Aveia, Trigo e Cevada

Mercado de trigo no Brasil segue com oferta restrita e preços firmes em meio à baixa liquidez

Escassez no mercado físico, custos logísticos elevados e foco na colheita de soja sustentam cotações no Sul


Publicado em: 10/04/2026 às 16:00hs

Mercado de trigo no Brasil segue com oferta restrita e preços firmes em meio à baixa liquidez
Foto: Paulo Pires

O mercado brasileiro de trigo registrou mais uma semana de baixa movimentação nos negócios, mantendo um ritmo lento nas negociações. Apesar disso, os preços seguem firmes, sustentados principalmente pela oferta restrita no mercado físico e pela postura cautelosa dos produtores.

O cenário reflete o período de transição entre safras, com o foco ainda concentrado na colheita de verão, especialmente da soja, o que limita a liquidez no mercado.

Oferta limitada sustenta preços no mercado interno

De acordo com análise da Safras & Mercado, o mercado segue travado do lado da oferta, com baixa disponibilidade de trigo no mercado spot.

A postura retraída dos produtores, que evitam negociar volumes neste momento, contribui para manter as cotações em patamares elevados, mesmo diante da fraca movimentação.

Paraná mantém preços firmes com negócios pontuais acima de R$ 1.400

No Paraná, os preços permaneceram estáveis ao longo da semana. As indicações giraram em torno de R$ 1.350 por tonelada CIF, podendo alcançar R$ 1.380 para trigo de melhor qualidade.

Em negócios pontuais, especialmente na região norte do estado, as cotações chegaram a superar R$ 1.400 por tonelada.

No mercado FOB de Ponta Grossa, os preços variaram entre R$ 1.300 e R$ 1.320 por tonelada. Mesmo com a baixa liquidez, os valores seguem sustentados pela escassez de produto.

Rio Grande do Sul tem mercado lento, mas com sinais de valorização

No Rio Grande do Sul, o mercado apresentou pouca movimentação durante boa parte da semana, refletindo o direcionamento dos produtores para a colheita da soja.

As indicações iniciais ficaram próximas de R$ 1.200 por tonelada FOB no interior. No entanto, ao longo da semana, começaram a surgir sinais mais consistentes de valorização.

Na segunda metade do período, negócios foram registrados entre R$ 1.260 e R$ 1.280 por tonelada FOB, com pedidas chegando a até R$ 1.350 em algumas regiões.

Colheita da soja reduz oferta disponível de trigo

A comercialização do trigo também foi impactada pelo avanço da colheita da soja. Produtores que precisavam liberar espaço para armazenagem da oleaginosa já realizaram vendas entre fevereiro e março.

Com isso, a oferta disponível no curto prazo se tornou ainda mais limitada, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado interno.

Alta do diesel eleva fretes e reduz atuação dos compradores

Outro fator relevante no período foi o aumento dos custos logísticos. A elevação dos preços do diesel encareceu o frete, movimento típico desta época do ano, mas intensificado recentemente.

Esse cenário acaba reduzindo a atuação dos compradores, que enfrentam maior custo para aquisição e transporte do produto, impactando o ritmo das negociações.

Dependência de importações ainda é elevada

No cenário externo, o Brasil segue dependente das importações para abastecimento do mercado interno, apesar de uma leve melhora na balança comercial.

No acumulado do ano comercial 2025/26 até março, o país importou 4,19 milhões de toneladas de trigo, volume 13% inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

Mesmo com a redução, a dependência do mercado externo ainda é considerada elevada.

Perspectiva é de leve alta nos preços no curto prazo

A expectativa para o mercado é de recuperação gradual dos preços, ainda que limitada pela paridade de importação.

As projeções indicam potencial de valorização de até 5% no Paraná e até 11% no Rio Grande do Sul, diante da combinação entre oferta restrita e demanda presente no mercado interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias
/* */ --