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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo sobe no mercado internacional com tensão entre Rússia e Ucrânia, enquanto negociações seguem lentas no Brasil

Cotações externas avançam impulsionadas por riscos geopolíticos e problemas climáticos; no mercado brasileiro, entressafra, oferta restrita e baixa liquidez mantêm produtores e moinhos cautelosos.


Publicado em: 28/07/2026 às 11:40hs

Preço do trigo sobe no mercado internacional com tensão entre Rússia e Ucrânia, enquanto negociações seguem lentas no Brasil
Foto: CAPAL

As cotações do trigo voltaram a ganhar força no mercado internacional nos últimos dias, impulsionadas pelo aumento das tensões entre Rússia e Ucrânia e pelas preocupações com o clima em importantes regiões produtoras da Europa e dos Estados Unidos. O movimento elevou os preços futuros negociados na Bolsa de Chicago (CME Group), onde o contrato com vencimento em setembro de 2026 chegou a superar a marca de US$ 7 por bushel.

O cenário externo mais firme ocorre em um momento de oferta global cercada por incertezas, reforçando a volatilidade do mercado internacional e aumentando a atenção dos importadores e da indústria moageira.

Mercado brasileiro de trigo permanece travado

Apesar da valorização no exterior, o mercado brasileiro continua apresentando ritmo lento de comercialização. Segundo levantamento do Cepea, a entressafra mantém a disponibilidade limitada de trigo remanescente da safra passada, enquanto moinhos operam com estoques relativamente confortáveis e produtores evitam antecipar vendas da nova temporada.

A combinação entre oferta reduzida, demanda moderada e cautela dos agentes resulta em baixa liquidez nas negociações, cenário típico do período de transição entre safras.

Moinhos reduzem moagem e enfrentam pressão nas margens

De acordo com a TF Agroeconômica, a indústria de moagem continua enfrentando dificuldades para repassar o aumento dos custos ao mercado consumidor. Mesmo após reajustes nos preços da farinha, a demanda permanece enfraquecida, levando diversas unidades a reduzir o ritmo de moagem e ampliar os estoques.

A consultoria destaca que os negócios seguem ocorrendo apenas de forma pontual, refletindo a cautela tanto dos compradores quanto dos vendedores.

Rio Grande do Sul registra preços firmes e problemas de qualidade

No Rio Grande do Sul, os negócios para retirada em agosto e pagamento em setembro foram registrados, em média, a R$ 1.300 por tonelada no interior, enquanto o trigo melhorador alcançou R$ 1.350 por tonelada.

As referências para entrega direta aos moinhos chegaram a R$ 1.460 por tonelada para lotes de melhor qualidade, enquanto o trigo padrão foi negociado próximo de R$ 1.380 por tonelada.

Outro fator que preocupa o mercado gaúcho é a qualidade dos estoques remanescentes. Foram relatados níveis elevados de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que reduz a qualidade industrial do cereal e limita sua utilização pelos moinhos.

Já o trigo argentino nacionalizado foi cotado em US$ 292 por tonelada em Canoas, registrando valorização de aproximadamente 6,2% em relação às semanas anteriores.

No mercado de balcão, o preço pago ao produtor em Panambi recuou para R$ 69 por saca.

Santa Catarina praticamente encerra oferta da safra anterior

Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo da safra passada praticamente chegou ao fim. O último lote de origem catarinense foi negociado a R$ 1.350 por tonelada FOB, acrescido do frete.

O trigo vindo do Rio Grande do Sul foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além dos custos de frete e ICMS. Sobras de sementes destinadas à moagem foram comercializadas a R$ 1.450 CIF moinho.

Mesmo após reajustes próximos de 5% nos preços da farinha, o mercado segue com baixa movimentação, obrigando moinhos a reduzirem a produção enquanto aguardam uma melhora na demanda.

Paraná mantém preços elevados e produtores evitam vender

No Paraná, as cotações permanecem acima de R$ 1.400 por tonelada, patamar que continua comprimindo as margens da indústria.

Negócios para entrega em moinho na região de Curitiba foram registrados a R$ 1.450 por tonelada CIF.

Para a nova safra, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, mas praticamente não há fechamento de contratos antecipados. Os produtores permanecem cautelosos diante das incertezas climáticas associadas ao possível retorno do El Niño, preferindo aguardar maior definição sobre o potencial produtivo antes de avançar nas vendas.

Perspectivas para o mercado de trigo

O mercado brasileiro de trigo deve continuar acompanhando atentamente o comportamento das cotações internacionais nas próximas semanas. A continuidade das tensões entre Rússia e Ucrânia, aliada aos riscos climáticos nas principais regiões produtoras do Hemisfério Norte, tende a sustentar os preços globais.

No mercado interno, entretanto, a expectativa é de manutenção da baixa liquidez até o avanço da colheita da nova safra, com produtores adotando postura defensiva e moinhos priorizando a gestão de estoques em um ambiente de demanda ainda moderada.

Fonte: Portal do Agronegócio

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