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Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo segue travado no Sul, com moinhos abastecidos e preços sustentados pela reposição de estoques

Com poucos negócios no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mercado do trigo mantém cotações firmes enquanto compradores monitoram estoques e produtores aguardam definições climáticas para a nova safra.


Publicado em: 04/08/2026 às 11:50hs

Mercado de trigo segue travado no Sul, com moinhos abastecidos e preços sustentados pela reposição de estoques

O mercado brasileiro de trigo continua operando em ritmo lento na Região Sul, refletindo a combinação de baixa liquidez, moinhos abastecidos e cautela por parte dos produtores. Apesar do reduzido volume de negociações, os preços permanecem sustentados pela necessidade futura de reposição dos estoques e pelas incertezas relacionadas à próxima safra.

De acordo com levantamento da TF Agroeconômica, as indústrias do Rio Grande do Sul estão abastecidas até meados de setembro. No entanto, para garantir o fornecimento até novembro, os moinhos deverão voltar ao mercado nas próximas semanas, fator que tende a limitar eventuais quedas nas cotações.

Trigo no Rio Grande do Sul mantém preços firmes

No mercado gaúcho, o trigo destinado à retirada em agosto e pagamento em setembro foi negociado, em média, a R$ 1.300 por tonelada no interior do estado. Já o trigo melhorador alcançou R$ 1.350 por tonelada.

Nas entregas CIF aos moinhos, o cereal de melhor qualidade foi negociado próximo de R$ 1.460 por tonelada, enquanto o trigo padrão ficou ao redor de R$ 1.380 por tonelada.

Outro fator que chamou atenção foi a valorização do trigo argentino nacionalizado, cujo preço avançou 6,2%, atingindo US$ 292 por tonelada em Canoas (RS). Além disso, compradores relataram preocupação com elevados índices de DON (deoxinivalenol) em parte da oferta disponível no mercado interno, aspecto que influencia a seleção do produto.

Enquanto isso, o preço de balcão em Panambi recuou para R$ 69 por saca.

Comercialização da nova safra segue abaixo do esperado

A comercialização antecipada da safra 2026/27 permanece bastante limitada no Rio Grande do Sul. Até o momento, aproximadamente 60 mil toneladas foram negociadas entre contratos destinados à exportação e compromissos firmados com moinhos, volume inferior à metade do registrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo analistas, a cautela dos vendedores está diretamente relacionada às incertezas climáticas provocadas pelo fenômeno El Niño, que ainda gera dúvidas sobre o potencial produtivo da próxima safra.

No porto, as indicações para embarques em dezembro permanecem ao redor de R$ 1.250 por tonelada.

Santa Catarina enfrenta baixa moagem e mercado sem reação

Em Santa Catarina, o mercado também segue com pouca movimentação. A baixa demanda por moagem e a reduzida rentabilidade da indústria de farinha limitam a realização de novos negócios.

Os preços do trigo para panificação variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra ainda ocorre de forma gradual em diversas regiões produtoras do estado.

Paraná registra preços mais elevados, mas negócios continuam restritos

No Paraná, as negociações para trigo disponível chegaram a R$ 1.450 por tonelada CIF moinho, em Curitiba.

Já na região Norte do estado, as indicações oscilaram entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada, refletindo maior valorização do produto.

Para a nova safra, as referências ficaram entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, porém sem registro de negócios efetivos.

As projeções do mercado indicam ainda que o Paraná poderá importar cerca de 1,5 milhão de toneladas de trigo em 2027, reforçando a importância do cereal estrangeiro para complementar a oferta interna.

Perspectivas para o mercado de trigo

O cenário permanece marcado por baixa liquidez, mas com fundamentos que impedem quedas mais acentuadas nos preços. A necessidade de recomposição dos estoques pelos moinhos, a oferta restrita de trigo de melhor qualidade e as incertezas climáticas para a próxima safra devem continuar influenciando o comportamento do mercado nas próximas semanas.

Enquanto compradores aguardam melhores oportunidades de aquisição, produtores seguem cautelosos na comercialização, apostando em um ambiente de preços sustentados à medida que a demanda volte a ganhar força.

Fonte: Portal do Agronegócio

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