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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo segue firme no Brasil mesmo com queda em Chicago; mercado monitora safra, importações e cenário global

Cotações do trigo permanecem sustentadas no Sul do país, enquanto Bolsa de Chicago recua com expectativa de grandes colheitas na Rússia e Ucrânia e mercado acompanha riscos logísticos no Mar Negro.


Publicado em: 07/08/2026 às 11:20hs

Preço do trigo segue firme no Brasil mesmo com queda em Chicago; mercado monitora safra, importações e cenário global
Foto: Gui Benck

O mercado de trigo inicia agosto dividido entre a firmeza dos preços no Brasil e a pressão observada nas cotações internacionais. Enquanto produtores seguem cautelosos nas negociações da nova safra e os moinhos buscam garantir abastecimento de matéria-prima de qualidade, a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou forte queda impulsionada por ajustes técnicos e pela perspectiva de maior oferta global do cereal.

No Sul do Brasil, o cenário continua marcado por negociações pontuais, diferenças regionais de preços e expectativa quanto ao comportamento da próxima safra, especialmente diante das incertezas climáticas e da necessidade futura de importações.

Trigo mantém preços firmes no Sul do Brasil

De acordo com a TF Agroeconômica, os mercados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná apresentam comportamentos distintos, mas todos refletem a postura cautelosa de compradores e vendedores.

No Rio Grande do Sul, levantamento do Cepea mostrou valorização semanal de 0,25% nos preços do trigo. O movimento levou parte dos moinhos a reforçar estoques para garantir abastecimento até novembro.

As negociações para retirada em agosto e pagamento em setembro ocorreram, em média, a R$ 1.300 por tonelada no interior do estado, enquanto o trigo melhorador alcançou R$ 1.350 por tonelada. Para produtos de maior qualidade, as referências chegaram a R$ 1.460 CIF, enquanto o trigo padrão foi negociado próximo de R$ 1.380 CIF.

Outro destaque foi a valorização do trigo argentino nacionalizado, cotado a US$ 292 por tonelada em Canoas, alta semanal de 6,2%.

Apesar dos preços sustentados, moinhos seguem enfrentando dificuldades relacionadas aos elevados níveis de DON (deoxinivalenol) encontrados em parte do cereal disponível, fator que limita a oferta de trigo de melhor qualidade.

Na região produtora de Panambi, o preço pago ao produtor recuou para R$ 69 por saca.

Comercialização da nova safra segue lenta

A comercialização antecipada da safra 2026/27 permanece abaixo do ritmo registrado no ano passado.

Segundo a TF Agroeconômica, aproximadamente 60 mil toneladas já foram negociadas no Rio Grande do Sul, menos da metade do volume comercializado no mesmo período da safra anterior.

Diante das incertezas climáticas associadas ao fenômeno El Niño, a recomendação dos analistas é evitar vendas físicas antecipadas. Para produtores que desejam fixar preços, a orientação é utilizar instrumentos de proteção via mercado futuro.

Santa Catarina e Paraná apresentam cenários distintos

Em Santa Catarina, o mercado permanece lento. Os moinhos seguem abastecidos, a moagem continua reduzida e a pressão sobre os preços da farinha limita novos negócios.

O trigo destinado à panificação é negociado entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra ainda avança lentamente.

Já no Paraná, os preços médios registraram alta semanal de 0,80%, sustentados pela maior procura por trigo e farinhas de melhor qualidade.

Negócios foram registrados na região de Curitiba ao redor de R$ 1.450 CIF moinho, mas produtores permanecem retraídos nas vendas da safra nova.

As projeções para os próximos anos também chamam atenção. Analistas estimam que o estado poderá necessitar importar cerca de 1,5 milhão de toneladas de trigo em 2027, reforçando a importância do mercado externo para equilibrar a oferta.

Chicago recua com expectativa de maior oferta mundial

Enquanto o mercado brasileiro permanece sustentado, os contratos futuros do trigo encerraram a sessão na Bolsa de Chicago em forte baixa.

O contrato para setembro fechou cotado a US$ 6,31¼ por bushel, queda de 1,71%, enquanto o vencimento dezembro terminou em US$ 6,50½ por bushel, recuo de 1,62%.

O movimento foi provocado principalmente por realização de lucros e ajustes técnicos, além das expectativas de grandes colheitas na Rússia e na Ucrânia, fatores que reduziram parte das preocupações com o abastecimento mundial.

Conflito no Mar Negro continua influenciando o mercado

Apesar da pressão baixista, o conflito entre Rússia e Ucrânia continua sendo um importante fator de sustentação para os preços internacionais.

Durante a semana, um ataque russo atingiu um navio de bandeira estrangeira carregado com trigo na região ucraniana do Mar Negro, interrompendo operações logísticas e reforçando os riscos para o comércio internacional do cereal.

Ao mesmo tempo, consultorias de mercado alertam que os riscos às exportações da região ainda podem estar sendo subestimados.

A SovEcon estima que as exportações russas de trigo totalizaram apenas 1,6 milhão de toneladas em julho, abaixo das 2,1 milhões de toneladas embarcadas no mesmo mês do ano anterior e o menor volume para julho desde a safra 2017/18.

Entre os fatores apontados estão as restrições de navegação no Mar de Azov, ataques à infraestrutura portuária e menor demanda de compradores internacionais.

Mercado acompanha relatório do USDA

Outro fator que limita movimentos mais intensos nas cotações é a expectativa pela divulgação do próximo relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), considerado um dos principais indicadores para o mercado global de grãos.

Na última semana, as vendas líquidas norte-americanas de trigo da safra 2026/27 somaram 296,4 mil toneladas, dentro das expectativas do mercado, tendo as Filipinas como principal destino das exportações.

Perspectiva

O mercado do trigo permanece dividido entre fundamentos locais e internacionais. No Brasil, a oferta restrita de cereal de qualidade, a cautela dos produtores e a necessidade futura de importações sustentam os preços. No cenário externo, porém, a expectativa de grandes safras no Leste Europeu continua pressionando as cotações, embora os riscos logísticos no Mar Negro e os próximos relatórios do USDA possam alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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