El Niño muito forte ameaça safra de trigo no Sul do Brasil e excesso de chuvas pode reduzir produtividade
Previsão do Inmet indica intensificação do fenômeno climático nos próximos meses, elevando o risco de doenças, perdas nas lavouras e impactos na oferta nacional de trigo.
Publicado em: 05/08/2026 às 10:10hs
A previsão de fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 acendeu um sinal de alerta para os produtores de trigo da Região Sul do Brasil. De acordo com o mais recente boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno pode atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, aumentando significativamente o volume de chuvas sobre os principais estados produtores do cereal.
O cenário preocupa o setor agrícola porque a combinação entre excesso de precipitações, elevada umidade e menor incidência de radiação solar pode comprometer o desenvolvimento das lavouras, favorecer o avanço de doenças fúngicas e reduzir o potencial produtivo da safra brasileira de trigo.
Histórico do El Niño reforça preocupação com a safra de trigo
Segundo o analista de culturas da EarthDaily, Felippe Reis, o comportamento esperado para este ciclo climático lembra os eventos registrados em 2014 e, principalmente, em 2015, quando o excesso de chuvas provocou perdas importantes nas principais regiões produtoras de trigo do país.
Na avaliação do especialista, os primeiros sinais observados neste ano já indicam um padrão semelhante, especialmente no Rio Grande do Sul, onde os acumulados de chuva vêm superando a média desde o mês de julho.
"O último El Niño de grande intensidade trouxe excesso de chuvas para Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, prejudicando o desenvolvimento da cultura. Em 2014, quando o fenômeno começou a se intensificar, também observamos impactos relevantes sobre a produtividade", destaca Reis.
Chuvas excessivas aumentam risco de doenças e perdas de produtividade
Embora a disponibilidade de água seja essencial para o desenvolvimento do trigo, o excesso de umidade representa um dos principais fatores de risco para a cultura.
Além de dificultar o manejo das lavouras, o ambiente úmido favorece a proliferação de doenças fúngicas, enquanto a redução da luminosidade limita a fotossíntese e compromete o enchimento dos grãos.
Segundo Felippe Reis, o equilíbrio entre chuva e radiação solar é determinante para o desempenho produtivo.
"A planta necessita de água, mas também depende da incidência de sol para atingir seu potencial produtivo. Quando as chuvas persistem por longos períodos, aumentam os riscos fitossanitários e diminuem as condições ideais para o desenvolvimento da cultura."
Agosto e setembro serão decisivos para definir o potencial da safra
O comportamento climático nas próximas semanas deverá ser determinante para o desempenho das lavouras.
O especialista ressalta que o acompanhamento das condições meteorológicas durante agosto e setembro será fundamental para identificar antecipadamente possíveis perdas de produtividade e avaliar o impacto sobre a oferta nacional.
Caso o excesso de chuvas persista, cresce a possibilidade de redução no rendimento das lavouras, principalmente nas áreas onde o trigo estará entrando nas fases mais sensíveis do desenvolvimento.
Região Sul concentra cerca de 80% da produção brasileira
A preocupação do mercado ganha ainda mais relevância porque a Região Sul responde pela maior parte da produção nacional de trigo.
Somente Rio Grande do Sul e Paraná concentram aproximadamente 80% da safra brasileira, tornando as condições climáticas nesses estados decisivas para o abastecimento interno e para a formação dos preços do cereal.
Santa Catarina também integra as principais áreas produtoras e pode enfrentar os efeitos do aumento da frequência de temporais previsto para os próximos meses.
Mercado acompanha impactos climáticos sobre oferta e preços
A confirmação de um El Niño de forte intensidade mantém produtores, cooperativas, moinhos e agentes do mercado atentos à evolução das condições meteorológicas.
Se as previsões do Inmet se confirmarem, o excesso de chuvas poderá afetar não apenas a produtividade das lavouras, mas também a qualidade dos grãos, elevando a preocupação com a disponibilidade de trigo para a indústria brasileira.
Com isso, o clima passa a ser o principal fator de risco para a safra 2026, em um momento em que o mercado acompanha diariamente as previsões meteorológicas em busca de sinais sobre o comportamento da produção nacional e seus reflexos nos preços do cereal.
Fonte: Portal do Agronegócio
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