Mercado de trigo mantém preços firmes no Brasil apesar da correção em Chicago; oferta restrita e incertezas com a safra sustentam cotações
Escassez de trigo disponível, avanço da semeadura no Rio Grande do Sul, baixa oferta em Santa Catarina e mercado cauteloso no Paraná reforçam cenário de sustentação dos preços no mercado brasileiro.
Publicado em: 27/07/2026 às 11:30hs
O mercado brasileiro de trigo segue sustentado pela baixa disponibilidade de produto, enquanto o cenário internacional registrou uma correção técnica nas bolsas, sem alterar a tendência estrutural de preços. A combinação entre estoques reduzidos, incertezas sobre a qualidade da nova safra e ritmo lento das negociações mantém compradores e vendedores cautelosos, especialmente na Região Sul, principal polo produtor do país.
De acordo com análises do mercado, embora os contratos internacionais tenham recuado ao longo da semana em função da realização de lucros por investidores, os fundamentos globais continuam favoráveis para o cereal. No Brasil, a oferta limitada de trigo da safra anterior continua sendo o principal fator de sustentação das cotações.
Mercado gaúcho segue lento, mas preços permanecem sustentados
No Rio Grande do Sul, as negociações continuam ocorrendo de forma pontual, refletindo a baixa movimentação da indústria moageira e os elevados estoques ainda existentes em parte do setor. Os negócios registrados para retirada em agosto e pagamento em setembro giraram em torno de R$ 1.300 por tonelada no interior do estado, enquanto o trigo melhorador alcançou aproximadamente R$ 1.350 por tonelada.
As referências para trigo de melhor qualidade chegaram a R$ 1.460 CIF, enquanto o produto padrão permaneceu próximo de R$ 1.380 CIF.
Outro fator que preocupa os moinhos é a qualidade dos estoques remanescentes. Lotes com elevados índices de DON (deoxinivalenol), uma micotoxina que compromete a qualidade industrial do cereal, começam a aparecer com maior frequência.
No mercado de balcão, o preço pago ao produtor apresentou recuo, atingindo R$ 69 por saca em Panambi.
Semeadura do trigo no Rio Grande do Sul chega a 97%
O plantio da safra gaúcha está praticamente concluído. A semeadura alcançou 97% dos 814,2 mil hectares previstos, embora a área cultivada seja 33,4% menor que a da temporada anterior.
As condições climáticas favoreceram o avanço dos trabalhos de campo e dos tratos culturais. No entanto, episódios recentes de chuvas intensas e ventos fortes elevaram a preocupação dos produtores quanto a possíveis impactos sobre o desenvolvimento das lavouras.
Santa Catarina praticamente encerra oferta de trigo disponível
Em Santa Catarina, a disponibilidade de trigo da safra anterior praticamente desapareceu.
O último negócio envolvendo produto catarinense foi registrado ao redor de R$ 1.350 FOB, acrescido do frete. Já o trigo oriundo do Rio Grande do Sul vem sendo ofertado entre R$ 1.340 e R$ 1.400, além dos custos de transporte e ICMS.
A indústria moageira também trabalha em ritmo reduzido diante das dificuldades para comercialização da farinha e dos elevados estoques do setor. Nas principais regiões acompanhadas, os preços ao produtor oscilaram entre estabilidade, pequenas altas e quedas.
Paraná mantém preços elevados antes da colheita
No Paraná, os preços seguem entre os mais elevados do país.
Negócios para entrega imediata foram registrados na região de Curitiba a cerca de R$ 1.450 CIF. Para a nova safra, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.420 por tonelada, mas ainda sem fechamento de contratos, uma vez que muitos produtores permanecem retraídos aguardando melhor definição do mercado.
As lavouras apresentam, de forma geral, bom desenvolvimento, embora algumas regiões já demonstrem sinais de estresse hídrico.
Correção em Chicago não altera tendência positiva do mercado
No cenário internacional, a queda observada nas cotações da Bolsa de Chicago foi interpretada pelo mercado como um movimento técnico de realização de lucros após as recentes valorizações.
Os principais fundamentos continuam oferecendo suporte aos preços mundiais do trigo.
Entre os fatores de alta permanecem:
- estoques globais reduzidos;
- crescimento do consumo acima da produção;
- riscos às exportações no Mar Negro devido aos ataques à infraestrutura portuária;
- expectativa da menor produção norte-americana desde a safra 1970/71.
Por outro lado, alguns fatores limitam novas altas no curto prazo, como a safra recorde da Rússia, o avanço da colheita no Hemisfério Norte e o ritmo mais lento das exportações dos Estados Unidos.
Oferta restrita mantém mercado brasileiro firme
No mercado doméstico, a disponibilidade de trigo velho continua bastante limitada, enquanto a colheita da nova safra ainda se concentra nas regiões do Norte do Paraná.
Além da menor oferta, persistem dúvidas sobre a qualidade do trigo que chegará ao mercado, principalmente após episódios de geadas e chuvas registrados durante o ciclo da cultura.
Também há preocupação em relação à qualidade da produção argentina, importante fornecedora de trigo para os moinhos brasileiros. Em diversas regiões paranaenses, o cereal nacional permanece competitivo frente ao produto importado.
Perspectivas seguem positivas para os próximos meses
Na avaliação técnica do mercado internacional, a tendência principal continua positiva. Indicadores gráficos permanecem apontando viés altista no médio prazo, apesar da elevada volatilidade observada nas últimas sessões.
Para o mercado brasileiro, a expectativa é de manutenção dos preços firmes enquanto persistirem a baixa disponibilidade de trigo da safra anterior e as incertezas sobre a qualidade da nova produção. Caso haja confirmação de menor oferta de trigo de padrão panificável, o mercado poderá registrar prêmios adicionais para lotes de melhor qualidade ao longo da comercialização da safra 2026.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias