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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo mantém firmeza no Brasil com oferta limitada e baixa liquidez no mercado

Cotações seguem sustentadas pela escassez de cereal de melhor qualidade, enquanto moinhos adotam postura cautelosa e importações avançam na temporada 2025/26


Publicado em: 24/07/2026 às 19:00hs

Preço do trigo mantém firmeza no Brasil com oferta limitada e baixa liquidez no mercado
Foto: Gilson Abreu

O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana com preços sustentados, mesmo diante da redução no ritmo dos negócios. A oferta restrita de cereal de melhor qualidade continua dando suporte às cotações, enquanto compradores e vendedores permanecem com posições distantes.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o mercado começou a semana com maior firmeza, mas perdeu intensidade nos últimos dias devido à baixa liquidez e à cautela dos moinhos.

A indústria segue realizando compras pontuais, voltadas principalmente para reposição imediata, enquanto produtores mantêm uma postura mais firme diante da dificuldade de encontrar trigo com padrão superior.

Oferta restrita sustenta preços do trigo no Paraná e Rio Grande do Sul

Entre os principais estados produtores, o Paraná apresentou a maior valorização semanal.

A cotação média do trigo paranaense avançou 3,5%, alcançando R$ 1.467 por tonelada.

De acordo com Bento, a dificuldade de reposição de trigo de melhor qualidade mantém o mercado aquecido no estado.

As referências de negociação ficaram próximas de:

  • Compradores: R$ 1.450 por tonelada CIF;
  • Vendedores: aproximadamente R$ 1.480 por tonelada FOB.

No Rio Grande do Sul, a alta foi mais moderada, com valorização de 0,8%, levando o preço médio para R$ 1.305 por tonelada.

Segundo o analista, o mercado gaúcho permanece com poucos negócios envolvendo a safra antiga, enquanto as indicações para a nova temporada seguem entre R$ 1.250 e R$ 1.255 por tonelada no porto.

Nova safra amplia negócios no Cerrado brasileiro

Nas regiões do Cerrado, o avanço da colheita aumentou a disponibilidade de trigo da nova safra e estimulou novas negociações.

Em Minas Gerais, as referências ficaram próximas de R$ 1.550 por tonelada CIF em Belo Horizonte.

Em Goiás, as indicações permaneceram em torno de R$ 1.400 por tonelada na fazenda.

Apesar do avanço da colheita, o mercado continua dependente da disponibilidade de trigo com qualidade adequada para moagem, fator que mantém as cotações resistentes.

Moinhos limitam compras diante da dificuldade de repassar custos

Segundo a Safras & Mercado, um dos principais fatores que limitam a movimentação do mercado é a dificuldade da indústria em transferir o aumento do custo da matéria-prima para os preços da farinha.

Com margens pressionadas, os moinhos mantêm uma estratégia mais conservadora, realizando compras apenas conforme a necessidade operacional.

Do lado vendedor, a sustentação das cotações internacionais e a recuperação dos preços do trigo argentino contribuem para uma postura mais firme.

“O mercado permanece travado pelo desalinhamento entre compradores e vendedores, com produtores sustentando preços e moinhos buscando oportunidades pontuais”, avalia Bento.

Importações brasileiras de trigo somam 4,5 milhões de toneladas na temporada 2025/26

O line-up de importação de trigo do Brasil alcança 4,525 milhões de toneladas no acumulado da temporada 2025/26.

O levantamento da Safras & Mercado considera embarques realizados e programados entre setembro de 2025 e agosto de 2026.

Apesar do volume significativo, o ritmo está abaixo do registrado na temporada anterior.

No mesmo período de 2024/25, o line-up brasileiro somava 5,836 milhões de toneladas, indicando redução de aproximadamente 1,3 milhão de toneladas nas programações.

Ceará lidera importações brasileiras de trigo

Entre os estados compradores, o Ceará aparece como principal destino das importações brasileiras de trigo na temporada, concentrando:

  • 1,040 milhão de toneladas;
  • Participação de 23% do total importado.

Na sequência aparecem:

  • São Paulo: 946,4 mil toneladas (20,9%);
  • Pernambuco: 596 mil toneladas (13,2%);
  • Bahia: 509,7 mil toneladas (11,3%).

A distribuição regional reforça a importância das importações para abastecimento de regiões com menor produção interna.

Dezembro concentra maior volume de importação da temporada

No acompanhamento mensal, dezembro permanece como o período de maior movimentação da temporada, com 610 mil toneladas programadas.

Em 2026, os volumes registrados nos line-ups foram:

  • Janeiro: 360 mil toneladas;
  • Fevereiro: 393 mil toneladas;
  • Março: 274 mil toneladas;
  • Abril: 439 mil toneladas;
  • Maio: 286 mil toneladas;
  • Junho: 418 mil toneladas;
  • Julho: 452 mil toneladas;
  • Agosto: 151 mil toneladas.

Os dados indicam uma recomposição gradual das compras externas na reta final da temporada, em um cenário marcado pela necessidade de equilibrar oferta doméstica, qualidade do cereal e demanda da indústria.

Mercado do trigo segue atento à nova safra e ao cenário internacional

Com a oferta limitada de trigo de maior qualidade, o mercado brasileiro mantém preços firmes mesmo em um ambiente de baixa liquidez.

A evolução da colheita nacional, o comportamento das importações e a dinâmica internacional — especialmente na Argentina — devem continuar sendo os principais fatores de influência sobre as cotações nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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