Preço do trigo oscila no Sul: demanda por farinha sustenta mercado no Paraná, enquanto Rio Grande do Sul registra queda nas cotações
Mercado do trigo apresenta cenários distintos entre os estados do Sul; moinhos ajustam estoques, comercialização da nova safra segue lenta e importações continuam no radar do setor.
Publicado em: 06/08/2026 às 11:40hs
O mercado brasileiro de trigo iniciou agosto com comportamentos distintos entre os principais estados produtores da Região Sul. Enquanto o Rio Grande do Sul registrou recuo nas cotações diante do avanço das compras dos moinhos e da acomodação da demanda, o Paraná manteve preços firmes impulsionados pela procura por farinhas de maior qualidade. Em Santa Catarina, o mercado permanece lento, refletindo o baixo ritmo de moagem e a dificuldade de comercialização do produto final.
Levantamento da TF Agroeconômica mostra que o abastecimento da indústria moageira, a demanda regional e as expectativas para a nova safra seguem determinando o comportamento dos preços no mercado interno.
Rio Grande do Sul registra queda nos preços do trigo
No Rio Grande do Sul, o preço do trigo recuou 0,77% na última semana, conforme indicadores do Cepea. A retração ocorreu após parte dos moinhos concluir compras destinadas à formação de estoques suficientes para atender à demanda até novembro.
As negociações para retirada em agosto e pagamento em setembro ficaram próximas de R$ 1.300 por tonelada no interior do estado, enquanto o trigo melhorador alcançou cerca de R$ 1.350 por tonelada.
Nas negociações CIF, as bases chegaram a R$ 1.460 por tonelada para trigo de melhor qualidade e aproximadamente R$ 1.380 para trigo padrão.
Já o trigo argentino nacionalizado apresentou valorização de 6,2%, atingindo US$ 292 por tonelada em Canoas, movimento influenciado pelo cenário internacional e pelos custos de importação.
Outro fator observado pelo mercado foi o aumento das reclamações sobre lotes gaúchos com elevados níveis de DON (Deoxinivalenol), micotoxina que reduz a qualidade industrial do cereal e limita sua comercialização.
No mercado de balcão, o preço pago ao produtor em Panambi caiu para R$ 69 por saca.
Comercialização da nova safra segue abaixo do esperado
As vendas antecipadas da safra 2026/27 continuam em ritmo moderado no Rio Grande do Sul.
Até o momento, aproximadamente 60 mil toneladas foram negociadas entre exportadores e moinhos, volume inferior à metade do registrado no mesmo período do ano anterior.
Segundo analistas, a cautela dos produtores está relacionada às incertezas climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño, que pode influenciar tanto a produtividade quanto a qualidade da produção.
No porto, as indicações para entrega em dezembro permanecem próximas de R$ 1.250 por tonelada.
Santa Catarina enfrenta mercado travado
Em Santa Catarina, o mercado continua operando com baixa liquidez.
Os moinhos seguem abastecidos, trabalham com moagem reduzida e enfrentam dificuldades para ampliar as vendas de farinha, reduzindo a necessidade de novas aquisições de trigo.
As negociações do trigo destinado à panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto os preços pagos aos produtores apresentam comportamento regionalizado, alternando estabilidade e pequenas oscilações.
O plantio da nova safra ainda ocorre de forma inicial no estado.
Paraná mantém preços firmes com demanda por trigo de qualidade
No Paraná, a maior procura por farinhas de melhor desempenho industrial continua sustentando as cotações do trigo.
Negócios para entrega aos moinhos chegaram a R$ 1.450 por tonelada CIF em Curitiba, enquanto no Norte do estado as indicações alcançaram até R$ 1.550 por tonelada, refletindo a maior valorização do cereal de qualidade superior.
Para a safra nova, as referências variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, embora ainda não tenham sido registrados negócios relevantes.
Importações continuam necessárias para atender o mercado brasileiro
Mesmo com a evolução da produção nacional, especialistas avaliam que o Brasil continuará dependente do trigo importado nos próximos anos.
As projeções apontam necessidade de importação de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas em 2027, principalmente para suprir a demanda da indústria moageira por trigo de maior qualidade tecnológica.
Esse cenário mantém o mercado atento ao comportamento dos preços internacionais, ao câmbio e à oferta da Argentina, principal fornecedora de trigo ao Brasil.
Perspectivas para o mercado de trigo
O mercado brasileiro deverá permanecer sensível ao avanço da nova safra, às condições climáticas e ao comportamento da demanda da indústria de moagem nos próximos meses.
Enquanto o Paraná apresenta maior sustentação nos preços graças ao consumo de farinhas especiais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina tendem a operar com menor liquidez até que haja definições sobre a qualidade da safra e a necessidade de reposição de estoques pelos moinhos.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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