário internacional

O mercado brasileiro de trigo deve permanecer acompanhando de perto o comportamento das bolsas internacionais nas próximas semanas.

A combinação entre menor oferta nacional, valorização do trigo importado, custos elevados para os moinhos e incertezas sobre o abastecimento mundial mantém o setor em estado de atenção. Enquanto Chicago reage aos riscos geopolíticos e climáticos, o mercado interno segue enfrentando dificuldades para recuperar a liquidez, com a demanda por farinha ainda abaixo do esperado e compradores operando com cautela.

Fonte: Portal do Agronegócio

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