Doenças avançam nas lavouras de cevada e reforçam alerta para uso de fungicidas no Rio Grande do Sul
Chuvas elevam risco de giberela, ferrugens e doenças foliares na entrada da fase reprodutiva; safra gaúcha ocupa 20,3 mil hectares e tem produtividade estimada em 3.020 kg/ha
Publicado em: 10/09/2026 às 10:20hs
O avanço da cevada para os estádios reprodutivos acendeu um alerta fitossanitário no Rio Grande do Sul. O aumento da incidência de doenças foliares e a permanência de condições favoráveis ao desenvolvimento de fungos levaram produtores a retomar as aplicações preventivas de fungicidas.
De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, as lavouras apresentam diferentes fases de desenvolvimento, incluindo elongação do colmo, espigamento, florescimento e enchimento de grãos. O estado geral das áreas cultivadas permanece satisfatório, mas as chuvas elevam os riscos principalmente durante a transição entre o espigamento e a fase reprodutiva.
Chuvas favorecem doenças fúngicas na cevada
A elevada umidade nas regiões produtoras contribuiu para o aumento da pressão de doenças foliares. A situação exige monitoramento frequente das plantas e atenção redobrada ao momento correto das aplicações de fungicidas.
O período entre o espigamento e o florescimento é considerado decisivo para a proteção da cultura. Nessa etapa, doenças como a giberela podem comprometer a formação e a qualidade dos grãos, com reflexos sobre a produtividade e o aproveitamento industrial da cevada.
As ferrugens também estão no foco dos produtores. O controle busca preservar a área foliar responsável pela fotossíntese durante o enchimento dos grãos, etapa fundamental para alcançar o rendimento e a qualidade exigidos pela indústria de malte.
Fungicidas retornam ao manejo das lavouras
A ocorrência de dias mais secos permitiu a retomada das operações de manejo fitossanitário em diferentes áreas do estado. Na região administrativa de Soledade, produtores realizaram aplicações preventivas de fungicidas contra a giberela e intensificaram o controle de ferrugens diante da previsão de novas chuvas.
O planejamento das pulverizações considera o estádio das plantas, o histórico das áreas e as condições meteorológicas. A eficiência do controle depende da aplicação no momento adequado, especialmente quando existe perspectiva de chuva durante o espigamento e o florescimento.
Metade das lavouras de Ijuí está na fase reprodutiva
Na região de Ijuí, aproximadamente 50% das lavouras de cevada já alcançaram os estádios reprodutivos. Desse total, 40% estão em florescimento e 10% em granação.
O avanço do ciclo ocorre acompanhado pelo aumento da incidência de doenças foliares. Com uma parcela significativa das plantas em fases sensíveis, o acompanhamento fitossanitário torna-se essencial para evitar perdas de produtividade e de qualidade.
Além da presença de sintomas, os agricultores precisam observar as previsões de chuva, a duração do molhamento foliar e a evolução das temperaturas, fatores que podem acelerar o desenvolvimento dos patógenos.
Lavouras de Soledade mantêm condição satisfatória
Em Soledade, o quadro geral das lavouras é considerado satisfatório. Cerca de 50% das áreas estão em elongação do colmo, 40% em espigamento e 10% já chegaram ao enchimento de grãos.
A sequência de dias secos favoreceu as pulverizações e permitiu aos produtores avançar nas medidas preventivas. Entretanto, a possibilidade de retorno das chuvas mantém elevado o nível de atenção.
O desafio é proteger as plantas sem perder a janela mais eficiente de aplicação, principalmente nas áreas próximas ao florescimento.
Safra gaúcha de cevada ocupa 20,3 mil hectares
A área cultivada com cevada no Rio Grande do Sul está estimada em 20.320 hectares. A produtividade média projetada é de 3.020 quilos por hectare, equivalente a pouco mais de 50 sacas de 60 quilos por hectare.
Embora as lavouras apresentem desenvolvimento satisfatório na maior parte das regiões, o resultado da safra dependerá da evolução do clima e da eficiência do controle de doenças durante as próximas etapas do ciclo.
Cevada é negociada a R$ 85 por saca em Erechim
Na região de Erechim, a saca de 60 quilos de cevada destinada à indústria de malte foi comercializada, em média, por R$ 85.
Além da produtividade, a rentabilidade dos produtores depende do atendimento aos padrões exigidos pela indústria. Parâmetros como germinação, teor de proteína, tamanho, uniformidade e sanidade dos grãos influenciam a classificação e a remuneração do produto.
Manejo sanitário será decisivo para qualidade da safra
Com a cevada entrando nas fases de espigamento, florescimento e enchimento de grãos, o controle de doenças passa a ocupar posição central no manejo das lavouras gaúchas.
O monitoramento constante, a escolha correta dos fungicidas e o respeito às janelas de aplicação serão determinantes para reduzir os efeitos da giberela, das ferrugens e de outras doenças foliares. A evolução das chuvas nas próximas semanas deverá definir o grau de pressão sanitária e o potencial produtivo da safra de cevada no Rio Grande do Sul.
Fonte: Portal do Agronegócio
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