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Aveia, Trigo e Cevada

Mercado do trigo enfrenta ritmo lento no Sul enquanto Chicago recua com melhora do clima nos Estados Unidos

Moinhos seguem abastecidos, produtores limitam vendas da nova safra e preços internacionais recuam após realização de lucros, embora riscos geopolíticos mantenham atenção do mercado


Publicado em: 24/07/2026 às 11:40hs

Mercado do trigo enfrenta ritmo lento no Sul enquanto Chicago recua com melhora do clima nos Estados Unidos
Foto: Oleksandr Ryzhkov/Freepik

O mercado brasileiro de trigo encerra a semana com negociações lentas na Região Sul, reflexo da demanda enfraquecida por farinha, dos estoques confortáveis da indústria e da cautela dos produtores diante das incertezas climáticas para a nova safra. Ao mesmo tempo, o mercado internacional registrou queda nas cotações na Bolsa de Chicago (CBOT), pressionado pela realização de lucros e pela melhora das condições climáticas nas áreas produtoras dos Estados Unidos.

Apesar do movimento de baixa no cenário externo, fatores como os conflitos no Mar Negro e as restrições logísticas nas exportações russas continuam sustentando preocupações com o abastecimento global de trigo.

Moinhos reduzem moagem e mercado interno permanece travado

De acordo com a TF Agroeconômica, a baixa demanda por farinha continua limitando os negócios no mercado brasileiro. Com vendas abaixo do esperado, diversos moinhos reduziram o ritmo de moagem para prolongar seus estoques, diminuindo a necessidade de novas aquisições de trigo.

O resultado é um mercado de pouca liquidez, com negociações pontuais e compradores atuando apenas para reposições específicas.

Rio Grande do Sul registra estoques elevados e preocupação com qualidade do trigo

No Rio Grande do Sul, os moinhos permanecem abastecidos, o que reduz significativamente o interesse por novas compras.

Além da demanda enfraquecida, a indústria relata problemas de qualidade no trigo remanescente da safra anterior, especialmente devido à elevada incidência de DON (deoxinivalenol), micotoxina que compromete o aproveitamento industrial do cereal.

Enquanto isso, o trigo importado da Argentina voltou a registrar valorização. O preço FOB do trigo argentino com 11% de proteína para embarque em agosto subiu de US$ 230 para US$ 240 por tonelada, elevando a indicação para US$ 286 por tonelada CIF Canoas.

No mercado interno, o preço de balcão ao produtor em Panambi recuou para R$ 69 por saca.

Oferta catarinense praticamente se encerra

Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo produzido no estado praticamente desapareceu nas principais regiões produtoras, entre Campos Novos e Xanxerê.

O último negócio envolvendo trigo catarinense foi registrado a R$ 1.350 por tonelada FOB, acrescido do frete.

Já o trigo gaúcho foi ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400 por tonelada, além de frete e ICMS. Sobras de sementes chegaram ao mercado com preços próximos de R$ 1.450 CIF moinho.

Mesmo após reajustes de aproximadamente 5% nos preços da farinha, o segmento segue com baixa liquidez. O farelo de trigo foi negociado ao redor de R$ 1,10 por quilo, ensacado.

Nos preços pagos aos produtores, houve estabilidade em Chapecó, Rio do Sul e Xanxerê, alta em Canoinhas e Joaçaba e recuo em São Miguel do Oeste.

Paraná tem vendedores retraídos e atenção voltada ao clima

No Paraná, o mercado também apresenta pouca movimentação.

A valorização do trigo argentino elevou os preços da farinha importada, com aumento de US$ 10 por tonelada no cereal e reflexos diretos nos derivados comercializados no estado.

Negócios para trigo disponível ocorreram em torno de:

  • R$ 1.450 por tonelada CIF moinho na região de Curitiba;
  • R$ 1.450 CIF nos Campos Gerais;
  • Entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada no Norte do estado.

Para a safra nova, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada.

No entanto, os produtores permanecem retraídos nas negociações, preocupados com a influência do fenômeno El Niño sobre o desenvolvimento das lavouras. Até o momento, não foram registrados negócios relevantes envolvendo a nova safra.

Bolsa de Chicago recua após máximas de quase dois anos

No mercado internacional, os contratos futuros do trigo encerraram a quinta-feira em queda na Bolsa de Chicago.

O movimento foi motivado principalmente pela realização de lucros dos investidores, após a forte valorização observada no pregão anterior, quando as cotações atingiram os maiores níveis em aproximadamente dois anos.

Outro fator de pressão foi a melhora das previsões climáticas para os Estados Unidos.

A expectativa de chuvas em importantes regiões produtoras deverá favorecer o desenvolvimento das lavouras de trigo de primavera, reduzindo parte das preocupações relacionadas à oferta norte-americana.

Geopolítica continua sustentando o mercado global

Apesar da correção técnica, o cenário internacional segue acompanhado de perto pelos agentes do mercado.

A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia continua gerando incertezas sobre o fluxo das exportações pelo Mar Negro. Além disso, restrições temporárias às operações no porto russo de Novorossiysk mantêm o mercado atento a possíveis impactos sobre a oferta global do cereal.

Esses fatores continuam funcionando como importante suporte para as cotações internacionais, limitando movimentos mais intensos de baixa.

Contratos futuros encerram sessão em queda

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os principais vencimentos fecharam o pregão com perdas superiores a 1%:

  • Setembro/2026: US$ 6,96¼ por bushel, queda de 9,50 centavos (-1,34%);
  • Dezembro/2026: US$ 7,13¾ por bushel, recuo de 9,00 centavos (-1,24%).
Perspectiva permanece de mercado cauteloso

O mercado brasileiro de trigo deve continuar operando com baixa liquidez nas próximas semanas. A combinação entre estoques elevados, demanda moderada da indústria, retenção de oferta pelos produtores e incertezas climáticas mantém compradores e vendedores em posições cautelosas.

No cenário internacional, a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos e os desdobramentos do conflito na região do Mar Negro seguirão sendo os principais fatores capazes de influenciar a direção dos preços do trigo nos mercados global e brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

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